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Câmara dos Deputados

Delegado Waldir decide entregar liderança do PSL, que fica com Eduardo Bolsonaro

Nos últimos dias, deputado escancarou desavenças entre a ala bolsonarista e aliados do presidente nacional da sigla, Luciano Bivar, com troca de acusações mútuas 

21/10/2019 - 16h14 - Atualizada em: 21/10/2019 - 16h15

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Por Folhapress
Deputado federal é ligado ao presidente nacional do PSL, Luciano Bivar, que escancarou crise com apoiadores de Bolsonaro
Deputado federal é ligado ao presidente nacional do PSL, Luciano Bivar, que escancarou crise com apoiadores de Bolsonaro
(Foto: )

*Talita Fernandes

Em nova reviravolta dentro do PSL, o deputado federal Delegado Waldir (GO) decidiu entregar o cargo de líder do partido na Câmara. A desistência do deputado de ocupar o posto foi anunciada por meio de um vídeo gravado por ele na manhã desta segunda-feira (21) e divulgado por sua assessoria de imprensa. O posto passará a ser ocupado pelo deputado Eduardo Bolsonaro (SP), filho do presidente da República.

Nos últimos dias, ele travou uma disputa, incluindo troca de acusações, com a ala do PSL ligada ao presidente Jair Bolsonaro. O deputado Delegado Waldir é ligado ao grupo do presidente do partido, Luciano Bivar (PE).

O líder do governo na Casa, Major Vitor Hugo (PSL-GO), protocolou pela manhã à Secretaria-Geral da Mesa Diretora uma lista com 29 assinaturas para destituir Waldir da liderança do PSL na Câmara e substitui-lo pelo deputado Eduardo Bolsonaro, o que levou Waldir a se antecipar e anunciar a sua saída.

A nova ofensiva do governo pela liderança do partido na Câmara ocorre após a guerra travada pelas duas alas na semana passada. A ala bolsonarista tentou destituir Waldir da liderança do PSL na Casa, sem sucesso.

Em retaliação, o presidente Bolsonaro retirou a deputada Joice Hasselmann (SP) da liderança do governo no Congresso. Ela deve ser substituída pelo senador Eduardo Gomes (MDB-TO), que é vice-líder.

Bivar decidiu ainda destituir Eduardo e o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho mais velho do presidente, dos comandos da legenda em São Paulo e no Rio de Janeiro, respectivamente. Outra aliada de Bolsonaro, a deputada Bia Kicis (PSL-DF) também foi removida da presidência do PSL do Distrito Federal.

Em meio a isso tudo, foram divulgados dois áudios que acirraram os ânimos nas duas alas. O presidente foi gravado falando com um interlocutor sobre a lista para retirar Waldir da liderança do PSL. Em outro, o próprio Waldir chamou Bolsonaro de vagabundo e disse que ia implodir o presidente.

O áudio, de duração de nove minutos, traz uma série de reclamações dos deputados sobre a interferência do presidente na liderança do partido. Houve ainda denúncias de compra de apoio de parlamentares por Bolsonaro. Segundo Waldir, o presidente teria oferecido cargos e controle partidário a quem votasse em Eduardo para líder do PSL na Câmara.

A atual crise no partido tem como origem o esquema de candidaturas laranjas do PSL, caso revelado pela Folha em uma série de publicações desde o início do ano. O episódio é um dos elementos de desgaste entre o grupo de Bivar e o de Bolsonaro, que ameaça deixar o partido.

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