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    Luto na música

    David Bowie morre após batalha de 18 meses contra o câncer 

    Último álbum do artista, "Blackstar", foi lançado na sexta-feira passada (8/1), dia de seu aniversário de 69 anos 

    11/01/2016 - 03h01 - Atualizada em: 11/01/2016 - 14h43

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    Por Redação NSC

    Correção: David Bowie morreu no domingo, e não na segunda-feira. O texto já foi corrigido.

    Após enfrentar secretamente por 18 meses uma luta contra o câncer, o músico David Bowie morreu neste domingo, aos 69 anos — completados no último dia 8, mesmo dia em que lançou o seu mais recente disco, Blackstar. Ao longo de sua trajetória, Bowie marcou a cultura pop com sua impressionante capacidade de se transmutar e se reinventar a cada passo que deu, combinando seu talento como compositor com o interesse por teatro, moda, artes visuais, cinema e literatura. 

    Às véspera de lançar Blackstar, Bowie apresentou o emblemático videoclipe  da canção Lazarus — referência ao personagem bíblico associado à ressureição, no qual aparece com os olhos vendados levitando na cama de um hospital psiquiátrico.   

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    A morte de Bowie foi confirmada na manhã desta segunda-feira pela página oficial do músico no Facebook. "David Bowie morreu hoje em paz, cercado por seus amigos e família, após uma corajosa luta de 18 meses contra o câncer", informou a postagem.

    January 10 2016 - David Bowie died peacefully today surrounded by his family after a courageous 18 month battle with...

    Publicado por David Bowie em  Domingo, 10 de janeiro de 2016

    A notícia provocou grande impacto em meio à boa recepção que o lançamento do álbum Blackstar vem recebendo em todo o mundo. O câncer que venceu Bowie era conhecido apenas por seu familiares e amigos íntimos. Em 2004, um problema cardíaco havia feito Bowie interromper turnê de promoção de Reality. Bowie foi saindo de cena e desacelerando o intenso ritmo de produção que mantinha desde o final dos anos 1960 nos estúdios, nos palcos e diante das câmeras, como persona pública referencial da vanguarda na música, na moda e no comportamento.

    Bowie voltou à ativa — mas não aos palcos — no começo de 2013, quando lançou o elogiado disco The Next Day, no qual faz referência à efervescente fase de sua carreira que teve como cenário a cidade de Berlim, na Alemanha.

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    O cineasta Duncan Jones, filho de Bowie confirmou a notícia da morte do pai, escrevendo no Twitter que sentia muito ao dizer, "mas que é verdade" a notícia da morte do pai. Jones disse ainda que ficará offline por um tempo.

    Outras estrelas prestaram seus tributos ao cantor britânico. A baixista da banda Sonic Youth, Kim Gordon, twittou: "Tão triste ouvir sobre a morte de David Bowie".

    Apesar de ter se mantido afastado dos holofotes no últimos anos, Bowie não deu nenhuma sugestão de que estava gravemente doente antes do anúncio de sua morte nesta segunda-feira.

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    A vida e a carreira

    David Bowie nasceu em Brixton, no sul de Londres, em 8 de janeiro de 1947. Foi batizado como David Jones, nome que o músico mudou 19 anos mais tarde, devido ao êxito alcançado por um outro David Jones – o dos Monkees. Em 1967, lançou o primeiro disco: David Bowie.

    A discografia viria a ser longa: 26 álbuns de estúdio (dois dos quais com à frente do grupo Tin Machine), nove álbuns ao vivo e três trilhas sonoras, além de diversos EPs e mais de uma centena de singles.

    Foi a partir de seu segundo disco, Space Oddity (1969), que Bowie tornou-se internacionalmente conhecido – a faixa título foi tema da cobertura da missão especial que levou o primeiro homem a pisar na Lua, naquele mesmo ano. Nesta canção, Bowie apresenta o astronauta Major Tom, personagem que revisitaria nas década seguintes em faixas como Ashes to Ashes e Hello Spaceboy.

    Em 1972, Bowie logou luz na era do glam rock criou com um alter ego extravagante e andrógino chamado Ziggy Stardust, apresentado no disco The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars, que, entre outras canções, emplacou o hit Starman.

    No ano seguinte, o disco Aladdin Sane levou Ziggy/Bowie aos EUA. A vida curta do personagem revelaria apenas uma das muitas facetas de uma carreira marcada pela reinvenção contínua, pela inovação musical e pela apresentação visual. Em 1974, o álbum Diamond Dogs previa, com seu som e sua temática caótica, a revolução punk que surgiria anos depois.

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    Em 1975, Bowie finalmente conseguiu seu primeiro grande sucesso em território americano com a canção Fame, em co-autoria com John Lennon, do álbum Young Americans. A sonoridade flertando com o soul constituiu uma mudança radical que desconcertou muitos fãs de primeira e arrebanhou muitos outros mundo afora.

    Um novo personagem, o gélido Thin White Duke, figura que remetia aos artistas dos cabarés da Berlim dos anos 1920, mostrado no disco Station to Station (1976), antecipou um nova reversão de rota. Com o minimalista, climático e eletrônico Low (1977), Bowie, em parceria com Brian Eno, abriu a Trilogia de Berlim, completada com os discos Heroes (1978) e Lodger (1979).

    Bowie voltaria às paradas de sucesso em 1980, no embalo, da canção Ashes to Ashes, do álbumScary Monsters, primeiro lugar na Grã-Bretanha. No ano seguinte, junto à banda Queen, escreveu e cantou com Freddie Mercury a canção Under Pressure e em seguida atingiu novo pico comercial com o álbum Let's Dance (1983), que rendeu sucessos com a canção homônima e o fez cativar nova audiência.

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    Ao longo dos anos 1990 e 2000, Bowie continuou a experimentar novos estilos musicais, incluindo os gêneros industrial e drum and bass. Foi seu último álbum de canções inéditas, seguido pela turnê mundial, até o lançamento de The Next Day, em 2013.

    Este último trabalho, que contém apenas sete canções, foi bem recebido pela crítica no Reino Unido. Durante anos houve nos círculos musicais rumores sobre a saúde do cantor, muito reservado com sua vida pessoal e que fazia poucas aparições públicas. Seu último show ao vivo foi uma atuação com fins beneficentes em Nova York, em 2006. 

    Bowie foi amigo de Lou Reed ou Iggy Pop e responsável por alguns de seus discos.  Os mais de 140 milhões de discos vendidos, a influência exercida sobre colegas de profissão como Lady Gaga, Placebo ou Blur, ou ainda o milhão de visitantes que foram a sua exposição itinerante, David Bowie Is, lançada em 2013 em Londres, confirmam o alcance de seu sucesso.

    No cinema, Bowie atuou em Furyo, Em Nome da Honra, de Nagisa Oshima, Fome de Viver, de Tony Scott, ou A Última Tentação de Cristo, de Martin Scorsese  

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