Uma audiência de conciliação marcada para esta quinta-feira, 14h30min, na Justiça Federal em Florianópolis, vai tentar resolver o impasse da criação da Casa de Parto Natural no IFSC da Avenida Mauro Ramos, na capital. É um projeto antigo, cerca de dez anos, e que enfrenta resistência das entidades médicas catarinenses.

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Seria a 1ª unidade do gênero em Santa Catarina. O fato é que para receber autorização é preciso uma maternidade referência por perto e que atenda os casos de emergência decorrentes de complicações no parto.

Hospital Universitário, Hospital Regional de São José, Maternidade Carmela Dutra , secretaria estadual da saúde e secretaria de saúde de Florianópolis foram intimadas para a audiência.

A presidente da Associação Brasileira de Enfermeiros Obstetras, Neonatais e Obstetrizes (Abenfo/SC), Juliana Jacques da Costa Monguilhott, afirma que "o incentivo aos Centros de Parto Normal é uma política pública já aprovada e regulamentada. Há várias evidências científicas que apontam a segurança para a mãe e o bebê nesse modelo de assistência. A Enfermeira Obstetra é uma profissional habilitada e capacitada para o acompanhamento das gestantes de risco obstétrico habitual durante a gestação, o trabalho de parto e parto e pós-parto, inclusive para o atendimento imediato de possíveis intercorrências".

Hoje, a Sociedade Catarinense de Pediatria (SCP), a Sociedade Catarinense de Obstetrícia e Ginecologia de Santa Catarina (SOGISC) e a Associação Catarinense de Medicina (ACM) encaminharam um ofício ao secretário estadual da saúde, Helton de Souza Zeferino, se posicionando sobre o tema.

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Apontam, no documento, que “ 1 em cada 10 recém-nascidos necessita ajuda para iniciar a respiração; 1 em cada 100 precisa de intubação traqueal; e 1 a 2 em cada 1.000 requer intubação traqueal e massagem cardíaca e/ou medicações, materiais e equipamentos adequados; equipe treinada, experiente e com formação reconhecida para o atendimento da mãe e do recém-nascido; e, capacidade de resolução imediata das situações de emergência relacionadas à mãe e ao recém-nascido.

Situações maternas e neonatais graves poderiam ser evitadas se o trabalho de parto ocorresse no ambiente hospitalar, onde estão disponíveis meios de monitorização e intervenção médica imediata.

O tempo de transporte entre a instituição de origem e a de destino é decisivo para o prognóstico materno e neonatal. Dentre outros fatores, a duração do transporte depende das condições de trânsito, que tem se mostrado problemática em Florianópolis”.

Nesta quarta-feira (28), às 14h, a CBN Diário promoveu um debate sobre o assunto no programa Estúdio CBN Diário. Ouça como foi:

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