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    Thays Tumelero

    Crédito Social: a realidade experimentada da China

    A medida, que visa combater atos vistos como negativos e premiar os positivos, vai na contramão do mundo ocidental

    03/12/2019 - 08h44 - Atualizada em: 03/12/2019 - 08h46

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    Por Tech SC
    Crédito Social
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    Thays Tumelero
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    E se um cidadão pudesse ser premiado por bom comportamento e ainda perder pontos por alguma conduta socialmente reprovável? E se cuidar de um idoso pudesse somar pontos, enquanto que o atraso no pagamento de um imposto pudesse descontar da pontuação adquirida? E se esse cenário não fosse parte da ficção narrada por George Orwell no livro 1984 ou um episódio de Black Mirror?

    No ano de 2014, o Conselho de Estado Chinês publicou um documento que prevê um plano de crédito social, a ser implementado até 2020. Através dele, o governo pretende, em síntese, mapear condutas sociais, financeiras e on line de cidadãos, categorizando entre aprovadas e reprovadas, resultando, assim, em um acréscimo ou desconto de pontos atribuídos para cada pessoa.

    Segundo o governo chinês, a política visa priorizar atos de honestidade e credibilidade e se tornar ferramenta de resolução de problemas econômicos e sociais (especialmente no combate às fraudes), além de buscar criar uma sociedade mais ordeira e solidária.

    O projeto já vem sendo testado por algumas cidades chinesas e empresas privadas, como a Alibaba, que pontua de forma positiva aqueles que compram fraldas e mamadeiras. Por outro lado, se no carrinho de compras conter bebidas alcoólicas, serão descontados pontos do cidadão.

    No programa não foram publicizados vieses ou regras aplicadas aos algoritmos sobre as ações que podem resultar em acréscimo ou desconto da pontuação. Algumas condutas foram mapeadas como possíveis, dentre elas: trabalho voluntário, ficha criminal, comportamento no trânsito, pagamento de impostos e outras contas, interação online com amigos e informações coletadas de websites como o da própria Alibaba.

    O placar pode permitir ou bloquear acesso a serviços como transporte (trens e aviões), serviços de internet, acesso a hotéis de melhor qualidade, escolas e universidades melhores, vagas de emprego e até mesmo a publicização daqueles que foram considerados reprováveis pelo ranking, por meio de listas públicas e até mensagem de voz exibida quando uma pessoa liga para o cidadão que está mal posicionado no ranking.

    A falta de transparência nas regras impostas pelo sistema e o imenso poder computacional gerado pelo referido sistema coloca os cidadãos chineses em situação de extrema vigilância. Situações que antes eram apenas imagináveis em livros e filmes de ficção vão se tornando, aos poucos, realidade.

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