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    Empresas de tecnologia podem sair mais fortes do que nunca da crise do coronavírus

    Serviços de streaming como a Netflix têm afetado as bilheterias dos cinemas nos últimos anos. Porém, com o fechamento das salas de cinema por ordem do governo, a Netflix e o Youtube atraem ainda mais espectadores

    07/04/2020 - 17h00

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    Por The New York Times
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    *Por Daisuke Wakabayashi, Jack Nicas, Steve Lohr e Mike Isaac

    Oakland, Califórnia – Enquanto o resto da economia sente o impacto negativo do coronavírus, os negócios seguem firmes e até melhoram para as maiores empresas de tecnologia.

    A Amazon afirmou que contrataria mais cem mil funcionários para seus armazéns, para lidar com a crescente demanda. Mark Zuckerberg, executivo-chefe do Facebook, disse que o tráfego das chamadas de vídeo e mensagens explodiu. A Microsoft divulgou que o número de pessoas que usam seus programas para colaboração on-line aumentou quase 40 por cento em uma semana.

    Com tantas pessoas obrigadas a trabalhar remotamente, sem contato com os outros, a pandemia tornou ainda mais necessários os serviços das maiores empresas de tecnologia e acelerou tendências que já as beneficiavam.

    A Amazon tem usado sua força bruta contra as lojas físicas há anos, mas, agora, os consumidores impedidos de sair de casa recorrem à gigante do e-commerce em busca de uma gama ainda maior de produtos, como itens de supermercado e até medicamentos.

    Serviços de streaming como a Netflix têm afetado as bilheterias dos cinemas nos últimos anos. Porém, com o fechamento das salas de cinema por ordem do governo, a Netflix e o Youtube atraem ainda mais espectadores.

    As empresas já estavam substituindo os próprios centros de dados por infraestrutura alugada da Amazon, da Microsoft e do Google. Essa mudança deve se acelerar, à medida que milhões de funcionários são forçados a trabalhar de casa, colocando ainda mais pressão sobre a infraestrutura das empresas.

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    Até mesmo a Apple, que parecia ser uma das empresas norte-americanas mais ameaçadas pelo coronavírus, devido à sua dependência das fábricas e dos consumidores chineses, parece ter se resolvido. Muitas das fábricas da Apple já voltaram praticamente à normalidade, as pessoas gastam mais tempo e dinheiro com seus serviços digitais e a empresa até lançou novos aparelhos.

    "As maiores empresas de tecnologia podem sair dessa situação ainda mais fortes", afirmou Daniel Ives, diretor executivo da empresa de pesquisa de patrimônio da Wedbush Securities.

    Isso não quer dizer que as empresas de tecnologia não têm com que se preocupar. O marketing, que é a principal fonte de renda para o Google e o Facebook, costuma perder força durante momentos de crise econômica. Ao todo, as ações da Apple, da Microsoft, da Amazon, do Facebook e do Alphabet, que controla o Google, perderam mais de um trilhão de dólares em valor desde fevereiro, quando a bolsa de valores dos EUA bateu recordes de valorização. Além disso, a Microsoft e a Apple diminuíram suas previsões financeiras de curto prazo devido a uma queda nos gastos dos consumidores.

    Tirando essas grandes empresas, os problemas são aparentes. Ferramentas de comunicação, como o serviço de videoconferência Zoom, se tornaram essenciais, mas aplicativos de transporte, como o Uber e o Lyft, além de sites de aluguel, como o Airbnb, perderam boa parte de seus clientes.

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    O setor global de tecnologia, avaliado em 3,9 trilhões de dólares, sofrerá este ano, embora ainda não seja possível dizer quanto. Em dezembro, a empresa de pesquisa de mercado IDC previa um crescimento global de cinco por cento nas vendas de hardware, software e serviços em 2020. Quando ficou aparente, há um mês, que o coronavírus afetaria as redes de distribuição e atrapalharia as vendas na China, a IDC afirmou que o faturamento anual global cresceria apenas um por cento. Esse crescimento de um por cento parece otimista demais, de acordo com Frank Gens, chefe de análise da IDC.

