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    Corrida ao Planalto

    Eleição em São Paulo antecipa debate sobre 2018 no PSDB

    Vitória de Doria na capital paulista fortaleceu Alckmin, que disputa a indicação do partido para concorrer à Presidência com Serra e Aécio

    04/10/2016 - 04h23 - Atualizada em: 21/06/2019 - 22h30

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    Por Estadão Conteúdo
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    Triunfo político do governador Geraldo Alckmin, a vitória de João Doria no primeiro turno da disputa pela Prefeitura de São Paulo trouxe à tona a rivalidade no PSDB. Na legenda tucana, o resultado na maior cidade do País, que fortaleceu Alckmin como possível candidato à Presidência em 2018, precipitou nos bastidores uma disputa que, a princípio, ocorreria somente no ano que vem. Em maio de 2017, o partido vai eleger uma nova direção Executiva Nacional.

    O comando do partido é considerado um grande trunfo para a definição do próximo presidenciável tucano. Além do governador paulista, o ministro das Relações Exteriores, José Serra, e o senador Aécio Neves (MG) postulam a indicação do partido como candidato em 2018.

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    Logo após o resultado em São Paulo, Alckmin introduziu o tema sucessão presidencial ao defender as prévias partidárias. Aécio, que é o atual presidente nacional do PSDB, foi na segunda-feira, na mesma linha.

    — No nosso estatuto estão previstas as prévias. Se isso ocorrer, dentro do que estabelece o estatuto do partido, ela deve ser vista como uma oportunidade de um debate democrático. Tanto eu, Geraldo (Alckmin), (José) Serra, todos nós estimulamos esse debate. Mas, neste momento, não é correto nem é justo com as nossas lideranças anteciparmos 2018 — disse o senador em Belo Horizonte.

    Com o patrocínio do governador de São Paulo, Doria foi eleito com 53% dos votos válidos, na primeira vez que a eleição na capital paulista foi decidida na primeira fase. O empresário não teve apoio do grupo de Serra e somente na reta final recebeu manifestações de outros caciques tucanos como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o senador José Aníbal (SP). Serra não entrou na campanha.

    Doria fez um discurso conciliador após confirmada sua eleição. Na segunda-feira, o prefeito eleito disse ter estima pessoal por Serra, mas afirmou que não recebeu dele um telefonema de cumprimentos pela vitória.

    O ministro, que estava em viagem oficial à Argentina e ao Paraguai, integrando a comitiva do presidente Michel Temer, evitou comentar o assunto.

    — Eu não tenho interesse (em falar de eleição). Eu sou ministro do governo e estou preocupado com questões de Argentina e Paraguai — afirmou.

    Questionado se pretendia ligar para Doria, Serra evitou responder diretamente e disse que " muita gente do PSDB deve ter ido para o segundo turno ou ganhado".

    Repercussão

    Para o vice governador Márcio França, presidente do PSB paulista e operador político de Alckmin no plano nacional, a vitória no primeiro turno "exportou" o governador paulista para o Brasil como o responsável pela maior vitória contra o PT.

    — Alckmin já é o grande vitorioso de 2016. A eleição de Doria foi a única que teve repercussão nacional — disse.

    Doria concorda com a tese.

    — Não quero nacionalizar, mas não vou negar que a vitória no primeiro turno contribui para o PSDB nacionalmente. A capital do País é a cidade mais importante. É uma reafirmação do PSDB em território do PT. O berço do PT é aqui — disse ao jornal O Estado de S. Paulo na véspera da votação.

    Na Executiva Nacional do PSDB, a ideia de antecipar a discussão sobre 2018, porém, é tratada por alguns como "intempestiva" e "inapropriada".

    — É evidente que o Geraldo se fortalece com a vitória em São Paulo. O Aécio também porque teve resultados bons em Minas, mas a disputa de 2018 está muito longe. Temos que pensar em outubro de 2016. Temos um enorme rio para atravessarmos — disse o vice-presidente do PSDB, Alberto Goldman, do grupo de Serra.

    Cotado para substituir Aécio no comando do PSDB em 2017, o senador Cássio Cunha Lima (PB) também considerou que o partido deve se concentrar, neste momento, nas disputas de segundo turno.

    — É preciso esperar que se encerre o processo eleitoral. A eleição acabou na principal cidade, mas ainda acontece em várias outras. Não tem lógica fazer uma discussão interna, quando se está num embate externo. É preciso manter a tropa alinhada — disse o senador.

    O PSDB ainda disputa o segundo turno em oito capitais: Belo Horizonte, Campo Grande, Cuiabá, Maceió, Manaus, Porto Alegre, Belém e Porto Velho.

    Para se contrapor ao triunfalismo dos aliados de Alckmin, Aécio tentou capitalizar o bom resultado do PSDB nacional.

    — Essa foi a mais consagradora vitória que o PSDB teve desde 2004, quando já não estávamos no governo federal — afirmou.

    Critérios

    Além da resistência de alguns líderes em avançar neste momento na discussão sobre a realização de prévias, integrantes da cúpula do PSDB lembram que, até o momento, não há nenhum critério ou modelo definido para a sua realização.

    — Se fizermos prévias, vamos ter que estabelecer peso e valor para cada um dos Estados. Não precisamos disso. Aqui o Aécio ganhou na última eleição presidencial por 51% e no segundo turno com 70% do votos. Qual seria o peso de Santa Catarina numa prévia? O peso dos filiados ou eleitoral? Não concordo que seja o critério dos filiados porque aqui o PT nunca ganhou eleição para presidente — disse o líder do PSDB no Senado, Paulo Bauer (SC).

    As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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