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Saúde

Dia Mundial do Cérebro: enxaqueca atinge 31 milhões de brasileiros 

Em Florianópolis, um estudo realizado pela UFSC, entrevistou 625 pessoas e apontou que 94,6% já teve algum quadro de crise ao longo da vida

22/07/2019 - 11h17 - Atualizada em: 22/07/2019 - 14h20

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Por Camila Levien
(Foto: )

Você provavelmente já sentiu uma dor de cabeça e em seguida tomou um análgesico. Problema resolvido? Não para os 31 milhões de brasileiros que convivem com enxaqueca crônica, a maioria entre os 25 e 45 anos. A estimativa é da Organização Mundial da Saúde (OMS) que considera a enxaqueca a sexta doença mais incapacitante do mundo. Os números expressivos são o motivo pelo qual a Academia Brasileira de Neurologia (ABN), escolheu hoje 22 de julho, o Dia Mundial do Cérebro para conscientizar sobre a data com o tema “A Verdade Dolorosa”.

O sofrimento causado pela enxaqueca é conhecido por Beatriz Formanski desde a infância. A estudante de 20 anos tem uma das formas mais incapacitantes das doença, sofrendo efeitos na sua visão, tato e fala. Ela conta que já chegou a faltar cinco dias no trabalho por ter crises consecutivas.

— Eu penso, mas não consigo falar. Já aconteceu de eu tentar pedir ajuda por mensagem, com a seguinte pergunta: Você sabe algum remédio bom para a dor?. E eu escrevi: Dor de dor de dor. Eu me sinto aérea é como se eu não tivesse controle do que eu estou fazendo. É muito traumatizante. — conta Beatriz

De acordo com dados do Ministério da Saúde o índice de ocorrência no sexo feminino é de 25%, mais que o dobro da manifestação em homens. No entanto, depois dos 50 anos, a taxa costuma diminuir, especialmente nas mulheres. O neurologista Luciano Nogueira, comenta que é comum que isso ocorra em idade fértil e cesse com o início da menopausa.

— Nós neurologistas, no geral costumamos ter 50% dos pacientes com este problema. Isso por nós somos especialistas e concentramos essas reclamações. Porém, os clínicos gerais também recebem muita demanda. Estimamos que 8% a 10% dos que procuram atendimento médico é devido a dores de cabeça — comenta Nogueira

Em Florianópolis, o último estudo realizado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) foi lançado em 2001, e corrobora a vivência do neurologista. A pesquisa entrevistou 625 pessoas e apontou que 94,6% já teve algum quadro de crise ao longo da vida. Entretanto, o médico explica que apesar de ser comum, a enxaqueca tem características específicas: ocorre mais de um lado da cabeça, a dor normalmente é pulsante ou latejante e costuma durar entre 4 e 72 horas.

Além disso também é comum que os pacientes tenham sensibilidade à luz, a cheiros e ao barulho e possuam sintomas visuais, como pontos luminosos, escuros e linhas em ziguezague que antecedem ou acompanham as crises de dor e náuseas/vômitos.

— É muito importante que a enxaqueca seja diagnosticada e tratada. O quadro pode levar alterações vasculares, muitas vezes desenvolvendo até quadros de ansiedade e depressão associados, em casos de dor for muito frequente — diz Luciano

O médico ressalta ainda que pessoas com enxaqueca que fumam ou no caso da mulher que toma hormônios anticoncepcionais deve-se ter atenção redobrada, pois isso pode ampliar o risco de problemas vasculares, como eventuais tromboses e até (AVC).

— Quando estiver com crises a recomendação é que a pessoa busque um local em possa se deitar e relaxar, de preferência com pouca luminosidade, fazendo a aplicação compressas de gelo na cabeça— recomenda o neurologista

O diagnóstico é normalmente feito através de entrevista clínica, na maioria dos casos não são necessários exames de imagem. O tratamento para a enxaqueca ainda é recente e não há cura. O médico relata que por muitos anos se usava medicamentos de outras doenças para o tratamento, como é o caso de remédios para epilepsia, hipertensão e depressão em doses diferenciadas.

— Foi lançado neste ano no Brasil a primeira droga com objetivo exclusivo de evitar crises de enxaqueca. Os resultado tem sido positivos reduzindo pela metade as crises dos pacientes. Entretanto, chegou ao nosso país pelo preço R$ 1.800,00. Por isso, ainda teremos um longo caminho a percorrer até que essa seja uma realidade viável para uma grande parcela da população — comenta o médico

Hábitos nocivos

A Sociedade Brasileira de Cefaleia pontua que além da questão genética existe uma série de fatores que podem levar a enxaqueca, a maioria deles relacionados ao estilo de vida, como preocupações excessivas, ansiedade, tensão, estresse. Veja quais são eles:

Ficar sem comer. O jejum pode gerar uma queda na taxa de açúcar do sangue e provocar a produção de substâncias que causam dor;

Dormir mal. Demorar para pegar no sono, acordar no meio da noite, roncar e ter sonolência de dia, ir dormir e acordar muito tarde são todos possíveis desencadeantes de dor de cabeça;

Excesso de cafeína. Tomar muito café, bebidas cafeinadas (coca-cola, chás pretos), chocolates, e até mesmo analgésicos que contenham cafeína são provocadores de enxaqueca;

Falta de exercícios físicos. Realizar exercícios faz com que o organismo produza endorfinas, regulariza a produção de neurotransmissores como a serotonina, melatonina, tornando o organismo mais saudável e mais resistente à dor;

Uso excessivo de analgésicos. Eles não tratam a enxaqueca, só aliviam a intensidade e a duração das crises, o uso contínuo pode transformar a condição em crônica, deixando-a mais resistente e mais frequente;

No caso das mulheres o ciclo hormonal é um fator predominante. A temida TPM (tensão pré-menstrual) carrega consigo crises de cefaleia. As enxaquecas na mulher tendem a ser mais concentradas no período menstrual ou pré-menstrual. Irregularidades menstruais, endometriose, ovários policísticos e reposição hormonal, podem ser fatores que agravam as enxaquecas;

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