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    Cidadania além do voto

    Especialistas apontam que a informação é a base para exercer direitos e deveres antes e depois das eleições

    05/09/2014 - 06h03

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    Por Redação NSC

    Sempre que um processo eleitoral se aproxima a palavra cidadania ganha destaque nas discussões. No dicionário, a definição é simples: qualidade ou estado de cidadão. Porém, nem sempre as pessoas praticam ou entendem a participação social e, por isto, o voto se tornou o símbolo máximo do exercício da cidadania. Mas é possível atuar como cidadão fora das eleições? Sim, e o primeiro passo é estar informado.

    O cientista social da Furb Jorge Gustavo Barbosa de Oliveira afirma que as pessoas precisam ter conhecimento sobre o que acontece na sua região, no país e no mundo para entender os reflexos das ações na sua vida - e poder desenvolver opiniões baseadas em fatos.

    - Sem informação a pessoa não consegue fazer muita coisa, seja para escolher alguém ou para cobrar de quem elegeu. O cidadão tem que sempre se manter informado e acompanhar a vida do representante eleito.

    Portais da transparência

    Uma das ferramentas disponíveis para o cidadão/eleitor é o Portal da Transparência. A Lei de Acesso à Informação determina a divulgação de dados públicos na internet. Para o coordenador da Comissão da Moralidade Pública da Ordem dos Advogados do Brasil subseção Blumenau, Jorge Leandro Lobe, estas páginas são meios importantes de informação:

    - Os portais estão em processo de implantação e aperfeiçoamento, então ainda existe dificuldade de acesso, mas sentimos que estão evoluindo. Existem alguns, principalmente os federais, com acessibilidade mais fácil, amigáveis, intuitivos e com grande volume de dados. As entidades estaduais e municipais têm mais dificuldade, mas estão evoluindo.

    Para o professor de Ciências Sociais da Unisul Valmir Passos, além de monitorar dados públicos, as pessoas precisam integrar movimentos sociais, ficar atentas aos partidos e se preocupar com o antes, o durante e o depois da eleição.

    - Muitos deixam de fiscalizar o exercício do cargo público pois acreditam que a responsabilidade não é nossa, mas é.

    Veja como exercer sua cidadania além da eleição:

    Antes

    - Informe-se

    A melhor forma de exercer a cidadania é estar informado, mas para aproveitar a enxurrada de dados é preciso se conhecer socialmente.

    - O cidadão tem que descobrir que lugar ocupa na sociedade para identificar interesses e ir em busca deles - analisa o cientista social Jorge Gustavo Barbosa de Oliveira.

    - Diversifique as fontes

    Oliveira recomenda diversificar as fontes para ter opinião embasada e não só repetir ideias sem reflexão:

    - A seletividade das fontes é necessária, mas é fruto do amadurecimento. É importante gastar tempo lendo sobre assuntos variados. Política não é questão de gosto, é circunstância da vida coletiva.

    - Ferramentas

    Portais como o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar, páginas da Câmara dos Deputados, Senado Federal, Palácio do Planalto, Assembleia Legislativa, prefeituras, Câmaras municipais e veículos de comunicação.

    Durante

    - O perigo na hora do voto

    Para Jorge Gustavo a informação norteia a decisão do eleitor. Sem ela a escolha se torna complicada, pois não se conhece as opções. Com dados deturpados ou apenas uma visão a definição é prejudicada. Ele atenta para outro problema da desinformação: a corrupção.

    - O político é um representante de uma classe que foi para lá porque foi escolhido. Ele tem poder concedido. Agora, quando o eleitor vende o voto, o (político) que comprou faz o que quer - analisa.

    - Fique de olho nas campanhas

    O professor de Ciências Sociais da Unisul Valmir dos Passos alerta que na hora do voto é importante não se deixar influenciar pela imagem vendida na mídia.

    - É preciso conhecer a história do partido, o posicionamento do candidato e suas práticas.

    - Ferramenta

    O voto consciente e embasado.

    Depois

    - Monitore

    Acompanhe o representante eleito. O coordenador da Comissão da Moralidade Pública da Ordem dos Advogados do Brasil subseção Blumenau, Jorge Leandro Lobe, reforça que ferramentas há:

    - A Lei de Acesso à Informação estabelece às entidades a obrigação de fornecer informações fiscais. As pessoas precisam saber acessá-las.

    - Cobre e denuncie

    Além de monitorar o trabalho do político eleito é preciso cobrar. O especialista Valmir Passos aponta que após votar as pessoas esquecem de fiscalizar e não assumem responsabilidade pelo voto dado.

    - Para exercer a cidadania é preciso ser vigilante, mas nada de se eximir na hora de cobrar. Para isto, denuncie ao Ministério Público ou recorra à imprensa.

    - Ferramentas

    Portais da transparência, Lei de Acesso à Informação, controladorias, Tribunais de Contas dos Estados e da União, Ministério Público e força coletiva dos movimentos sociais e comunitários.

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