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    Entidades protestam contra morte por espancamento de homem negro no RS: "crueldade"

    Organização convocou boicote nacional ao Carrefour após mais um ato de violência em supermercado da rede

    20/11/2020 - 16h47 - Atualizada em: 20/11/2020 - 18h25

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    Fernanda
    Por Fernanda Mueller
    No Dia da Consciência Negra, entidades pediram justiça por João Alberto
    No Dia da Consciência Negra, entidades pediram justiça por João Alberto
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    A morte de um homem negro que foi espancado em um supermercado de Porto Alegre na noite de quinta-feira (19) repercutiu em Santa Catarina. Entidades protestaram contra a violência racial contra João Alberto Silveira Freitas e pediram boicote à rede Carrefour — o flagrante de violência ocorreu em um supermercado da rede.

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    A Coalizão Negra Por Direitos, articulação que reúne 150 coletivos e entidades do movimento negro e antirracista de todo o Brasil, expressou repúdio ao episódio e pediu boicote à rede de supermercados Carrefour. 

    A organização lembrou outros casos de violência que aconteceram no interior de lojas da rede. Em 2009, seguranças espancaram Januário Alves de Santana na unidade de Osasco (SP), sob argumento de que o homem foi confundido com um ladrão. Em 2018, na unidade de São Bernardo do Campo (SP), Luís Carlos Gomes foi espancado porque teria aberto uma lata de cerveja dentro do supermercado.

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    "Todos esses casos aconteceram no interior de lojas da rede Carrefour, o que demonstra que não se trata de exceção, violência racial é regra dentro do Carrefour. Por isso exigimos responsabilização e convocamos um boicote nacional em todas as unidades da Rede Carrefour", afirmou a Coalizão Negra Por Direitos nas redes sociais.

    A presidente do Centro Cultural Escrava Anastácia, em Florianópolis, Ana Lucia de Brito, disse que é muito doloroso assistir aos vídeos que estão repercutindo nas redes sociais.

    — Eu fico com um nó na garganta ao ver as cenas desse caso, pois não dá para acreditar que são seres humanos cometendo aquele ato de violência. Estamos cansados de ver tantas pessoas pretas morrerem por coisas banais. Como se o negro não tivesse direito a nada, e nós temos sim. Nós contribuímos com o país economicamente, trabalhamos, estudamos e merecemos ser tratados com respeito — afirmou.

    O Movimento Negro Unificado (MNU), que existe há 42 anos no Brasil e 27 em Santa Catarina, pediu justiça por João Alberto nas redes sociais. "Hoje, mais do que nunca, é dia de lutarmos contra o genocídio do povo negro, contra a violência racial e pela vida da população negra. O MNU presta solidariedade à família de João Alberto e exige punição para os culpados. Racismo é crime! Reaja à violência racial!", diz a mensagem. 

    Wanda Pinedo, militante do MNU SC, lamenta receber uma notícia triste como essa, no Dia da Consciência Negra, mas lembra que os episódios de racismo são mais comuns do que as pessoas imaginam. 

    — Atos absurdos contra negros acontecem todos os dias, mas nem sempre ganham essa repercussão. A polícia chega, mata e nem pergunta quem é. Ela não sabe se a pessoa que está procurando é, de fato, a que está na frente dela, mas já é um corpo negro estendido no chão — afirma.

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    O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) diz que o caso precisa ser investigado para confirmar se houve ato de racismo, mas reiterou seu posicionamento institucional de intolerância aos crimes de ódio: "O MPSC reitera que não tolera a prática desse tipo de crime, empenhando toda a sua estrutura de investigação para solucionar esses casos".

    No Dia da Consciência Negra, o MPSC promoveu uma série de palestras para debater as relações étnico-raciais e intensificar o combate ao racismo estrutural. 

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    O que diz o Carrefour

    Leia a nota em que a rede se posiciona sobre o caso:

    "O Carrefour informa que adotará as medidas cabíveis para responsabilizar os envolvidos neste ato criminoso. Também romperá o contrato com a empresa que responde pelos seguranças que cometeram a agressão. O funcionário que estava no comando da loja no momento do incidente será desligado. Em respeito à vítima, a loja será fechada. Entraremos em contato com a família do senhor João Alberto para dar o suporte necessário.

    O Carrefour lamenta profundamente o caso. Ao tomar conhecimento deste inexplicável episódio, iniciamos uma rigorosa apuração interna e, imediatamente, tomamos as providências cabíveis para que os responsáveis sejam punidos legalmente. Para nós, nenhum tipo de violência e intolerância é admissível, e não aceitamos que situações como estas aconteçam. Estamos profundamente consternados com tudo que aconteceu e acompanharemos os desdobramentos do caso, oferecendo todo suporte para as autoridades locais."

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