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    O sofrimento delas

    Entenda por que a depressão atinge mais as mulheres

    Vulnerabilidade feminina é duas vezes maior que a masculina

    04/10/2014 - 03h01 - Atualizada em: 04/10/2014 - 08h25

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    Por Redação NSC
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    Elas sentem mais dores, eles procuram esconder. Elas pedem mais ajuda, eles tendem a buscar o álcool. Elas tentam mais vezes o suicídio, eles se matam mais.

    A depressão é uma doença antiga, mas que ainda hoje afeta homens e mulheres em grandes proporções. Pouco se sabe sobre as sutis diferenças nas manifestações da doença entre os sexos, mas uma certeza já existe: são as mulheres as principais vítimas.

    Uma pesquisa americana, reproduzida no Brasil no estado de São Paulo, apontou que 20% das mulheres apresentam episódios depressivos pelo menos uma vez ao longo da vida. Entre os homens, o índice é de 12%. A ciência ainda não sabe explicar os motivos que levam a essa diferença tão expressiva, mas já há algumas hipóteses. O papel social feminino é uma delas. A dupla jornada encarada por muitas mulheres, que precisam conciliar os afazeres domésticos com a atividade profissional é um fator que contribui para o desenvolvimento da doença. Além disso, elas estão mais vulneráveis a um fator importante para desencadear a depressão: a violência sexual, uma vez que são vítimas de casos de estupro e abuso mais recorrentemente.

    >>Como tratar e prevenir a depressão

    >>Como a depressão se manifesta em homens e mulheres

    Biologicamente, a alta incidência feminina da depressão também pode ser explicada pelas diversas variações hormonais que as mulheres sofrem ao longo da vida. O ciclo menstrual, a gravidez e a menopausa, episódios de importantes alterações hormonais, seriam os principais responsáveis. Segundo o psquiatra Kalil Duailibi, presidente do Departamento de Psiquiatria da Associação Paulista de Medicina (APM) e professor do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina de Santo Amaro (Unisa), a influência dos hormônios fica mais evidente quando analisamos as faixas etárias em que a doença costuma se manifestar: até os 10 anos e depois dos 60, quando a produção de hormônios de homens e mulheres é mais semelhante, a incidência da depressão é a mesma entre os sexos. É entre os 10 e os 60 anos que elas passam a sofrer duas vezes mais que eles com a depressão.

    - Os hormônios podem afetar a reprodução de neurotransmissores que estão relacionados à depressão, desencadeando a doença. Mas ainda não sabemos exatamente como isso acontece. A questão é muito mais complexa do que pensávamos há alguns anos e isso fica ainda mais evidente a cada nova descoberta - afirma o psiquiatra e coordenador do ambulatório de depressão do Programa de Transtornos do Humor do Hospital de Clínicas de Porto Alegre Marcelo Fleck.

    Falta de ânimo é comum para todos

    Ainda que existam evidentes diferenças entre homens e mulheres, a principal característica da depressão é comum entre os sexos. Muito mais que a tristeza, que pode estar presente em qualquer momento da vida, o comportamento mais marcante entre os deprimidos é o de lentificação, quando a falta de ânimo e de vontade paralisa a vida, não sobrando motivação para fazer mesmo as coisas que antes davam prazer.

    Tanto homens quanto mulheres precisam de duas vulnerabilidades para desenvolver a depressão: a genética - quando alguém da família apresenta a doença - e a social, que corresponde a todos os episódios vividos que podem influenciar a forma como a pessoa passa a lidar com as adversidades.

    - Essa vulnerabilidade social começa a ser moldada ainda na gestação. A partir do terceiro ou quarto mês de gravidez, o bebê já consegue perceber os sentimentos da mãe, aumentando os riscos de a criança ser depressiva caso a mãe desenvolva a doença nesse período. Perdas importantes na infância, como a morte dos pais ou mesmo dos avós, também podem ser decisivas. Quanto menor a criança, maiores os riscos, pois há uma repercurssão neurológica dessa perda - afirma o psiquiatra Kalil Duailibi.

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