O governador Raimundo Colombo estará em Joinville no dia 9 de março para a inauguração do binário do bairro Vila Nova e não voltará para Florianópolis de mãos vazias. A Associação Empresarial de Joinville (Acij) vai aproveitar a oportunidade e pedir ajuda ao governo do Estado para viabilizar obras no eixo industrial da cidade, na tentativa de reduzir os longos engarrafamentos naquela região.

Continua depois da publicidade

A carta, assinada pela Acij, refletirá as discussões de empresários da zona Norte com técnicos do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Joinville (Ippuj), que formam o Comitê Dona Francisca, e representantes do Departamento Estadual de Infraestrutura (Deinfra). O conteúdo do documento também será discutido previamente com o prefeito Udo Döhler, em reunião a ser agendada nesta semana.

Os longos engarrafamentos que se formam no eixo industrial de Joinville, ponto de encontro da avenida Edgar Meister (da Univille) com a rua Dona Francisca e a Hans Dieter Schmidt, de acesso à BR-101, estão entre os mais críticos da cidade. No entanto, eles não encabeçam a lista de reclamações da população, que está de olho em gargalos mais próximos de casa – em todo o município, foram mapeados 80 pontos críticos de trânsito.

Isto talvez explique por que a solução do problema não aparece entre as grandes promessas de campanha dos governos. Porém, o gargalo afeta a maior força econômica de Joinville, a indústria, que agora decidiu se articular politicamente para tentar encontrar uma saída.

Continua depois da publicidade

A região abriga 50% do produto interno bruto (PIB) da cidade, cerca de 5% do PIB catarinense e emprega 25 mil trabalhadores, o equivalente a 15% da força de trabalho local, segundo dados do grupo de articulação empresarial Gestão Compartilhada Norte.

15 mil veículos por dia na Dona Francisca

Somente na rua Dona Francisca, próximo ao eixo industrial, o Ippuj estima tráfego de 15 mil veículos por dia. Apenas o condomínio empresarial Perini Business Park é responsável, em média, pela circulação de 2,7 mil veículos leves e 177 caminhões diariamente.

– De meia em meia hora, chegam cargas para as empresas, e a espera de 20 minutos ou meia hora nos horários de pico gera prejuízos, sem contar os constantes acidentes na rua Dona Francisca – afirma o coordenador do grupo empresarial Gestão Compartilhada Norte e diretor comercial do Perini Business Park, Jonas Tilp.

Continua depois da publicidade

Duplicação de vias é prioridade

Desde a década de 1970, a duplicação de 6 km da rua Dona Francisca tem sido apontada como a melhor saída para desafogar o fluxo de veículos na região. A obra é estimada em, no mínimo, R$ 30 milhões – somente a execução, sem considerar o custo do projeto e as desapropriações, que em geral duplicam o valor.

De acordo com o gerente da unidade de mobilidade e acessibilidade do Ippuj, Gilson Perozin, o maior entrave em grandes obras como esta é sempre o processo de desapropriação. O número de imóveis na área afetada ainda não foi calculado, mas a maioria é de propriedade industrial, diz Perozin, que espera receber doações das empresas para facilitar os trabalhos.

Até poucas semanas atrás, esta era a única proposta de longo prazo para solucionar os engarrafamentos, e para a qual já existe anteprojeto na Prefeitura, mas uma nova ideia ganhou corpo no dia 24 de fevereiro, durante reunião da Associação Empresarial de Joinville (Acij) e do Departamento Estadual de Infraestrutura (Deinfra).

Continua depois da publicidade

No encontro, os empresários foram surpreendidos com a sugestão de se fazer um elevado duplicado, englobando as duas vias estaduais que cortam a rua Dona Francisca, começando pela Hans Dieter Schmidt, aquela que liga o Distrito Industrial à BR-101, e terminando na Edgar Nelson Meister, que dá acesso à Univille.

O superintendente regional Norte do Deinfra, Ademir Vicente Machado, explica que não há necessidade de desapropriações neste caso. Ele está otimista quanto à viabilização de recursos na esfera estadual ou federal. O assunto será encaminhado agora para análise técnica.

O que fazer em curto prazo

Enquanto não chegam as grandes obras para resolver o gargalo, que demorariam pelo menos três anos para ficar prontas, é consenso entre o poder público e a iniciativa privada que o trânsito no eixo industrial de Joinville precisa receber melhorias emergenciais.

Continua depois da publicidade

A principal proposta é transformar a rótula do eixo industrial, na confluência das ruas Dona Francisca, Hans Dieter Schmidt e avenida Edgar Nelson Meister, em um grande trevo, com a eliminação de vias de mão dupla, abertura de nova via, alargamento de faixas, redução da largura de canteiros e criação de ciclovia e passeio. Uma vez que o trecho envolve vias municipais e estaduais, depende da parceria das duas esferas para sair do papel. A obra é estimada em R$ 300 mil e deve durar cerca de quatro meses.

Mas o que está certo mesmo é a criação de um binário um pouco à frente, na rótula do Tecelão, outro trecho de lentidão nos horários de pico. O governo do Estado está concluindo obras na rua Rui Barbosa e ao entregá-la, no final de março, bastará ao Instituto de Trânsito e Transporte de Joinville (Ittran) instalar a nova sinalização do local.

Clique na imagem para ampliá-la:

Destaques do NSC Total