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Empreendedorismo 

Em dez anos, número de microempresas em Joinville salta de 86 para mais de 28 mil

Município registra crescimento médio de 3,1 mil novas MEIs por ano

12/01/2019 - 07h05 - Atualizada em: 13/01/2019 - 16h43

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Luan
Por Luan Martendal
Há 31 anos trabalhando como cabeleireira, foi só depois da formalização que Audrey se sentiu mais  segura na profissão
Há 31 anos trabalhando como cabeleireira, foi só depois da formalização que Audrey se sentiu mais segura na profissão
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Em 10 anos, o número de microempreendedores individuais (MEIs) cresceu 331,52 vezes em Joinville, considerando os registros do Portal do Empreendedor do governo federal. Quando lançada em 2009, a plataforma, cujo objetivo é impulsionar o empreendedorismo no Brasil, somava 86 empresas joinvilenses cadastradas no Simples Nacional. Em 2018, esse número saltou para 28.511, tendo crescimento médio de 3,1 mil novos MEIs por ano no município.

O resultado dos últimos 10 anos na cidade é superior às altas informadas em Santa Catarina e no Brasil no mesmo período, que cresceram 195,46 e 175,14 vezes, respectivamente. Em 2009 o Estado contabilizava 1.595 empresas optantes no Simei (Sistema de Recolhimento em Valores Fixos Mensais de tributos do Simples Nacional) ante 311.765 no ano passado. No país, o total de registros passou de 44.188 para 7.739.452 em uma década.

Já apontada pela Endeavor Brasil como um dos melhores lugares para abrir uma empresa no país, Joinville reforçou neste tempo o status de cidade empreendedora e acumulou aumento significativo na participação do total de MEIs catarinenses. No início da série histórica do Portal do Empreendedor, o município do Norte abrigava 5,39% dos microempreendedores individuais do Estado. Agora, detém 9,14% deles.

Dentre as 429 atividades econômicas passíveis dessa modalidade, se destacam no município os empreendedores varejista, de artigos de vestuário e acessórios (2,3 mil), cabeleireiros (2,1 mil), obreiros de alvenaria (1,7 mil) e promotores de vendas (1,6 mil). Ao se tornarem MEIs, os microempresários autônomos saíram da informalidade e passaram a ter CNPJ e hoje podem emitir nota fiscal, boletos, abrir conta bancária sob pessoa jurídica e têm direito ao imposto simplificado.

Se encaixa nesta categoria quem tem faturamento anual de até R$ 81 mil e no máximo um empregado registrado. A modalidade não permite sócios ou titulares de outras empresas. Uma das principais vantagens da formalização do MEI é a garantia dos benefícios concedidos pela Previdência Social.

Benefícios incentivam mercado formal

Somente em 2018, a regional Norte do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Santa Catarina (Sebrae-SC), que atende 24 cidades da região, efetuou 8,7 mil atendimentos à microempresários individuais. Para o coordenador regional da entidade, Jaime Arcino Dias Júnior, dentre os itens para a evolução de MEIs no Estado está a inclusão de pessoas que já atuavam no mercado, mas de modo informal. Outro fator é relacionado ao estímulo de novos empreendedores.

– Os benefícios trouxeram estes empreendedores para a formalidade. Primeiro pelo fato da própria legalização da atividade, depois pela forma fácil e gratuita de abertura do MEI, além das vantagens. Torna-se possível, por exemplo, acessar grandes fornecedores, comprar por atacado, ter linhas de crédito específicas e com taxas mais baixas e participar de concorrências públicas – explica Jaime.

A expectativa é de que a média de crescimento se mantenha para 2019.

– A tendência mostra que o autoemprego tende a aumentar pela queda de vagas. Então, o empreendedorismo tem crescido, principalmente com a vinda das startups, e o ecossistema que temos – conclui.

As principais diferenças na atividade

Cabeleireira desde a adolescência, a joinvilense Audrey Arruda, de 45 anos, é um exemplo do quanto a formalização da profissão pode ajudar na carreira. Em atividade desde os 14 anos, quando aprendeu a profissão com a mãe e iniciou os primeiros cursos profissionalizantes, ela trabalhou na informalidade por duas décadas até virar MEI, em 2009. Na época, a mudança foi pensada para que ela tivesse mais segurança jurídica e autonomia como microempresária, uma vez que eram comuns as reclamações trabalhistas entre os cabeleireiros e os patrões. Passados 10 anos, ela considera que a mudança abriu portas e trouxe resultados positivos para o salão que montou no bairro Costa e Silva.

– Antes de me tornar MEI eu era autônoma e tinha alvará. Então, na visão dos clientes pouco mudou, mas, para mim, enquanto profissional, fez muita diferença. Não só pelo fato de estar legalizada, mas pelas benfeitorias que a formalização trouxe. Era difícil fazer investimentos por não ter nenhum registro e como MEI consegui a aprovação de um financiamento que resultou na reforma do salão – comemora.

Ainda segundo ela, a estruturação possibilitou mais planejamento e visão de mercado. Antes focada em cortar cabelos femininos, há 10 anos descobriu um novo nicho de clientes e se especializou nos cortes masculinos.

– Sou da época que descobriu esse mercado bem antes da atual moda das barbearias, então sigo um modelo diferenciado que é o do corte tradicional – conta.

Hoje Audrey atende de 10 a 15 clientes por dia.

O desejo de montar um negócio próprio

Jamal e Bárbara apostam em uma plataforma para o aumento do desempenho de equipes de vendas
Jamal e Bárbara apostam em uma plataforma para o aumento do desempenho de equipes de vendas
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Da informalidade à formalidade também passaram o casal Bárbara Welter de Abreu, 26 anos, e Jamal Vitorino, 27. Os dois mudaram de Florianópolis para Joinville há cerca de 45 dias para darem sequência ao sonho do negócio próprio, iniciado ano passado. Engenheiros de produção, ambos realizavam consultorias de modo autônomo e decidiram criar a Motivee, startup de gamificação empresarial por meio do programa Sinapse da Inovação. Hoje incubada na Softville e com quatro profissionais atuando, a empresa dá os primeiros passos e já apresenta diferença no modo de trabalho dos empreendedores após a formalização.

– A principal diferença está em trabalhar com uma equipe, porque antes para crescer o negócio só dependia do meu trabalho, agora não, a gente tem que aprender a motivar outras pessoas, liderar, entender as dificuldades que o outro tem até aprender a função dele, isso é o mais desafiador – destaca Jamal.

Apostando em uma plataforma voltada para o aumento do desempenho de equipes de vendas, na qual os usuários são funcionários das empresas contratantes do serviço, a ideia é que o projeto ganhe energia em meio à perspectiva de melhora econômica e a retomada das oportunidades de emprego em todo o país.

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