    Mas, quando a economia voltar a crescer, as grandes empresas de tecnologia poderão se beneficiar das mudanças nos hábitos dos consumidores. Apesar de mais de um ano e meio de críticas de legisladores, reguladores e concorrentes antes que a pandemia chegasse aos EUA, as maiores empresas provavelmente estarão ainda mais fortes ao fim deste ano.

    Embora a Amazon tenha mudado os hábitos de consumo de produtos como livros, convencer os consumidores a confiar na entrega de itens de supermercado é um desafio muito maior. Agora que as pessoas são obrigadas a ficar em casa, a última linha de defesa das lojas físicas pode começar a ceder à pressão.

    Michael Crowe, de Charlotte, na Carolina do Norte, fez sua primeira compra de supermercado pela Amazon recentemente, pois não queria correr o risco de sair de casa, afirmou.

    "Acho que continuarei a fazer isso depois que o vírus passar", disse Crowe, de 36 anos, que trabalha para a rede de materiais de construção Lowe's.

    À medida que mais consumidores experimentam diferentes serviços da Amazon, isso pode dar origem a mudanças mais profundas nos hábitos de consumo, declarou Guru Hariharan, ex-funcionário da Amazon e fundador da CommerceIQ, uma empresa cujo software de automação é usado por marcas importantes, como a Kellogg's e a Kimberly-Clark.

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    Em uma postagem, Dave Clark, o vice-presidente sênior de operações globais da Amazon, disse que abriria novas vagas de emprego nos armazéns e nos serviços de entrega da empresa nos EUA, pois "nossa demanda de trabalho nunca foi tão grande nesta época do ano".

    Uma das razões para a crescente demanda da Amazon é o aumento da variedade dos produtos comprados pelos consumidores. Entre 20 de fevereiro e 15 de março, a venda de medicamentos contra a gripe aumentou nove vezes na Amazon dos EUA, em comparação com o ano anterior. A venda de ração para cachorro aumentou 13 vezes, e a de toalhas de papel triplicou, de acordo com a CommerceIQ.

    Como era de esperar, o tráfego de serviços de streaming, aplicativos e plataformas de redes sociais não para de crescer. O número de downloads do aplicativo da Netflix – que serve para avaliar o tráfego no site – aumentou 66 por cento na Itália, de acordo com dados da Sensor Tower, uma empresa de dados de aplicativos. Na Espanha, o número de downloads aumentou 35 por cento. Nos EUA, onde a Netflix já era muito popular, o aumento foi de nove por cento.

    A Netflix não quis comentar se o número de assinantes também aumentou.

    Autoridades do governo na Europa entraram em contato com o executivo-chefe da empresa, Reed Hastings, para saber se a Netflix poderia diminuir um pouco a qualidade do vídeo para aliviar a pressão sobre as redes de internet do continente. A empresa concordou em fazer isso por 30 dias. O YouTube também concordou em suspender o streaming de vídeos em alta definição na Europa durante um mês.

    A mudança para o trabalho remoto também demonstrou os méritos da computação em nuvem, quando o uso cresce de maneira inesperada. Para as empresas que fazem a gestão de sua infraestrutura na internet, ajustar suas necessidades repentinamente é um processo caro e difícil. Entretanto, a computação em nuvem facilita as coisas.

    A Amazon, a Microsoft e o Google, as três maiores plataformas de computação em nuvem, estão nadando em dinheiro e oferecendo enormes descontos no aluguel de infraestrutura para redes corporativas, assim como no software usado pelos funcionários.

    Atém mesmo a Apple, uma empresa com centenas de lojas fechadas em todo o planeta (a não ser na China), dá sinais de que sairá mais forte dessa pandemia.

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    Terry Guo, diretor da Foxconn, que fabrica a maior parte dos iPhones do mundo para a Apple, revelou aos repórteres no dia 12 de março que as fábricas chinesas da Foxconn voltariam a produzir antes do esperado e já estavam normalizando as atividades – muito antes do fim de março, conforme planejado.

    A Apple tentou depender menos da venda de aparelhos e ganhar mais com serviços, incluindo vendas de aplicativos e assinaturas de serviços de música e TV.

    "Desde a crise financeira de 2008, a Apple ficou ainda mais forte. Não há razão para acreditar que outras gigantes não repetirão a mesma proeza", disse Ives, da Wedbush.

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