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Segurança

Escolas estaduais terão redução de vigilantes

Profissionais cumprem aviso prévio enquanto comunidade escolar se preocupa com o problema

16/03/2016 - 05h22

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Por Redação NSC
Viviani Torrens, única vigilante de escola em Forquilhas, só fica até o dia 30 de março
Viviani Torrens, única vigilante de escola em Forquilhas, só fica até o dia 30 de março
(Foto: )

Em meio a crescente onda de violência no Estado, casos de vandalismo em escolas e assaltos a alunos na porta de instituições, a notícia de que a única vigilante responsável pela segurança da Escola Estadual Valdete Luci Porto, no bairro Forquilhas, em São José, recebeu aviso prévio preocupou a direção, pais e alunos da unidade, que atende 420 alunos do 1º ao 9º ano.

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Na última quinta-feira, a vigilante Viviani Torrens chegou para trabalhar na escola e o fiscal da empresa terceirizada pela qual atua já estava esperando com seu aviso de demissão:

— Fui pega de surpresa. Fiquei muito nervosa com a situação, mas ele explicou que não era só eu, que o governo tinha determinado que iriam diminuir as vagas de vigilantes nas escolas e não tinha outro posto para mim. Agora estou cumprindo o aviso até o dia 30 de março, mas é uma situação péssima, porque também moro aqui na comunidade, a gente se apega às crianças, gosto da função — lamentou.

Estupro de professora motivou contratação

Foi pela própria Viviani que a diretora Maria de Fátima Velter ficou sabendo que escola iria perder a vigilante que conquistou em 2013, após uma professora ser estuprada depois de sair da escola:

— Conseguimos um vigilante com muito custo depois dessa história horrível que aconteceu uma professora nossa. Temos câmeras compradas com dinheiro arrecadado na comunidade que não estão funcionado, pois não temos como fazer a manutenção. Com a chegada da vigilante, a situação melhorou muito. Estamos em um local afastado, sem muitos vizinhos próximos, ao lado de bairros que tem muita criminalidade, então tínhamos casos de invasões, traficantes aqui em frente, brigas entre alunos, coisas que diminuíram muito. Por mais que ela não seja a responsável por tudo isso, na prática acaba se envolvendo, só a presença dela inibe a ação de gente mal intencionada — explica.

A diretora conta que procurou a Secretaria de Estado de Educação para saber os motivos do fechamento do posto, mas ainda não recebeu uma resposta oficial.

Escola arrombada duas vezes

Situação parecida também aconteceu na Escola Estadual Irineu Bornhausen, no Estreito. A escola conta com dois vigilantes terceirizados_ um faz o turno das 6h às 14h e outro das 14h às 22h _ e um dos funcionários informou a direção que também recebeu o aviso prévio na última semana.

_ Estamos sem saber o que fazer, pois não recebemos nada oficial ainda. Em dezembro tivemos um arrombamento, fevereiro outro. Se ficar mais tempo sem vigilante a escola vai ficar ainda mais vulnerável _ diz um funcionário que prefere não se identificar.

Comunidade escolar pede a permanência

Assim que a notícia da demissão da vigilante se espalhou na Escola Estadual Valdete Luci Porto, a comunidade escolar começou a se mobilizar para pedir que a escola não fique sem segurança. A merendeira da escola e mãe de duas alunas, Cristina Kock, organizou um abaixo-assinado junto com outros pais e em poucos dias coletou cerca de 200 assinaturas:

— A escola já fica mais afastada do bairro, então tem mais riscos. A vigilante controla o portão, vê quem entra e quem sai. Como ela trabalha das 11h às 17h, a gente já pensava em se mobilizar para pedir que tivesse mais um vigilante para cobrir todo o horário quando recebemos essa notícia. Espero que a gente consiga reverter essa decisão — disse.

Aline de Fátima Alves, mãe de uma aluna de sete anos, também está preocupada com a situação:

— Fico muito preocupada, todo mundo sabe que a violência está cada vez pior. Semana passada teve tiroteio perto da escola, sem vigilante fica muito mais fácil de qualquer um entrar.

Enquanto as escolas não recebem nenhuma posição oficial da Secretaria de Estado da Educação, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sinte) está fazendo um levantamento para saber quais escolas irão perder vigilantes depois que começou a receber reclamações.

— Recebemos alguns relatos e uma notícia não oficial de que o número total de vigilantes na rede seria reduzido pela metade. Agora vamos enviar um ofício à Secretaria de Educação para cobrar explicações. Somos contra a terceirização do serviço, mas as escolas e os alunos não podem ficar desprotegidos. Então que o Governo faça um concurso público para repor esses postos — diz Marcelo Serafim, da diretoria do Sinte.

Governo afirma que não há redução, e sim remanejamento

Por meio da assessoria de imprensa, a Secretaria de Estado da Educação informou que não vai haver redução de postos de vigilantes, mas um remanejamento para outras escolas, levando em conta questões de vandalismo e outros problemas em 2015. Atualmente o contrato com a empresa terceirizada possui 231 postos de 8, 12, 16 e 24 horas, que serão mantidos.

Segundo a Secretaria, a vigilância humana é mais um recurso em atendimento ao controle de entrada de pessoas nas escolas, não inibindo os atos de vandalismo ou roubo. O órgão afirma que 100% das escolas são atendidas com vigilância eletrônica, que engloba sensores e câmeras.

Sobre as escolas mencionadas na reportagem, a SED informou que na Irineu Bornhausen passa de 14 sensores para 17 sensores com monitoramento eletrônico de 24 horas e um posto de vigilância de 16h para um de 8h. Na Valdete Luci Martins Porto, sai o vigilante de 6 horas e ganha 10 sensores com monitoramento eletrônico de 24 horas.

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