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Do mar ao gramado: Marcílio Dias completa 100 anos  

Com uma torcida apaixonada o campeão do estadual de 1963 comemora o centenário neste domingo

17/03/2019 - 12h03 - Atualizada em: 17/03/2019 - 17h23

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Adriano
Por Adriano Lins
Torcedor símbolo, Vilmar Herondino Rosa com a coleção de adereços do Marinheiro
Torcedor símbolo, Vilmar Herondino Rosa com a coleção de adereços do Marinheiro
(Foto: )

“Salve o Marcílio, o rubro-anil das avenidas. Traz na torcida, a mais garrida do Brasil”. O trecho do hino composto em 1994 pelo músico Arildo Simão da Silva representa uma paixão centenária que começou com o desejo de três jovens amigos entusiastas do esporte em ter na cidade de Itajaí um clube de remo.

Em uma reunião na noite do dia 17 de março de 1919, na Sociedade Guarany, Gabriel Collares, Victor Emmanoel Miranda e Alyrio Gandra foram os responsáveis pelo nascimento do que se tornaria um das mais tradicionais instituições esportivas de Santa Catarina, o Clube Náutico Marcílio Dias.

O clube recebeu o nome do bravo marinheiro morto aos 27 anos, na Guerra do Paraguai. O Marcílio Dias foi o quarto clube náutico fundado em Santa Catarina. Dois dos antecessores da capital Florianópolis foram homenageados por meio das cores, com a incorporação da cor azul do Riachuelo e o vermelho do Martinelli. Assim nascia o rubro-anil, que leva no escudo remos e âncoras, em alusão ao mar.

O nome de fundação já deixa claro, clube náutico. O remo foi o carro-chefe no início das atividades do Marcílio Dias, mas seguindo uma tendência nacional, o futebol tomou uma projeção inimaginável nas primeiras décadas do século 20.

Desde as primeiras reuniões da diretoria o futebol já estava em pauta para ser uma das atividades desenvolvidas no clube. Segundo o jornalista e diretor de memória e cultura do Marcílio Dias, Fernando Alécio, o pontapé inicial do esporte no clube náutico veio com a incorporação do Itajayense Foot Ball Club, uma das mais antigas equipes de futebol que se tem registro em Santa Catarina.

A história de títulos no clube começou com o remo, com a conquista do Campeonato Catarinense em 1925. No tênis, os atletas do Marinheiro, como carinhosamente é chamado, levaram para a galeria de troféus os títulos do catarinense da modalidade em 1945 e 1947.

Com o fim do remo no clube, o futebol se popularizou e ganhou a notoriedade. Na década de 1960, Marcílio Dias e Metropol, de Criciúma, rivalizavam como as grandes forças do esporte em Santa Catarina, aponta Fernando Alécio. O time de Itajaí bateu na trave em 1960, 1961 e 1962. Em 1963, com um time estrelado o Marcílio reescreveu a história, conquistando o torneio Luiza de Mello, organizado pela Federação Catarinense de Futebol.

Achiles Pagnoncelli, hoje com 78 anos, foi o artilheiro da equipe naquele torneio e conta que as pessoas comentavam que o Santos tinha Pelé e cia e o Marcílio tinha Achiles, Ratinho, Odilon, Idésio e Jorginho, um esquadrão que botava medo aos adversários, principalmente no grande rival.

– O pessoal do Barroso tinha medo de mim, sempre fazia gol neles – diz com um sorriso no rosto o artilheiro.

Gelson, o filho ilustre

Nascido em Itajaí e formado na base do clube, Gelson Silva é o atleta mais vitorioso da história recente do Marcílio Dias. Subiu ao profissional em 1988 e as boas atuações como meia armador o credenciaram para ser contratado pelo Criciúma em 1989.

Na equipe do Sul do Estado, o itajaiense mudou o estilo de jogo e começou a atuar como volante. No Criciúma veio o primeiro título sobre a batuta do técnico Luiz Felipe Scolari, ainda em início de carreira.

– Ganhamos dois estaduais e depois o grande título, que foi a Copa do Brasil em 1991 – conta Gelson.

Depois do Criciúma, Gelson jogou pelo Grêmio, quando teve a oportunidade de disputar o Torneio Interclubes, contra o Ajax, da Holanda. O atleta nunca deixou de lado a ligação com o Marcílio Dias, voltando mais duas vezes ao clube como jogador até a encerrar a carreira em 2001.

– Após pendurar as chuteiras voltei ao clube como treinador e ganhei o título da Série B do Catarinense – diz.

Atualmente, Gelson trabalha como coordenador técnico de futebol no Marinheiro e espera que a boa campanha neste ano do centenário renda bons frutos.

– Itajaí merece, cresceu muito e o Marcílio Dias é um expoente disso tudo. O time precisa resgatar essa paixão pelo clube da cidade. As crianças necessitam de ídolos e estão carentes disso – pontua.

Curiosidade: Na decisão do Interclubes de 1995, contra o Ajax, Gelson foi selecionado por Felipão para cobrar um pênalti na decisão por penalidades, diante do gigante Edwin Van der Sar. Gelson marcou para o Grêmio, mas não evitou o título da equipe holandesa.

Nascido em Itajaí e formado na base do clube, Gelson Silva é o atleta mais vitorioso da história recente do Marcílio Dias
Nascido em Itajaí e formado na base do clube, Gelson Silva é o atleta mais vitorioso da história recente do Marcílio Dias
(Foto: )

Torcer é vencer na derrota

Aos 12 anos ele era levado ao estádio pelo pai, uma rotina de fim de semana que era entendida como diversão, mas que com o passar dos anos despertou uma paixão sem igual. Por onde passa nas ruas de Itajaí, Vilmar Herondino Rosa vira atração, sempre com camisa do time, um quadro com a imagem do marinheiro Marcílio Dias e uma dezena de bandeiras, que demonstram o amor pelo clube da sua cidade.

– Sou de Itajaí e tenho orgulho do meu time. Na vitória ou na derrota sempre estarei apoiando. Por onde passo vou mostrando e falando do clube, pois é preciso reviver a história pra não deixar morrer essa linda trajetória – diz o torcedor, com brilho nos olhos.

Rosa tem 53 anos e é um dos torcedores símbolos do Marinheiro. Ele conta que vai para o estádio algumas horas antes e fica ostentando as bandeiras nas imediações do Gigante das Avenidas.

– Pessoal até acha que estou vendendo bandeira. Já ofereceram dinheiro pra comprar, mas não vendo, não. Minha irmã faz elas pra mim, e tenho muito apreço pelas bandeiras – conta.

No estádio, Vilmar é um torcedor passional. Canta, grita, xinga e não para um minuto. Ele diz que fica no alambrado com as bandeiras correndo de um lado para o outro.

– Com isso estou divulgando o meu clube de coração, pois as pessoas precisam conhecer o Marcílio e ir ao estádio torcer. Sou sócio, mas nem sei onde fica minha cadeira. Prefiro agitar a beira do gramado – completa Rosa, que trabalha no Porto de Itajaí, como assistente de logística.

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