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    Segurança

    "Crimes diminuíram, mas índices estão longe do aceitável", afirma delegada regional de Joinville

    Em entrevista, Tânia Harada informa planos para 2019 com base nos bons resultados de seus dois anos na gestão 

    07/01/2019 - 06h30

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    Redação
    Por Redação AN
    Tânia Harada assumiu a delegacia regional em março de 2017
    Tânia Harada assumiu a delegacia regional em março de 2017
    (Foto: )

    Perto de completar dois anos à frente da Delegacia Regional de Joinville, a delegada Tânia Harada planeja para 2019 a implantação de mais delegacias especializadas na cidade. O plano é com base nos bons resultados das duas unidades do tipo existentes na cidade: a Delegacia de Homicídios (DH), que registrou diminuição do número de assassinatos em 37%; e de Divisão de Investigação Criminal (DIC), com redução de 47% nos roubos.

    Em entrevista à rádio Globo, Tânia falou do balanço deste ano, com a diminuição expressiva dos índices de criminalidade, além de metas e projeções para o ano que vem.

    Balanço de 2018 aponta diminuição nas ocorrências

    Foi um ano muito proveitoso com muitos avanços e redução de índices. Em comparação com os números do ano passado, diminuímos a quantidade de roubos em 47%; homicídios em 37% e os furtos tiveram entre 25 a 27% de redução. Estas quedas se devem a um esforço conjunto de todas as forças de segurança presentes em Joinville. É injusto atribuir este bom resultado tão somente a Civil, tivemos um esforço de todas as forças de segurança. Joinville vinha em uma crescente nos índices de criminalidade, se não se fizesse alguma coisa para conter e tentar reduzir, no futuro isso seria muito mais difícil. Seria uma realidade muito pior e muito mais difícil de voltar atrás. Houve uma reação, um esforço da Secretaria de Segurança de Santa Catarina de um modo geral para que esses bons números fossem alcançados.

    Polícia mais produtiva

    Furto e tráfico de drogas são os crimes mais registrados, ambos tiveram diminuição. A Polícia Civil de Joinville hoje é a mais produtiva do Estado. No comparativo feito pela Corregedoria, considerando o segundo quadrimestre, nós superamos, e muito, a segunda região que é Florianópolis em número de representações _ que são os pedidos de busca, número de prisões feitas pelos delegados, números de alvos investigados. Então, o que colabora com a redução destes índices é a certeza de que sujeito tem de que vai ser punido.

    Eu acredito que a convicção de que você vai responder pelo seu crime é algo muito mais forte do que o aumento da pena somente. Quando se identifica o autor e consegue a prisão, gera um desestímulo nessas pessoas. Além de também prevenir a prática dos crimes por aquela pessoa que foi presa, já que ela pode ser autora de dez, vinte crimes. Quando se encarcera o suspeito, surte esse efeito preventivo posterior.

    Permissividade na interpretação da lei

    O sujeito acreditar que não será preso é um estímulo para a continuidade delitiva. O mesmo acontece quando temos muita permissividade na interpretação da lei. A lei já traz uma série de benefícios para o investigado, para o condenado. Quando se faz uma interpretação muito benéfica a favor de quem cometeu o crime, acaba gerando o sentimento de que “o crime compensa”. Então, a gente precisa de uma postura firme. Costumo dizer que a segurança pública não é só problema de polícia, ela começa na assistência social e vai até a execução penal. Temos que ter uma ligação firme até o último elo da corrente, até a execução penal. Os problemas da segurança pública têm muito a base social, de falta de oportunidade. Não que toda pessoa que está em situação financeira difícil vai cometer um crime, não neste sentido. Mas o fato é que a falta de oportunidades para os nossos jovens e crianças, aliado ao aliciamento por parte das facções criminosas cada vez mais cedo, faz com que elas tenham como referência o bandido do bairro, o traficante da rua. A falta de oportunidade e a desestrutura familiar deixa um terreno bem fértil para a facção conseguir captá-los."

