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Tragédia na BR-470

Defesa de motorista do Jaguar culpa motorista do Palio pelo acidente na BR-470

Documento de 47 páginas diz que Evanio Prestini teria agido corretamente ao volante e que Thainara Schwartz é quem teria invadido a pista contrária

21/03/2019 - 20h06 - Atualizada em: 21/03/2019 - 20h14

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Augusto
Por Augusto Ittner

Os advogados de Evanio Wylyan Prestini, motorista do Jaguar envolvido em um grave acidente no dia 23 de fevereiro na BR-470, entregaram nesta quarta-feira a defesa prévia à Comarca de Gaspar. O documento tem 47 páginas, pede a absolvição do condutor e tenta provar que Evanio não teve culpa na colisão que resultou na morte de Amanda Grabner Zimmermann, 18 anos, e Suelen Hedler da Silveira, 21.

A defesa contratou Patricio Eduardo Llanos Certa, um renomado perito de São Bernardo do Campo (SP), para tentar provar que Thainara Schwartz é quem teria causado o acidente. A jovem era a condutora do Fiat Palio, segundo veículo envolvido na ocorrência e onde estavam as duas garotas que morreram. A alegação dos advogados é de que ela teria agido de forma incorreta ao invadir a pista contrária e provocar a colisão com o Jaguar.

No documento, os advogados alegam ainda que o registro de acidente de trânsito feito pela Polícia Rodoviária Federal contém “relatos imprecisos e procedimentos imprestáveis do ponto de vista técnico”. A defesa diz que não houve uma ampla investigação de todos os aspectos do acidente, como por exemplo o exame de alcoolemia na condutora do Fiat Palio.

Com base no relato feito por Silvio Bambinetti, que flagrou Evanio conduzindo o veículo em zigue-zague na BR-470 quilômetros antes da colisão, os advogados dizem que não é possível garantir que o motorista do Jaguar teria permanecido dirigindo perigosamente. O documento ainda aponta que as condições da pista na rodovia federal podem ter contribuído para que Evanio tivesse de “adentrar a contramão da pista por breve momento para logo a seguir voltar à sua mão de direção”.

Na 13ª página da defesa prévia, os advogados de Evanio dizem que no caso de uma autoestrada de mão dupla, acessar a pista contrária é uma “manobra perfeitamente permitida” e alega que Thainara teria errado ao volante quando teria desviado para a esquerda, e não à direita, conforme orientação do Departamento Nacional de Trânsito (Detran). “Assim, pode-se afirmar, no presente caso que o risco juridicamente proibido foi criado pela vítima”, aponta a defesa na 16ª página.

Os advogados alegam, com base na carteira de motorista da condutora do Palio, que a “sua pouca experiência em estradas possa ter contribuído para que tomasse a equivocada decisão de se dirigir à faixa da esquerda”.

A defesa ainda diz, com base na perícia contratada, que “nenhuma das ocupantes do veículo utilizava cinto de segurança no momento da colisão”.

Contraponto

Procurado pela reportagem, o advogado de Thainara Schwartz, Jaír Círico, disse que tomou conhecimento do documento entregue pela defesa de Evanio Prestini, mas que não iria se manifestar.

O acidente

A batida envolvendo o Jaguar e o Fiat Palio ocorreu por volta das 6h da manhã de 23 de fevereiro na BR-470, em Gaspar. Duas garotas morreram, Amanda Grabner Zimmermann, 18, e Suelen Hedler da Silveira, 21. O condutor do carro de luxo, Evanio Prestini, foi submetido ao teste do bafômetro que apontou 0,72 miligramas de álcool por litro de ar expelido.

Ele foi preso em flagrante. No dia seguinte ao acidente, a prisão foi convertida para preventiva. Os advogados de Evanio pediram a revogação da prisão, que foi negada pela Comarca de Gaspar. A defesa, então, entrou com o pedido de uma liminar de habeas corpus no Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), que também foi negado. Quase duas semanas depois, no julgamento do Colegiado, os desembargadores decidiram por manter Evanio preso.

Em nota, a defesa do motorista do Jaguar confirmou que levará o processo ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Hoje, Evanio está detido no Presídio Regional de Blumenau.

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