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Editorial: Radiografia da ineficiência

Para o Banco Mundial, o Brasil tem muito a avançar na eficiência da administração do dinheiro público

22/11/2017 - 03h30

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Por Redação NSC

O relatório de diagnóstico detalhado sobre os gastos públicos no Brasil, apresentado ontem pelo Banco Mundial, revela que o país tem muito de avançar em direção a um modelo sustentável e justo. Segundo a principal instituição financeira internacional, que concede empréstimos para países em desenvolvimento, as três esferas governamentais não só gastam mais do que podem como também descumprem objetivos e são ineficientes do ponto de vista de gestão de recursos.

O Banco Mundial vai além. Fala claramente que União, Estados e municípios adotam políticas que beneficiam os ricos em detrimento dos pobres. Encomendado pelo ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy, o relatório em si só confirma a percepção negativa que os brasileiros têm sobre a administração do dinheiro público.

Num momento em que todos os governos falam em ajustar as contas sob pena de quebrarem em breve – inclusive com algumas prefeituras, como as de Itajaí, Penha e Jaguaruna, tendo decretado emergência administrativa com a crise econômica -, o estudo revela que uma simples mudança de métodos de melhorias nos sistemas de licitação e compras seria suficiente para o país economizar R$ 35 bilhões em três anos. Com outras medidas, como maior eficácia da máquina pública, atendimento focado às camadas mais pobres da população e fim de privilégios, essa melhoria poderia render até R$ 500 bilhões por ano.

Entre apontamentos de oito áreas do estudo que inclui educação, saúde e políticas para empresas, dois pontos são altamente desconfortáveis no relatório do Banco Mundial: a diferença salarial entre os servidores públicos federais e a iniciativa privada, em média 67% a mais que o mercado paga para mesmas funções, e a discrepância na Previdência, com o alto subsídio para os servidores federais, estaduais e municipais.

Como confirma o estudo, o Brasil precisa urgentemente de reformas profundas em questões previdenciárias e fiscais. Esta mudança exige que nossos políticos estejam comprometidos com a modernização do país, mesmo que isto represente alguma perda de popularidade e de votos.

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