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Polêmica

Empresa chinesa clona cão para desenvolver doença vascular e gera debate ético

O objetivo dos cientistas é usar o animal como cobaia para estudar as condições e possibilidades de cura da aterosclerose

27/12/2017 - 11h27 - Atualizada em: 27/12/2017 - 11h34

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Por Redação NSC
(Foto: )

Aparentemente, Longlong é apenas mais um filhote da raça Beagle. O animalzinho, porém, é fruto de uma clonagem, e nasceu com transtorno de coagulação no sangue, exatamente como queria um grupo de cientistas chineses da empresa SinoGene, de Pequim. As informações são da CNN.

O filhote é um clone de Apple, cachorro cujo genoma foi editado para desenvolver aterosclerose, doença tida como a causa de infartos e doenças do coração. O objetivo dos pesquisadores é usar o animal como cobaia para estudar as condições e possibilidades de cura da enfermidade.

A SinoGene, criadora de Longlong, afirma que o animalzinho é o primeiro cachorro clonado de um doador cujos genes foram editados, fato que, segundo os cientistas, colocam a China no mesmo patamar da Coreia do Sul, até então líder na tecnologia de clonagem. Além de Apple e Longlong, a empresa obteve sucesso na cópia genética de outros dois cães, totalizando quatro animais com o código genético idêntico.

A aterosclerose afeta mais de 15,8 milhões de americanos. As doenças cardiovasculares, aliás, são as que mais causam mortes globalmente. Em 2015, 17,7 milhões de pessoas morreram em decorrência delas, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Polêmica

Preocupados com as ações de empresas que realizam atividades similares a SinoGene, a Organização Não Governamental internacional Peta (People for the Ethical Treatment of Animals, na sigla em inglês), voltada aos direitos dos animais, classificou a pesquisa como antiética. Em comunicado, salientou também que a ação é cara.

Outro ponto destacado pela ONG é a ausência de proteção legal para animais em laboratórios na China, país que anualmente utiliza cerca de 20 milhões de cobaias, especialmente camundongos, segundo o Instituto Nacional Chinês de Controle para Alimentos e Drogas. O governo chinês anunciou em 2016 que regulamentos mais duros para animais de laboratórios estavam sendo elaborados, mas não há certeza de sua eficácia.

Os valores investidos em tais pesquisas também geram controvérsia devido aos riscos. De acordo com o vice-gerente da SinoGene, Zhao Jianping, o sucesso nas ações de clonagem da empresa é de 50%. Antes de Apple nascer, por exemplo, outros cinco filhotes, cujos genes também foram modificados, testaram negativo para aterosclerose.

A Peta acredita que o dinheiro direcionado a tais pesquisas poderiam ser melhor investidos se usado para ajudar animais abandonados do que para criar mais bichos em laboratórios. Para o representante da Peta na Ásia, Chi Szuching, tal investimento salvaria milhões de gatos, cachorros e outros animais de estimação.

Os cientistas envolvidos defendem que o trabalho contribui para o desenvolvimento farmacêutico e biomédico. A SinoGene planeja realizar mais clonagens em cachorros em 2018.

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