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Estudantes de SC ganham prêmio por aplicativo que ajuda mulheres a denunciar agressões

Acadêmicos de direito de Jaraguá do Sul, no Norte do Estado, foram premiados no Global Legal Hackaton

03/05/2019 - 19h00 - Atualizada em: 04/05/2019 - 15h19

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Por Samuel Nunes
Grupo participou do evento no mês de fevereiro, em Jaraguá do Sul
Grupo participou do evento no mês de fevereiro, em Jaraguá do Sul
(Foto: )

Um grupo de estudantes do curso de direito da Faculdade Anhanguera, de Jaraguá do Sul, no Norte de Santa Catarina, foi premiado em um concurso de desenvolvedores de programas de computador. Os acadêmicos criaram um aplicativo que recebe e encaminha denúncias de agressões sofridas por mulheres.

O programa foi desenvolvido por calouros do curso, durante o Global Legal Hackaton, um evento promovido pela seccional de Jaraguá do Sul, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), e com a participação de pessoas de todo o mundo. Os estudantes catarinenses ganharam a etapa que ocorreu na cidade, entre os dias 22 e 24 de fevereiro. Como prêmio, receberam R$ 3 mil pela ideia apresentada.

O aplicativo se chama Eva Bot. O nome faz referência à jovem Eva Luana da Silva, da Bahia, que, no início deste ano, ficou conhecida depois de ter denunciado os abusos que sofria do padrasto.

A ideia é que o Eva Bot seja usado em plataformas de conversas já existentes no mercado, como o WhatsApp e o Facebook Messenger. Segundo os idealizadores, um robô irá dar instruções às vítimas sobre onde e como buscar ajuda para casos de abusos e agressões físicas ou psicológicas. Para isso, uma rede de profissionais deve atuar para programar as respostas que o programa deverá dar às pessoas que buscarem o serviço.

Além dos acadêmicos, o grupo que desenvolveu o Eva Bot também conta com profissionais já formados em direito, um programador e um designer. Todo o programa e a pesquisa foram desenvolvidos em apenas 54 horas.

Segundo a estudante Pâmela Carlet, ela e outros dois colegas foram selecionados pela faculdade para participar do evento. Para ela, a oportunidade de atuar com profissionais já experientes rendeu não só o prêmio, mas a primeira vaga de estágio. Além disso, a jovem diz que o hackaton ajudou a abrir a cabeça para outras possibilidades de atuação dentro da área.

— É exatamente aí que a gente descobre que o mundo jurídico vai muito além. A gente tem uma cabecinha fixa de que é só leitura e escrita. Tem muito mais coisas por trás disso tudo. É um leque de opções.

Pesquisa com vítimas

Durante o fim de semana em que produziram o aplicativo, os participantes tiveram a oportunidade de conhecer pessoas vítimas de violência. De acordo com o advogado Frederico Carlos Barni Hulbert, que também integrou a equipe, eles entrevistaram mais de 90 pessoas. Dessas, cerca de 70% tinham sido vítimas ou conheciam alguma mulher que já havia sido agredida.

— Antes do evento, a gente imaginava que esses casos eram em uma a cada quatro ou cinco pessoas, mas percebemos que, na verdade, são duas a cada três — explica o profissional, que já atua há 16 anos no direito.

Pâmela contou ainda que, entre as entrevistas, o grupo passou por algumas situações inusitadas. Uma das vítimas acabou reconhecendo o agressor na rua.

— A gente estava conversando com ela, o rapaz saiu da farmácia e ela pediu para mudar de assunto — lembra.

Futuro do projeto

O objetivo do grupo é levar a iniciativa adiante. Para isso, estão em busca de registrar uma empresa e buscar patrocinadores. A intenção é criar uma ONG, que possa receber ajuda de voluntários de várias áreas, para auxiliar no acolhimento às vítimas.

Para chegar lá, os idealizadores do Eva Bot abriram um espaço de captação de recursos pela internet. Interessados em ajudar na causa podem fazer doações para que o grupo possa finalizar e colocar em funcionamento a plataforma ainda neste ano. Quem quiser entrar em contato com os idealizadores também pode acessar o Instagram oficial do projeto, que contém as informações do grupo.

De acordo com Hulbert, o objetivo é angariar ao menos R$ 90 mil, para terminar a programação e montar a infraestrutura necessária para acolher as vítimas de violência e encaminhá-las ao melhor atendimento possível.

— A ideia é conectar todos esses órgãos [polícia, Ministério Público e Judiciário], mas também e principalmente o nível de informação que as pessoas vítimas devem receber. Psicólogos, médicos, aconselhadores, poderão participar — afirma.

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