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Educação inclusiva

Escola de Joinville é a primeira unidade de SC a oferecer ensino bilíngue com português e Libras  

Escola Municipal Monsenhor Sebastião Scarzello desenvolve projeto que permite o acesso ao aprendizado da Língua Brasileira de Sinais para crianças surdas e ouvintes, pais e funcionários  

15/02/2019 - 06h57

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Patrícia
Por Patrícia Della Justina
Professora Talita Nunes Francisco, que também é surda, faz sinal positivo para resposta de aluno
(Foto: )

Conversar com alguém que espera pelo mesmo ônibus, fazer compras no supermercado, ir à escola ou pedir informação na rua. Todas essas atividades parecem simples quando exercidas no cotidiano comum. Mas, para pessoas que possuem deficiência auditiva, os obstáculos podem ser significativos.

Uma escola de Joinville está mudando esta realidade com um projeto de inclusão que colocou em prática o ensino bilíngue com a Língua Brasileira de Sinais (Libras) e a língua portuguesa na grade curricular – é a primeira unidade escolar de Santa Catarina a oferecer este modelo de ensino. Em 2018, a Escola Municipal Monsenhor Sebastião Scarzello, já desenvolveu um projeto piloto, mas, neste ano, começou com aulas integrando toda a comunidade escolar. A ação permite o acesso ao idioma tanto para crianças ouvintes, quanto para crianças surdas, pais e funcionários.

A escola fica no bairro Itaum, mas disponibiliza vagas para moradores de todas as regiões da cidade. A unidade atende 490 crianças da Pré-Escola ao 5º ano do Ensino Fundamental. Dessas, sete estudantes com idades entre cinco e nove anos possuem deficiência auditiva. Além disso, atuam 29 professores e mais quatro intérpretes que auxiliam na rotina das turmas. Entre os professores está Talita Nunes Francisco, que também é surda.

– Há casos em que a mãe é surda e o filho não, e a família procura a escola por esse motivo, por conseguir o atendimento adequado. Isso porque toda a escola aprende Libras, desde quem faz o serviço braçal até quem atua na área administrativa – completa a secretária de educação Sônia Fachini.

Toda a estrutura da escola foi adaptada para os alunos. Desde as sinalizações nas portas e bebedouros, os horários de aulas readequados em Libras e até o sinal que avisa trocas e intervalos: acende-se um alerta luminoso e, para os ouvintes, o efeito sonoro é música.

O último Censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2010, apontou que 9,7 milhões de pessoas têm deficiência auditiva no Brasil. Desses, 2,1 milhões apresentam deficiência severa, ou seja, perda entre 70 e 90 decibéis (dB). Pelo menos um milhão são jovens de até 19 anos. Em Santa Catarina, ainda de acordo com o mesmo Censo, o número de pessoas somava mais de 131 mil e, em Joinville, há nove anos o número ultrapassava oito mil pessoas surdas.

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