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Segurança

Especialização contribui para queda no número de mortes violentas em Joinville 

Cidade conta com delegacia especializada em homicídios desde 2016, e em julho do ano passado passou a contar com vara específica para julgamento destes crimes

01/04/2019 - 08h03 - Atualizada em: 01/04/2019 - 08h13

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Gabriela
Por Gabriela Florêncio
(Foto: )

Joinville registra o início de ano com menor número de assassinatos desde 2015. A diminuição chega a 30,3% no registro, na comparação entre os primeiros trimestres de 2015 e 2019. Um dos fatores apontados pelos órgãos de segurança param a queda é a especialização, tanto na polícia quanto no Judiciário.

Estatísticas do Fórum de Segurança Pública mostram que, em 2016, ano de implantação da DH, a taxa de homicídios na cidade chegou a 24,8 casos para cada grupo de cem mil habitantes. Dois anos depois, em 2018, o indicador diminuiu para 14,61, representando queda de mais de 10% entre os dois períodos.

Assim como ocorreu na Polícia Civil, agora o Poder Judiciário também conta com uma vara especializada para analisar os processos e realizar os julgamentos dos crimes contra a vida em Joinville. A vara foi implantada no fim de julho de 2018, depois da identificação da demanda de mais de 600 procedimentos pendentes deste crime. Antes, os delitos contra a vida dividiam espaço em juízos com outros crimes.

O juiz Gustavo Henrique Aracheski, à frente do juizado desde novembro de 2018, analisa que a especialização na investigação e no julgamento dos homicídios trouxe mais rapidez ao processo e mais qualidade ao sistema. Os autores são indiciados e julgados com mais celeridade, diminuindo a sensação de impunidade.

— Ficar sem uma resposta por parte do Estado em relação à conduta praticada faz com que pessoas incidam no crime. Para a comunidade que vivenciou, passa a sensação efetiva de impunidade — afirma o juiz.

Trabalho integrado e tecnologia

A agilidade é o principal ganho da especialização nos procedimentos pós-crime, que vai do trabalho da Polícia Militar (PM), passa pela Civil, IGP e Ministério Público até chegar aos trâmites do Judiciário. Entretanto, na opinião do juiz Gustavo Henrique Aracheski, como é recente a criação da vara do júri, a queda atual nos registros de homicídios tem relação direta com a criação da DH e o trabalho ostensivo da Polícia Militar.

O magistrado também cita que a integração entre todos os órgãos de segurança é fundamental para diminuição nos indicadores.

— Cada passo faz parte do sistema penal. Por exemplo, se a PM, que é a primeira a chegar à cena do crime, não cuidar das provas, acaba prejudicando outras etapas deste processo. Por isso que é importante este entendimento, do trabalho integrado e especializado — afirma o magistrado.

O delegado Dirceu corrobora com a opinião do juiz e reforça que, para a efetividade de investigação da polícia judiciária, a instauração da Vara do Tribunal do Júri foi essencial.

— Como temos foco em um crime único, o diálogo é permanente, fazendo um alinhamento nos processos criminais. Isto não quer dizer que tudo que mandamos ao Fórum, o juiz determina; pelo contrário, cada um faz a sua função, mas focado no mesmo crime — pontua o delegado.

Ele ainda aponta que a tecnologia é aliada para a diminuição os crimes, como, por exemplo, a extração de dados de celulares e computadores nos laudos elaborados pelo IGP.

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