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Eleições nos Estados Unidos: entenda como vai funcionar a escolha entre Clinton e Trump

No próximo dia 8 de novembro, os americanos escolhem o presidente que vai suceder Barack Obama. Veja como funciona a eleição

03/11/2016 - 09h14 - Atualizada em: 03/11/2016 - 12h08

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Por Redação NSC
(Foto: )

A democrata Hillary Clinton e o republicano Donald Trump se enfrentam nas urnas, na próxima terça-feira, em uma das mais importantes — e complicadas — eleições do mundo.

No sistema americano, é possível que um deles tenha a maioria dos votos, mas perca a eleição. É que os Estados Unidos escolhem o presidente em votação indireta, num colégio eleitoral composto de delegados de todos os 50 Estados da federação. Para vencer, o candidato precisa ganhar 270 dos 538 votos desses delegados.

Entenda como funciona:

Nas urnas

Terça-feira, os eleitores de cada Estado depositam em urnas o voto no candidato escolhido. A apuração de votos não é feita em escala nacional, mas Estado por Estado — principalmente porque cada unidade da federação escolhe, além do presidente, diferentes cargos públicos, como parte da Câmara, do Senado, juízes locais, além de participar de pequenos plebiscitos sobre a legislação estadual. Cada um dos 50 Estados americanos tem um sistema de votação diferente. Em alguns locais, chega-se a demorar 10 minutos para preencher o boletim de voto. Após a confusão na eleição de 2000, em que votos em cédulas apresentaram problemas, alguns Estados, como Illinois, adotaram a urna eletrônica. Mas a adoção da tecnologia não foi uniforme. Em muitos Estados e condados, o voto é inteiramente manual e a contagem mais demorada. Nesses Estados, a Justiça eleitoral não confia no sistema de contagem de votos totalmente computadorizado. A ideia é que as autoridades possam ficar com uma cópia de papel do voto — por isso, a cédula.

O vencedor leva tudo

Na maior parte dos Estados, quem conquistar mais votos nas urnas estaduais leva os votos de todos os delegados. Por exemplo: quem ganhar na Califórnia garante o apoio de 55 delegados na eleição para presidente do colégio eleitoral.

Os Estados não têm pesos iguais. É o censo populacional que define quantos delegados cada Estado tem direito — a Califórnia, por exemplo, tem uma população mais de 10 vezes superior do que a de Connecticut, portanto, tem 55 delegados, contra sete do outro Estado, na Costa Leste.

Ganha, mas não leva?

Ter o maior número de votos populares não significa ser eleito. Em 2000, o democrata Al Gore conquistou 51 milhões de votos, mas quem levou o pleito foi George W. Bush, que chegou à Casa Branca com 550 mil votos a menos. Mesmo com mais votos populares, Gore só conseguiu eleger 266 delegados contra os 271 de Bush no colégio eleitoral. O voto dos 25 delegados na Flórida, que levou semanas de contagens e recontagens graças a disputas judiciais, acabou sendo determinante para a vitória democrata.

Swing states: o que são

Em geral, cada partido tem uma ideia se ganhará ou perderá em determinado Estado. A grosso modo, os Estados localizados nas costas Leste e Oeste apoiam os democratas. O interior americano é mais republicano. Porém, há Estados que ora votam em um partido, ora em outro. Por acumularem muitos indecisos, esses Estados acabam desequilibrando a balança _ são os chamados swing states. Assim, nos últimos dias de campanha, os candidatos dedicam mais atenção a essas regiões. São eles: Ohio, Flórida, Virginia, Colorado, Carolina do Norte e Nevada.

Pode dar empate?

Sim. Caso isso ocorra, de acordo com a 12ª emenda da Constituição americana, a Câmara de Representantes (como é chamada a Câmara dos Deputados) escolhe o presidente. Isso aconteceu apenas uma vez, na eleição de John Quincy Adams, em 1824. Os republicanos têm maioria na Casa, logo Trump provavelmente seria o eleito.

* Zero Hora

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