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    Dirceu e Palocci: as escolhas distintas dos homens fortes de Lula

    Ex-ministros de governos petistas, ambos foram condenados na Lava-Jato, mas trilharam caminhos opostos na relação com o PT e o ex-presidente

    18/05/2018 - 04h08

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    Por Redação NSC
    Dirceu e Palocci foram fiadores políticos e econômicos da chegada do PT ao poder, em 2002, com a eleição de Lula
    Dirceu e Palocci foram fiadores políticos e econômicos da chegada do PT ao poder, em 2002, com a eleição de Lula
    (Foto: )

    Fiadores políticos e econômicos da chegada do PT ao poder, em 2002, José Dirceu e Antonio Palocci se tornaram os homens fortes no primeiro governo Lula, com forte atuação para atenuar a desconfiança do Congresso e do mercado. Mas a fortaleza representada pela dupla começou a ruir ainda durante a pujança petista.

    O mensalão foi o primeiro golpe, arrematado pela Lava-Jato. Fora do núcleo de poder e investigados por corrupção, a dupla assumiu posturas diferentes. Enquanto um segue defendendo o partido, o outro implodiu as pontes com o passado e tenta fechar delação premiada.

    O PT ocupou a Presidência do país por 13 anos. Dirceu permaneceu no Palácio do Planalto, como ministro-chefe da Casa Civil, por apenas três. No período, trabalhou na interlocução do Executivo com deputados e senadores em busca da aprovação de projetos e na garantia da governabilidade.

    Ainda em 2005, a denúncia de compra de votos de parlamentares da base aliada para apoio nas propostas do governo precipitou sua saída e levou à cassação do mandato de deputado federal. Foi condenado no mensalão e, posteriormente, na Lava-Jato, com pena de mais 30 anos por envolvimento no esquema de corrupção da Petrobras, e agora voltará à prisão. Nunca dedurou correligionários na prática de crimes.

    — Dirceu foi forjado na batalha. É mais preparado para resistir. É coerente com a história dele — relata um petista com larga atuação no partido.

    Antonio Palocci, nomeado para o Ministério da Fazenda, foi o responsável por pavimentar o caminho entre o governo e o mercado financeiro. Depois de sair incólume do processo do mensalão, foi atingido por suspeitas de corrupção. O golpe mais forte, até então, apontava para a quebra de sigilo bancário de um caseiro que afirmou tê-lo visto em diversas ocasiões em reuniões com lobistas. O caso o fez deixar o governo em 2006. Retornaria aos holofotes políticos em 2011, como ministro-chefe da Casa Civil do governo de Dilma Rousseff. Deixou o cargo cinco meses depois sob denúncias de enriquecimento ilícito.

    Palocci virou alvo da Operação Lava-Jato. Identificado como Italiano nas planilhas de propinas da Odebrecht, foi citado por diversos empresários acusados de corrupção. Também foi alvo dos depoimentos dos ex-marqueteiros do PT João Santana e Mônica Moura. Está preso preventivamente desde 2016 e responde a duas ações penais por corrupção na Petrobras. Tenta fechar acordo de delação premiada.

    — Palocci está mais perto de agente do mercado financeiro do que de dirigente político. Hoje ele é um operador de si mesmo — opina o cientista político e professor da Unisinos Bruno Lima Rocha.

    O temor de políticos e de agentes econômicos com uma possível delação premiada de Palocci, que pediu desfiliação do PT, é proporcional ao poder exercido por ele nos governos do partido e nas campanhas eleitorais que levaram a sigla a quatro mandatos.

    Lula é um dos principais alvos do ex-ministro. Entre os fatos relatados, está a existência de um "pacto de sangue" entre o ex-presidente e o empresário Emílio Odebrecht. Em depoimento ao juiz Sergio Moro, em setembro do ano passado, Palocci se colocou à disposição para apresentar documentos e ampliar os relatos.

    Colega de Dirceu e Palocci na equipe ministerial do primeiro mandato de Lula, Olívio Dutra afirma que a dupla comandava o governo com decisões duras e, em alguns momentos, que "não contribuíam muito para o partido". O ex-governador gaúcho lembra que sua saída do Ministério das Cidades ocorreu para abrir espaço ao crescimento da base aliada. À época, o PP assumiu a pasta.

    — Dirceu e Palocci assumiram poderes e estavam exercendo a política na linha tradicional, de forma pragmática, em busca da governabilidade — diz.

    Analista político e professor da Universidade Católica de Brasília, Creomar de Souza lembra que Dirceu e Palocci integravam o núcleo que orbitava Lula na tomada de decisões, composto ainda pelo ex-presidente do PT José Genoíno, também condenado no mensalão, e o ex-deputado Luiz Gushiken, morto em 2013. A queda desses nomes teria levado ao ocaso do PT, que teve o impeachment de Dilma Rousseff como ponto máximo.

    — O grupo foi responsável pela guinada pragmática do PT. Teve a Carta aos Brasileiros, o Lulinha paz e amor. Sem eles, o partido sentiu — opina Souza.

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