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    Designers de Itajaí criam movelaria de luxo com inspiração náutica

    Lorena Kreuger e José Serafim Junior trouxeram a influência do interior dos barcos para a criação dos móveis

    13/02/2016 - 04h35

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    Por Redação NSC
    Amigos da faculdade, eles aliaram o conhecimento da marcenaria naval com o desenvolvimento de uma técnica particular
    Amigos da faculdade, eles aliaram o conhecimento da marcenaria naval com o desenvolvimento de uma técnica particular
    (Foto: )

    Design aliado à sofisticação descomplicada. Essa frase é a que melhor define o conceito que Lorena Kreuger, 31 anos, e José Serafim Junior, 32, imprimem em suas criações na Movelaria Boá, de Itajaí, especializada em móveis residenciais feitos em madeira com inspiração nas embarcações do estaleiro Kalmar, de propriedade da família de Lorena.

    Tudo começou na faculdade. Lorena e José estudaram juntos no curso de Design, na Udesc, e amadureceram seus projetos depois que ela assumiu o estaleiro da família, em 2008, após a morte do pai dela, Lars Krueger.

    Lars, que se formou em engenharia, em Florianópolis, se especializou na técnica de marcenaria naval nos Estados Unidos. Ao retornar ao Brasil, em 1982, ao lado do pai Erik, fundou o estaleiro especializado em fabricação de embarcações, móveis náuticos, recuperação, restauração e serviços de manutenção.

    Móveis do Oeste de SC são exportados para o mundo após reposicionamento

    Atividades estas que serviram de inspiração para as criações futuras da filha. Velejadora e apaixonada pelo mar, Lorena, que cresceu no estaleiro, assumiu os negócios dando continuidade ao seu trabalho conceituado nacionalmente.

    Os primeiros protótipos dos móveis de Lorena e José, ou Zé, como é chamado, foram criados em 2012 e, assim, nasceu a Movelaria Boá. O nome vem da paixão pela madeira, já que boá é a fonética de bois, que significa madeira, em francês. Eles queriam levar a movelaria naval para dentro das casas, com design e ergonomia, sem perder a identidade náutica. Lorena conhecia a técnica, que é algo muito particular e sabia não haver concorrentes.

    Para Zé a história foi diferente. Ele era sócio de uma empresa em Florianópolis de design geral, como eletrônicos. Era novo no ramo de móveis, mas apaixonado pelo setor. Para ele, o desafio de trabalhar com movelaria é a parte boa do trabalho:

    – Nós criamos em cima da técnica da marcenaria naval, que já não é algo muito convencional. Adaptamos o que a gente poderia fazer de móveis com isso e surgiram várias peças diferentes – conta Zé.

    As primeiras peças foram lançadas em uma feira de Itajaí, e a resposta do público foi imediata. O acabamento e o desenho foram muito elogiados. O próximo passo foi fazer contato com lojas interessadas em vender os produtos. Mas logo viram que seria difícil fabricar para pontos de venda específicos, sabendo que em muitos casos o produto custaria até três vezes mais. Em seguida, começaram a pensar em algumas possibilidades. A solução foi desenvolver projetos especiais para arquitetos, adequando melhor seu produto.

    – Quando a gente fala sobre móveis de embarcação, temos que lembrar que o barco é uma coisa só. Fabricar o barco é também fazer todo o seu interior. No caso da Boá, nossa intenção é trazer a técnica que a gente usa em barcos para dentro de casa. Buscamos gerar peças que esteticamente têm uma conexão visual que lembrem embarcações. São técnicas bem desconhecidas da marcenaria em geral, principalmente da marcenaria residencial – conta Lorena.

    Os móveis da Boá são produzidos pelos mesmos artesãos que produzem as embarcações no Kalmar. Um projeto náutico leva em média de quatro a cinco meses para ser finalizado. Como todo negócio, tem as chamadas épocas de ¿vaca gorda¿ e alguns meses sem nada na sequência. Por isso, Lorena pensou que poderia conciliar a movelaria com o trabalho do estaleiro. A sua parte é administrativa, com foco no rendimento e no faturamento da empresa. Zé cuida do design e tem uma grande preocupação com acabamento.

    Funcionários da empresa entre a produção dos barcos e a dos móveis
    Funcionários da empresa entre a produção dos barcos e a dos móveis
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    Atualmente a Movelaria Boá desenvolve diversos projetos terceirizados. Como trabalham com técnicas navais, conseguem desenvolver móveis que não saíam do papel até chegarem às mãos deles. Peças premiadas, como a mesa K2 (abaixo) e o Banco Osso (acima), desenvolvidos para os arquitetos Rafic Farah e Otávio Coelho são vendidas na loja Dpot, em São Paulo. A luminária Canoa também é um best-seller da Boá, além da mesa Bowl, desenvolvida para o escritório paulista Bernardes Arquitetura no final de 2015.

    A ergonomia da linha de móveis da marca tem os mais altos padrões de exigência. Zé fez mestrado em ergonomia e controla o conforto das peças de perto.

    Como tornar uma poltrona de madeira convidativa? Segundo Lorena, os clientes se surpreendem com o conforto que a Boá consegue imprimir na madeira. Para isso acontecer, os sócios interferem em muitos projetos de arquitetos que chegam à empresa para se adequarem aos padrões de fabricação. Zé e Lorena alertam, falam dos pontos de fixação e como deixar a peça o mais perfeita possível.

    – Em 2015, a Boá fechou o ano com uma média de 50 peças entregues. Oscilamos na produção mensal, alguns meses nós temos entregas grandes e outros fabricamos só três peças. Os projetos são muito diferentes, às vezes são menos peças, mas com preços altos – conclui Lorena.

    Lorena e José Serafim Junior no estaleiro onde também está instalada a Boá Movelaria, em Itajaí
    Lorena e José Serafim Junior no estaleiro onde também está instalada a Boá Movelaria, em Itajaí
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    Durante três anos, um trabalho estratégico de marketing foi feito no Kalmar e na Movelaria Boá para organizar as duas empresas. Desde então, planejamento estratégico e planos de negócios fazem parte da rotina diária da empresa. De acordo com Lorena, a atual crise econômica não teve grande impacto sobre os negócios. Mas não quer arriscar: com 17 colaboradores na fábrica e a produção em constante crescimento, ela mantém os pés no chão:

    – Estamos em um momento de repensar a empresa para reduzir custos. Como trabalhamos por projetos, às vezes a crise não chega. Mas é sempre meio tenso e estamos aproveitando essa fase para dar uma repensada. Somos pequenos, mas a produção da Boá está crescendo – diz Lorena.

    Recentemente, Lorena e Zé transformaram o espaço anexo ao estaleiro em uma oficina. Foram oferecidos no local quatro cursos de marcenaria de teste. A ideia deu tão certo que as inscrições acabaram rapidamente. A intenção é ministrar cursos para quem procura a marcenaria como hobby, com temas específicos, como skate, prancha de stand up paddle, luminárias e a famosa poltrona Krat, do arquiteto holandês Geritt Rietveld. A divulgação é feita na loja virtual da Boá, pelas redes sociais do estaleiro Kalmar, além da lista de e-mails das duas empresas. Em 2016 serão novos temas com maior abrangência.

    A mesa K2, a poltrona Costado e o banco Osso estão entre os móveis produzidos pela movelaria catarinense
    A mesa K2, a poltrona Costado e o banco Osso estão entre os móveis produzidos pela movelaria catarinense
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