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Falta de água

Estiagem persiste e agência reguladora cobra plano emergencial da Casan

Há um mês, falta água em diferentes pontos da Grande Florianópolis, sem previsão de melhora

12/08/2019 - 20h21 - Atualizada em: 12/08/2019 - 20h47

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Por Guilherme Simon

A Agência de Regulação de Serviços Públicos de SC (Aresc) cobrou um plano emergencial da Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan) para o abastecimento de água na Grande Florianópolis. A estiagem, que já dura mais de um mês na região, tem afetado os moradores com abastecimento de água intermitente em diferentes bairros.

O plano emergencial deveria ter sido entregue até a última sexta-feira (9), mas a Casan pretende apresentá-lo ao longo desta semana, informou a NSC TV. Na manhã desta terça-feira (13), engenheiros da companhia farão uma coletiva de imprensa para falar sobre a operação dos sistemas de abastecimento.

Por meio da assessoria de imprensa, a Casan admitiu à reportagem que não possui um plano emergencial para períodos de estiagem, mas informou que está adotando, desde junho, um plano de ações para situações atípicas. A medida, conforme a assessoria, é semelhante à adotada em períodos da alta temporada, como no Réveillon, quando a população da região de Florianópolis aumenta significativamente.

O plano consiste no monitoramento presencial, ponto a ponto, de reservatórios, bombas, redes adutoras, captação e estações de tratamento. A partir da avaliação realizada nos monitoramentos, a Casan tem feito o redirecionamento de volumes e pressão de água para os locais que registram problemas de abastecimento.

A estatal também pontuou que a vazão na rede de abastecimento teve diminuição de 18% nos últimos dias devido à estiagem e que aumentou em 200 litros por segundo a captação do Rio Cubatão, que não foi tão afetado pela falta de chuva. Também afirmou que tem fornecido carros-pipa, mas que a prioridade são hospitais, postos de saúde, creches, escolas e presídios.

Falta de água motiva protesto

Nesta segunda-feira (12), foram registrados problemas de abastecimento em Biguaçu, no bairro Três Riachos, e em Florianópolis, no bairro Pantanal. Muitos condomínios têm recorrido a caminhões-pipa para suprir a falta de água.

Em Palhoça, moradores fizeram nesta segunda uma manifestação em frente à Secretaria Executiva de Saneamento (Samae), responsável pelo abastecimento na cidade, que compra água da Casan. Na quinta-feira passada, a prefeitura chegou a decretar situação de emergência na cidade por conta do desabastecimento.

No fim da tarde desta segunda, a prefeitura de Palhoça informou que está "adotando medidas administrativas para manter os níveis de abastecimento da melhor forma possível e amenizar situações pontuais". Também informou que os pontos onde o abastecimento é mais crítico são a parte mais elevada do bairro São Sebastião, bairro Alto Aririú, e os loteamentos Jardins I, II e III, na região mais alta do bairro Bela Vista.

De acordo com a assessoria da Casan, entre os bairros mais vulneráveis a problemas de abastecimento, estão os mais altos das cidades de Biguaçu e São José, e aqueles que são abastecidos pela chamada "ponta de rede" em Florianópolis, que são Itacorubi, Pantanal, Carvoeira e Trindade, e locais dos bairros Monte Cristo e Jardim Atlântico, estes no Continente.

Política de abastecimento deve ser repensada, diz especialista

O presidente da Associação Catarinense de Engenheiros Sanitaristas e Ambientais (Acesa), o engenheiro Vinicius Ragghianti, acredita que a situação enfrentada com a estiagem pode servir como ponto de partida para que o Estado reveja a política de abastecimento.

— Em outros estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, onde geralmente a demanda por água é muito grande, são usados reservatórios para o abastecimento. Aqui, nunca levantamos a hipótese de criar um, mas talvez essa seja uma das soluções possíveis.

Além disso, o engenheiro também cita que outro ponto que pode ser revisto é a quantidade de vazão permitida nos rios, que é uma outorga do governo do Estado. De acordo com o engenheiro, em Santa Catarina o volume é baixo se comparado a outros estados do país.

— Além disso, há a questão de perdas de água nos sistemas, aquela que se perde pelo caminho, que hoje está em 40%. É claro que não dá pra se pensar em zerar essa perda, mas diminuir para um índice de 30% é algo razoável. É preciso investir para que isso aconteça — finaliza.

Semana com pouca chuva em SC

Segundo a Epagri Ciram, até domingo (18), duas frentes frias de fraca intensidade devem se deslocar por Santa Catarina, provocando chuva mal distribuída e com valores pouco significativos. Pode chover hoje no Estado, com médias que variam entre 5 e 15 milímetros, números insuficientes para abastecer os mananciais.

De acordo com comunicado emitido pela Epagri/Ciram, "essa condição meteorológica deve agravar a estiagem, pois atualmente existem 14 estações hidrológicas em situação de alerta e emergência".

Nesta terça (13), na Capital, a previsão do tempo indica céu encoberto e possibilidade de chuva. As temperaturas ficam entre 10°C e 17°C. Na quarta, o sol volta a predominar. Na quinta, ele também prevalece, mas há chance de chuva no início e fim do dia. Já na sexta-feira, a previsão é de sol entre poucas nuvens.

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