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    Encontros errantes

    Documentário "Errante", de Gustavo Spolidoro, acompanha personagens encontrados ao acaso pelas ruas

    Filme estreia nesta quinta-feira na Sala P.F. Gastal da Usina do Gasômetro

    01/09/2016 - 02h02 - Atualizada em: 21/06/2019 - 22h39

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    Por Redação NSC
    Longa foi filmado durante um feriadão de Carnaval
    Longa foi filmado durante um feriadão de Carnaval
    (Foto: )

    Errante, o mais recente longa-metragem de Gustavo Spolidoro, é "um filme de encontros", como indica o complemento ao título. É também "um filme de um homem só", que o cineasta rodou sozinho durante o Carnaval de 2011, guiado pelo acaso – e por um sonho, como explica na sequência de abertura, na qual

    o espectador o vê acordar, escovar os dentes e relatar:

    – O plano era levantar e filmar o que sonhei. A viagem é que acordei às 7h sem ter sonhado nada. Mas aí me veio a imagem da Lancheria do Parque à cabeça.

    A partir do tradicional ponto de encontro do bairro Bom Fim, em Porto Alegre,

    a câmera segue diversos personagens com os quais o diretor esbarra nas ruas.

    O longa surgiu de um projeto de mestrado inspirado em Os catadores e eu (2000), de Agnès Varda, entre outros títulos realizados por artistas solitários. Spolidoro escreveu e defendeu a dissertação e depois foi rodar o filme, que a partir desta quinta-feira pode ser visto pelo público na programação diária da Sala P.F. Gastal da Usina do Gasômetro – a sessão das 19h desta quinta é gratuita e será seguida de debate com o diretor, que também ministrará o curso Cinema de uma Pessoa Só, a partir de terça, na Cinemateca Capitólio (inscrições devem ser feitas até esta sexta-feira pelo e-mail cinema1pessoa@gmail.com).

    – A sequência de fatos da narrativa acaba representando a minha percepção

    da vida, que se constitui de forma fragmentada e associativa – assinala o cineasta. – Ou seja, se eu não tivesse que parar para dormir, provavelmente estaria até hoje filmando, já que uma coisa sempre se liga à outra.

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    Há uma linha evolutiva, por assim dizer, na pesquisa de linguagem de Spolidoro, que antes assinara o drama em plano-sequência Ainda orangotangos (2007), depois deu um segundo passo em direção ao realismo com o documentário Morro do céu (2009) até desembocar neste terceiro longa, construído a partir da busca pela espontaneidade no encontro entre documentarista e documentado.

    Ele realmente fez tudo sozinho, no set e depois das filmagens – até a distribuição, o que ajuda a explicar o fato de Errante estar estreando em uma única sala. Podia ser mais. Documentários que dependem da empatia de seus personagens para conquistar o espectador costumam ser irregulares, o que o diretor dribla com uma dinâmica estimulante – dispõe-se a viajar ao Interior para acompanhar um casal, além de despender pouco tempo com as histórias menos interessantes com as quais naturalmente cruza.

    Já a explicação para que, mesmo sem produção e investigações prévias,

    tenha encontrado bons personagens Spolidoro encontra em uma frase que

    faz referência ao pensamento de Agnès Varda e também do veterano documentarista Frederick Wiseman:

    – O acaso foi o meu melhor assistente.

    ERRANTE – UM FILME DE ENCONTROS

    De Gustavo Spolidoro.

    Documentário, Brasil, 2014, 70 minutos.

    Em cartaz na Sala P.F. Gastal da Usina do Gasômetro.

    Sessão comentada com o diretor, nesta quinta, às 19h (entrada gratuita).

    Cotação: 3 estrelas (de 5).

    Além de Errante, outros dois filmes produzidos no Rio Grande do Sul entram em cartaz nos cinemas nas próximas duas semanas. Confira:

    Nós duas descendo a escada

    O filme de Fabiano de Souza (do longa A última estrada da praia e de curtas como Cinco naipes) narra nove meses da relação de duas mulheres. A trama lembra a de Azul é a cor mais quente (2013): trata-se do envolvimento de uma jovem insegura (Miriã Possani) com uma mulher um tantinho mais experiente (Carina Dias). Estreia em Porto Alegre, Rio e São Paulo no dia 8 de setembro.

    Os senhores da guerra

    Baseado na obra de José Antônio Severo, este épico do diretor e escritor Tabajara Ruas (de Neto perde a sua alma) acompanha a vida de dois irmãos,

    um chimango e outro maragato, divididos na chamada Revolução de 1923. Inicialmente composto por duas partes, o filme estrelado por Rafael Cardoso

    e André Arteche ganhou esta versão condensada única que já foi exibida em Porto Alegre. No dia 15, estreará em 14 capitais.

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