    Violência doméstica

    Nós tivemos um aumento nos registros de casos de violência doméstica. Eu vejo isso pelo aspecto positivo, não atribuo isso ao aumento de casos em si, porque essa violência sempre ocorreu. Agora, acontece um aumento nas denúncias. O empoderamento da mulher, maior conscientização, uma dimensão maior da possibilidade de efetuar as denúncias colaborou para o aumento destes registros. Mas ainda temos que evoluir mais um pouquinho neste ponto porque a denúncia inicial a mulher tem feito. O fato é que, no curso do procedimento, muitas desistem. Quando eu ainda estava na Delegacia da Mulher, em 2016, 80% dos casos denunciados não chegavam a uma sentença condenatória e a penalização do agressor. Eu trabalhei em várias cidades e, no caso de Joinville, o perfil da mulher é diferente. Às vezes, eu vejo uma falta de amparo familiar, mas também uma falta de autoestima. Longe daquele discurso de que tem mulher que aceita isso e faz com que ela acabe retrocedendo. Atribuo mais a uma dependência emocional, essas mulheres escutam comentários na própria família 'ah, ruim com ele, pior sem ele' ou 'o que você fez para merecer isto?'. A vítima não tem que se justificar, essa questão cultural de que a culpa é atribuída à mulher também contribui para ela não seguir adiante.

    Relação com o Ministério Público

    Temos uma aproximação e uma relação direta entre os delegados e os promotores. Os promotores podem presidir uma investigação sozinhos, mas o usual é que, para oferecer a denúncia, para poder processar alguém, ele se baseie no inquérito da Polícia Civil. Ou seja, é de total interesse da promotoria de justiça que este inquérito esteja bem instruído, que venha com as melhores provas técnicas. Muitas vezes, o êxito do trabalho do promotor depende do êxito do nosso trabalho. Hoje, o contato dos delegados com os promotores de Justiça é direto. Esse contato faz com que todo mundo ganhe. Todo mundo, menos os bandidos.

    Humanização no trabalho da Civil

    Acredito que temos um caminho a seguir com vistas de uma maior aproximação da comunidade, mas a Polícia Civil já é vista de outra maneira. Desde março de 2017, (quando assumiu a delegacia regional) o que mais me trouxe satisfação neste período de gestão foi essa mudança de visão acerca de Civil por vários segmentos da comunidade. Para isto, foram tomadas medidas simples, como a criação de um espaço para crianças em praticamente todas as nossas delegacias; um envolvimento maior da Polícia Civil em ações sociais.

    Delegacia da Mulher recebeu espaço para crianças
    Delegacia da Mulher recebeu espaço para crianças
    (Foto: )

    Uma cara nova para a polícia de modo que a comunidade não nos veja com receio, de que nenhuma criança olhe para os policiais e sinta medo. Eu quero que elas sintam confiança, admiração, respeito. Então, a gente vem dando muita ênfase nestes trabalhos sociais e o nosso foco são as crianças."

    Planejamento de mais delegacias especializadas:

    Quando assumi a Delegacia Regional, em 2017, fiz um diagnóstico das delegacias e foi verificada que algumas unidades eram muito improdutivas e, consequentemente, muito caras. A delegacia que existia no Morro do Meio, por exemplo, o custo de um boletim de ocorrência para registrar sobre a perda de identidade saía para o contribuinte no valor R$ 1.366. Tinha outros custos, com sub-aproveitamento de estrutura física, o aluguel do prédio de R$ 8 mil e se usava 25% da estrutura. Muito desperdício de dinheiro público foi verificado nesta fase inicial.

    Também observamos que o melhor resultado vem da especializada, cito como exemplo a criação da Delegacia de Homicídios pelo delegado Laurito Akira Sato, em 2016. Deste diagnóstico veio a ideia de especializar as unidades e diminuir no modelo que atende de tudo um pouco, porque com foco se trabalha melhor. Venho conversando com a comunidade, com os Conselhos Comunitários de Segurança (Conseg) para que a população entenda o novo modelo, já que é melhor para a comunidade. Para que entenda os benefícios é preciso compreender as diferenças de atuação da PC e PM.

    Enquanto a Militar atua preventivamente, a Civil atua depois que o crime ocorreu. Então, a população pensa que a sensação de segurança aumenta porque tem uma delegacia perto, e isso é ilusório. Isto que preciso que a comunidade entenda e apoie para que a gente possa evoluir. Ainda que tenhamos diminuído os índices de criminalidade, mas eles estão longe dos aceitáveis, e com as especializadas queremos diminuir ainda mais esses números.

    Projeção para 2019

    Acredito que somente levar a cabo este projeto das delegacias especializadas já é projeto para um ano todo, porque nós temos forças contrárias. A ideia é ter as especializadas em um prédio único até para otimizar recursos e pessoal, diminuindo as unidades neste modelo que atende de tudo um pouco. Acho que isto já é um desafio para 2019, os alinhamentos que temos feito com empresas relacionadas à tecnologia, se conseguimos evoluir também será muito positivo e irá elevar a Polícia Civil de Joinville a outro patamar.

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