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CENTENÁRIO DO TRICOLOR

Em 1980, Palmeiras virou BEC e um novo capítulo do futebol de Blumenau passou a ser escrito

Mudança de nome e cores fez com que o clube crescesse e chegasse ao título da Série B do Catarinense ao vice-campeonato no Estadual de 1988

19/07/2019 - 10h42

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Nathan
Por Nathan Neumann
Primeiro jogo do clube como BEC, em 1980.
(Foto: )

Com a chegada dos anos 1980, muita coisa mudou. O nome do time foi uma das mudanças. O Palmeiras Esporte Clube se transformou em Blumenau Esporte Clube, eternizado como BEC.

Após exatos 61 anos de fundação, no dia 19 de julho de 1980, os uniformes ganhavam um novo escudo com uma cor a mais: o vermelho bordô. No dia da estreia do BEC, um garoto de dez anos chamado Laerte Schimitz viu a nova equipe entrar em campo e anotou o placar e os dados da partida contra o Joaçaba, disputada no dia 31 de agosto de 1980.

O autor do primeiro gol foi o centroavante Aquiles Fernando Kupfer, mais conhecido como Cabinho, que achou o caminho do gol aos 27 minutos do segundo tempo para decretar a primeira vitória do Tricolor.

O garoto, que aterrorizava os irmãos mais velhos para ser levado ao estádio ou para ligar nas rádios para saber o resultado dos jogos do time do coração, anotou que o elenco daquele dia memorável era formado pelos goleiros Nilson, Arruda e Alexandre Borine; laterais Toninho, Torres e Saulo; zagueiros Celso Sauer, Paulo Cézar, Eduardo e Pedrão; ponteiros Pitter, Edney, Messias e Miltinho, e os centroavantes Lenilson e Cabinho. Todos comandados pelo técnico Rubens Salles. As anotações resistiram ao tempo até hoje pelo trabalho caprichoso do fiel torcedor Laerte, hoje com 49 anos.

Jogo entre BEC e Botafogo no Deba, em 1990.
Jogo entre BEC e Botafogo no Deba, em 1990.
(Foto: )

Fãs, como o então garoto Laerte, viram a equipe se desenvolver até chegar ao título da Série B do Campeonato Catarinense no ano de 1987, no dia 4 de abril, após o empate com o Figueirense. A campanha foi memorável, com 46 gols, 21 deles marcados pelo inesquecível Francisco Castão, que ficou eternizado na memória do torcedor como Chicão, o “artilheiro de Deus”.

O treinador daquele time, Benedito de Assis, apelidado de Dito Cola, lembra que o time tinha dois elementos imprescindíveis: união e identificação com o torcedor.

- Chegamos um pouco desacreditados, mas tínhamos um futebol bonito e éramos muito unidos. Naquele ano conseguimos alcançar a cidade como um todo e a gente tinha a cara da região. Muita gente se identificou com o time, aquilo foi inesquecível. Guardo o Blumenau no coração, pois foi uma passagem maravilhosa na minha carreira - afirma emocionado o ex-treinador, aos 71 anos.

Vice-campeão catarinense em 1988

O ex-goleiro Braulino Pontes estava em campo naquele dia de abril, mas vestia as cores do Figueirense. No ano seguinte, mudou-se para Blumenau e passou a defender a meta do BEC.

- Depois da conquista da segunda divisão de 1987, a direção resolveu fazer uma seleção para disputar a Série A, contratou os melhores de cada time em cada posição. Tanto que no outro ano, nós estávamos disputando a final contra o Avaí, foi um ano muito bom - lembra Braulino.

Histórico jogo entre BEC e Flamengo, em 1989.
Histórico jogo entre BEC e Flamengo, em 1989.
(Foto: )

O único jogador que veio de fora foi Cesar Paulista para vestir a camisa 10 e comandar o meio-campo. Relembra que a chegada ao time gerou dúvidas:

­- Quando cheguei aqui, todo mundo ficou meio desconfiado, se estava no nível do BEC, porque era realmente um timaço. Até que em um dos treinos, a bola chegou em mim, matei ela e sai jogando, ali todo mundo ficou tranquilo.

Braulino e Cesar lembram que a diretoria ficou surpresa com chegada do time na final da Série A, pois o planejamento era ficar entre os cinco primeiros, na frente do Brusque, um forte rival.

- Chegamos na final, perdemos para o Avaí, mas ficamos muito contentes, pois já estávamos muito além da expectativa. O título bateu na trave - pondera Cesar.

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