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    Mudança de rota no ar

    Crise abate companhias líderes no Brasil

    TAM e Gol amargaram prejuízos e recuos no mercado, enquanto empresas com menor participação avançam no setor de aviação

    17/09/2012 - 01h08 - Atualizada em: 19/09/2012 - 11h41

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    Por Redação NSC
    As duas principais companhias registraram prejuízo no segundo trimestre: menos R$ 928,1 milhões (TAM) e menos R$ 715,1 milhões (Gol)
    As duas principais companhias registraram prejuízo no segundo trimestre: menos R$ 928,1 milhões (TAM) e menos R$ 715,1 milhões (Gol)
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    Apesar do crescimento a jato do mercado doméstico, que dobrou o número de passageiros transportados nos últimos seis anos, o céu não é de brigadeiro para as líderes do setor.

    Abatidas pela turbulência econômica, TAM e Gol, que já fecharam no vermelho em 2011, amargaram prejuízo somado de R$ 1,6 bilhão no segundo trimestre.

    Na tentativa de estancar as perdas, a dupla recorreu ao enxugamento de rotas e, com isso, acelera a perda de participação de mercado para as concorrentes menores.

    Para o professor de ambiente de negócios da aviação do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) Richard Lucht, também diretor-geral da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM-Sul), o desastre dos balanços é explicado pela exposição do setor às oscilações da economia. A alta do câmbio, lembra Lucht, afeta os preços do combustíveis e do leasing das aeronaves, o equivalente a 40% do custo operacional das companhias. Com isso, resta para as empresas manobrar com o quadro de pessoal e a malha.

    No caso da Gol, que empilha prejuízos a cinco trimestres consecutivos, há ainda o agravante da dívida que chegou a R$ 5,7 bilhões em junho.

    Pedro Galdi, estrategista-chefe e analista do setor aéreo na corretora SLW, vê com preocupação o futuro da aérea. A empresa, entende, não deve voltar a ter lucro trimestral antes de 2014.

    - A Gol deve 10 vezes mais do que gera de caixa. Grandes empresas de aviação já desapareceram no país - alerta Galdi, que, entretanto, vê numa fusão ou aquisição o caminho natural para a Gol, assim como ocorreu com a TAM e a Lan, do Chile.

    Na busca por cortar custos, a Gol anunciou este ano o fim de 80 voos. O número de corte de funcionários poderia chegar a 2,5 mil. Procurada, a TAM informou que, para contornar os resultados financeiros negativos causados por câmbio e alta dos combustíveis, vai reduzir a oferta de assentos entre 2% e 3% este ano. A Gol, por sua vez, não se pronunciou

    Para Volney Gouveia, professor de economia e transporte aéreo da Universidade Anhembi Morumbi, apesar do pessimismo reinante com o setor, a crise é fruto de fenômenos econômicos pontuais que atingem o segmento em todo o mundo e, por isso, passageira. De qualquer forma, lembra Gouveia, o mercado de aviação no Brasil é altamente dinâmico quanto ao aparecimento e fim de empresas.

    Aeroportos dificultam crescimento

    Enquanto o número de passageiros transportados no mercado doméstico cresceu 7,39% de janeiro a julho em comparação ao mesmo período do ano passado, a TAM avançou apenas 1,27% e a Gol caiu 3,21%.

    A perda de participação de mercado, entende Richard Lucht, professor de ambiente de negócios da aviação do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), se deve ao esgotamento da capacidade dos principais aeroportos brasileiros. O especialista lembra que, como a economia brasileira se descentralizou nos últimos anos, cidades que não contavam com ligação aérea passaram a ter. E empresas como Gol e TAM, com aviões de maior porte, não tinham como operar nesses mercados.

    - Foi um espaço que as outras companhias pegaram nas linhas de média densidade. Cresceram onde os aeroportos estavam lotados - diz Lucht, lembrando que uma das saídas da TAM foi avançar no mercado internacional com a fusão com a chilena Lan.

    Para Pedro Galdi, estrategista-chefe e analista do setor aéreo na corretora SLW, a disputa de preços também contribuiu para os prejuízos.

    - TAM e Gol fizeram uma guerra tarifária que prejudicou a estrutura de capital das empresas. Quando o dólar e os combustíveis subiram, comeram as margens delas - avalia.

    A inclusão do setor na desoneração da folha de pagamento também deverá ser um alívio para as empresas uma vez que o peso do quadro de pessoal corresponde a 20% do custo. Para o professor, Volney Gouveia, da Universidade Anhembi Morumbi, o governo deveria adotar uma política de estabilidade no preço dos combustíveis para evitar as grandes oscilações que causam desequilíbrio financeiro.

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