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No Sul da Ilha

Emissário submarino: detalhes do projeto são apresentados a moradores em Florianópolis

Casan mostrou relatório sobre a obra durante encontro no Colégio do Campeche, na noite desta terça-feira (10)

10/09/2019 - 21h14 - Atualizada em: 10/09/2019 - 22h23

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Por Guilherme Simon
Proposta é implantar uma rede de coleta e tratar os dejetos, na estação do Rio Tavares, e depois despejar no mar, na altura do Novo Campeche
Proposta é implantar uma rede de coleta e tratar os dejetos, na estação do Rio Tavares, e depois despejar no mar, na altura do Novo Campeche

Detalhes do projeto de instalação do emissário submarino no Sul da Ilha de SC, em Florianópolis, foram apresentados pela Companhia de Águas e Saneamento (Casan) e pelo Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) durante audiência na noite desta terça-feira (10), no Colégio do Campeche, na SC-405, na Capital. Moradores, lideranças da comunidade e ambientalistas lotaram o ginásio da instituição, em que ocorreu o encontro.

A proposta é implantar uma rede de coleta e tratar os dejetos, na estação do Rio Tavares, e depois despejar no mar, na altura do Novo Campeche, a mais de cinco quilômetros da costa. Na reunião, a Casan apresentou um estudo sobre os impactos da obra.

O relatório aponta, por exemplo, que a alteração da qualidade da água e a interferência sobre a atividade de pesca artesanal estão entre os pontos negativos que o projeto trará à região caso seja implantado.

Já a melhoria dos índices de saneamento e o enriquecimento dos ecossistemas marinhos estão entre os pontos positivos indicados pelo estudo. O documento está disponível no site do IMA.

Primeiro a falar na audiência desta terça-feira no Sul da Ilha de SC, o engenheiro da Casan Alexandre Trevisan explicou que o local para a instalação do emissário submarino foi escolhido após estudos que apontaram, segundo ele, a viabilidade e a segurança do projeto. Trevisan também detalhou que os efluentes tratados serão lançados a 5,5 quilômetros da praia, a uma profundidade de 35 metros.

Preocupação entre os moradores

Antes do início da audiência, o presidente da Associação dos Pescadores Artesanais da Armação do Pântano do Sul, Aldori Aldo de Souza, comentou que o assunto tem causado preocupação entre os pescadores:

Pra mim, acho que não vai trazer benfeitoria nenhuma porque vão lançar o esgoto numa área onde a gente tira nosso sustento e que exploramos para o turismo.

Rodrigo Farias, da Associação dos Barqueiros da Praia do Campeche, também demonstrou dúvida quanto à instalação do emissário:

— O que a gente vê em outros lugares do Brasil que possuem esse mesmo emissário é que as praias são as mais impróprias para banho. Então, a gente fica em dúvida sobre qual o impacto que vai ter nessa bacia.

Comunidade lotou ginásio no Campeche para debater sobre o projeto de saneamento no Sul da Ilha
Comunidade lotou ginásio no Campeche para debater sobre o projeto de saneamento no Sul da Ilha
(Foto: )

Opiniões contra e a favor

Desde que começou a ser estudada, a instalação do emissário submarino tem dividido opiniões. A Casan defende que o emissário é uma solução técnica para receber o esgoto de 1/3 da Ilha de Santa Catarina.

O biólogo Emerilson Gil Emerim, que integra o movimento Floripa Sustentável, concorda que a instalação do emissário no Sul da Ilha é "a única solução tecnológica" diante da realidade da cidade, mas ressalta que é preciso atentar para a boa operação do tratamento.

— Nós não temos como lançar os efluentes tratados em rios, como acontece em cidades não litorâneas, pois a Ilha não tem rios com vazão suficiente para isso. Então o lançamento no mar com o emissário é a única alternativa. Agora, o que deve ser discutido é a boa operação do sistema, para que o efluente seja lançado no mar em condições de ser absorvido — destaca Emerilson.

Já a bióloga e doutoranda em Aquicultura pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Bruna Roque Loureiro aponta inconsistências no estudo de impacto ambiental. Entre os problemas, ela cita a ausência de detalhes sobre o impacto terrestre da obra e a falta de um estudo detalhado sobre os danos à comunidade pesqueira.

— O estudo não traz, por exemplo, um levantamento criterioso das áreas pesqueiras, para mostrar quais são as zonas mais importantes, nem detalha a quantidade de pescadores que serão afetados — indica Bruna.

Depois da audiência pública desta terça, outros encontros ainda poderão ser realizados para sanar dúvidas do projeto. Após a fase de audiências, o estudo de impacto ambiental será enviado para análise da equipe do IMA.

O projeto

A proposta da Casan é implantar uma rede de coleta e tratar os dejetos, na estação do Rio Tavares, e depois despejar no mar, na altura do Novo Campeche, a cinco quilômetros da costa, ao norte da Ilha do Campeche, e a 5,3 mil quilômetros dela. Os engenheiros da estatal defendem que essa é a alternativa mais viável e minimiza o risco de contaminação das praias.

O emissário submarino é a tubulação que leva o efluente final de uma estação de tratamento de esgotos até um local que tenha condições ambientais favoráveis para sua assimilação pela natureza. O emissário não é uma estação de tratamento, mas sim um equipamento para disposição final de efluente já tratado, ressalta a Casan.

O custo da obra é orçado em R$ 190 milhões, e o prazo de execução, estimado em dois anos e três meses.

Justificativas técnicas

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