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Entrevista

Eduardo Leite nega campanha para Bolsonaro e critica governo

Governador do RS e pré-candidato às eleições de 2022 disse que presidente "não está sabendo dar respostas ao país"

25/08/2021 - 10h15 - Atualizada em: 25/08/2021 - 10h48

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Jean
Por Jean Laurindo
Eduardo Leite é governador do RS e pré-candidato à presidência pelo PSDB
Eduardo Leite é governador do RS e pré-candidato à presidência pelo PSDB
(Foto: )

O governador do Rio Grande do Sul e pré-candidato à presidência da República em 2022, Eduardo Leite, criticou o governo de Jair Bolsonaro e disse que, apesar de ter declarado voto no atual presidente no segundo turno das eleições em 2018, não fez campanha nem pediu votos para o então candidato do PSL porque ele não representava o que ele pensa “para o mundo, para a política e para a sociedade”.

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A escolha de voto em Bolsonaro, que até hoje rende críticas ao governador gaúcho, ocorreu segundo ele porque do outro lado do segundo turno estava o projeto do PT, "que economicamente tinha quebrado o Brasil”.

– Infelizmente Bolsonaro também não está sabendo dar essas respostas ao país. A inflação cresceu mais no Brasil que em qualquer lugar do mundo, tirando poder de compra da população mais pobre, para colocar comida na mesa. Desemprego em alta. E não adianta culpar a crise mundial porque nos outros países a inflação não subiu tanto quanto no Brasil – avaliou.

Eduardo Leite deu entrevista na manhã desta quarta-feira (25) à CBN Diário e ao Diário Catarinense, da NSC Comunicação. Ele foi o quarto entrevistado da série de pré-candidatos à presidência em 2022. João Doria (PSDB), que disputa com Leite a preferência do partido para a disputa, Lula (PT) e Luiz Henrique Mandetta (DEM) foram os outros três entrevistados.

Assista à entrevista na íntegra

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"Qual agenda o presidente leva adiante?"

O governador gaúcho criticou o governo Bolsonaro, a aproximação dele com o Centrão no Congresso, o desmonte da Lava-Jato e disse que o presidente “não atendeu às expectativas da população”.

– Prometia ser diferente de tudo que se tinha visto até então, e não é isso que está acontecendo. A gente está vendo as negociações, entregando o governo completamente ao chamado Centrão sem um projeto de governo, só com um projeto de poder. A negociação política é legítima, mas em torno de quê? Qual a agenda que o presidente leva adiante? – questionou.

O governador afirmou que a desvalorização do real é “fruto dessa política de tensionamento e de acirramento dos ânimos” e que democracia também significa que os eleitos devem conviver com a contestação.

- A contestação pode vir no Parlamento, no Judiciário, na imprensa, que deve ser livre, pela população em manifestações. O presidente ataca todos esses espaços. Ataca a imprensa, ataca o Parlamento, o Judiciário, e diante da perspectiva de ser contestado pela própria população nas urnas, ele ataca as urnas - criticou.

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Críticas a Lula e ao PT

Apesar do tom contrário ao governo Bolsonaro, Eduardo Leite marcou posição no disputado campo da terceira via das eleições de 2012 e não economizou nas críticas ao PT e ao ex-presidente Lula. O governador lembrou que o petista disputou todas as eleições de 1989 a 2010, e protagonizou as eleições de Dilma Rousseff em 2010 e 2014.

– Se não deixa surgir de novo nem no seu partido, o que de novo podem oferecer para o Brasil?

Ele por diversas vezes falou que o projeto econômico do PT “quebrou o Brasil” e disse que uma volta do partido ao poder teria sido danosa ao país.

– Além de ter escândalos gravíssimos de corrupção comprovados na Justiça, (a candidatura do PT em 2018) era um projeto que economicamente tinha quebrado o Brasil. Tinha levado a 14 milhões de desempregados, à mais profunda recessão econômica de nossa história. Por um período, até gerou diminuição da pobreza e uma sensação positiva na população, mas aquela sensação positiva, aqueles ganhos econômicos foram viabilizados causando um enorme buraco no qual o país foi lançado, que foi a recessão de 2015, 2016 – analisou.

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Gestão da crise financeira no Rio Grande do Sul

O governador gaúcho comentou sobre a situação financeira crítica do Rio Grande do Sul quando assumiu o governo, inclusive com atraso de pagamentos para servidores. Ele citou ações como a reforma da previdência estadual, a reforma de carreiras como professores e policiais e um programa de privatizações. O governador também citou ter havido uma redução de R$ 700 milhões na folha de pagamento do Estado entre 2019 e 2020.

– São as nossas ações no RS que estão reorganizando o Estado e abrindo espaço para investir – afirmou.

Quem é Eduardo Leite

Eduardo Leite tem 36 anos, é bacherel em Direito e fez mestrado em Gestão e Políticas Públicas. O governador do Rio Grande do Sul começou a carreira política trabalhando com os prefeitos de Pelotas, Bernardo de Souza (PMDB) e Fetter Júnior (PP). Em 2008, foi vereador do município e, em 2012, com 27 anos, foi eleito prefeito.

Em 2018, Leite derrotou Ivo Sartori nas eleições para governador do Rio Grande do Sul e assumiu o Executivo do estado gaúcho com 33 anos. Durante o segundo turno, o tucano declarou voto a Jair Bolsonaro, mas em 2021 disse que cometeu um erro.

Leite é o primeiro governador do Brasil assumidamente homossexual. Ele disputa com o governador de São Paulo, João Doria, o processo de prévias do PSDB para definir quem será o nome do partido na disputa para a presidência em 2022.

Faltam pouco mais de 13 meses para o primeiro turno das eleições de 2022. Habitualmente, os candidatos são definidos no começo do ano eleitoral. Em abril é a data limite para a filiação partidária e em agosto é o prazo máximo para a seleção dos candidatos nas convenções partidárias, que antecedem o início da campanha eleitoral.

A rodada de entrevistas do Diário Catarinense e da CBN DIário com os presidenciáveis já ouviu João Doria, Lula, Luiz Henrique Mandetta e, agora, Eduardo Leite. A NSC tentará conversar com todos os pré-candidatos à presidência em 2022, incluindo o atual presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

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