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    Ex-governadores de Santa Catarina relembram as emoções ao tomar posse

    Esperidião Amin (PP) e Raimundo Colombo (PSD) relataram ao Diário Catarinense as lembranças das ocasiões em que foram empossados

    31/12/2018 - 10h10 - Atualizada em: 31/12/2018 - 10h51

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    Aramis
    Por Aramis Merki
    (Foto: )

    O primeiro ato como mandatário do Executivo de Santa Catarina: a cerimônia de posse. Os poucos que passaram pela tradição não esquecem das emoções, da tensão e da responsabilidade que receberam naquele dia. No instante em que o ritual se encerra, começa oficialmente a nova gestão. Os ex-governadores Esperidião Amin (PP) e Raimundo Colombo (PSD), que ao lado de Luiz Henrique da Silveira (PMDB), falecido em 2015, são os únicos eleitos por duas vezes ao cargo desde a instituição do voto direto, em 1982, relataram ao Diário Catarinense as lembranças das ocasiões em que foram empossados.

    As duas eras de Amin: “Vivi emoções singulares”

    Roberto Scola
    (Foto: )

    Esperidião Amin Helou Filho (PP) foi eleito governador de Santa Catarina duas vezes, em 1983 e em 1999. No primeiro mandato, foi o mais novo a assumir o cargo, com 35 anos de idade. Pelo Partido Democrático Social (PDS, que deu origem aos atuais PP e DEM), disputou contra Jaison Barreto (PMDB) e ganhou com uma vantagem de 12.650 votos. Era a primeira eleição direta para governador depois de 18 anos. Seu antecessor, Henrique Córdova, havia sido eleito como vice de Jorge Bornhausen de forma indireta, pela Assembleia Legislativa, em 1978.

    Além de o mandato ter a missão de acompanhar a abertura nacional à democracia, conduzida pelo então presidente e general João Figueiredo, Amin enfrentou o desafio das maiores enchentes que o Estado registrou, as de 1983 e 1984.

    O governador eleito já havia sido prefeito da Capital, de 1975 a 1978, e deputado federal, em 1978, mas daquele 15 de março de 1983 recorda sentir a expectativa e o peso da responsabilidade:

    "Das duas posses, [a primeira] certamente, foi a mais emocionante! Duas conversas ‘ao pé do ouvido’ marcaram aquele dia 15/3/83: a primeira, da minha mãe, filha de italianos do vêneto, nascida - porque os pais fugiram da 1ª Grande Guerra - no Cantão Turgal, Suíça, pediu ‘faz o bem para quem nos acolheu tão bem!’; A segunda, do ‘senador’ Alcides Ferreira: ‘Esperidião, nunca uses a caneta para fazer o mal a alguém!’. Creio que atendi os dois apelos”.

    Antes de comandar o Estado pela segunda vez, de 1999 a 2003, Amin foi eleito prefeito de Florianópolis em 1988 e senador da República em 1990. Na disputa pelo governo em 1998, venceu no primeiro turno Paulo Afonso Vieira (PMDB), que tentava a reeleição.

    Porém, o senador eleito em 2018, há 50 anos na vida pública, diz que mais marcantes do que as duas vezes em que foi empossado foram as “desposses” – quando transmitiu o governo à gestão de adversários: para Pedro Ivo Campos (PMDB), em 1987, e Luiz Henrique da Silveira (PMDB) em 2003.

    Colombo após vitórias em primeiro turno: “a presença dos meus pais me marcou”

    Julio Cavalheiro
    (Foto: )

    Raimundo Colombo venceu as eleições de 2010 e 2014 em primeiro turno. Na primeira vez, desbancou Angela Amin (PP) e Idelli Salvatti (PT) com 52,71% dos votos válidos. Na reeleição, foram outros 51,36%, derrotando Paulo Bauer (PSDB) e Claudio Vignatti (PT).

    Antes de se tornar inquilino pela primeira vez da Casa d’Agronômica, Colombo já tinha sido deputado estadual (1987-1988), deputado federal (1999-2000), prefeito de Lages (1989-1992 e 2001-2006), além de senador entre 2007 e 2010.

    Nas duas gestões, enfrentou o aumento da criminalidade em Santa Catarina, no combate a facções criminosas, e manteve o controle das contas públicas na maior crise econômica da história recente do país.

    Instantes antes do sucessor Carlos Moisés da Silva (PSL) ser empossado como novo governador de Santa Catarina, Colombo reflete sobre o momento e afirma que a apuração dos votos lhe despertou maior emoção, até mesmo do que o juramento na Assembleia, quando efetivamente começa a governar. Das cerimônias de posse para o governo estadual, reforça que a lembrança maior é a da responsabilidade:

    “O momento da posse é mais uma formalidade, um cumprimento de algumas características de uma solenidade. Então o que foi importante nesse momento pra mim, que me marcou, foi a presença dos meus pais. Nós somos em dez irmãos e meu pai já estava com problema de saúde. Ele foi uma pessoa muito importante na minha vida e tenho certeza que ele tinha muito orgulho de ver o filho vivendo aquele momento. Então lembro bem disso, da presença dele, das palavras que ele disse pra mim. E da presença da minha mãe também, de todo mundo, os amigos”.

    Todo o formalismo da solenidade gera tensão. Este nervosismo é uma das lembranças de Colombo dos dois dias 1º de janeiro em que foi empossado governador de Santa Catarina.

    “Você tem que ir à assembleia e fazer o discurso, então você fica muito tenso. Você não percebe detalhes.

    O primeiro dia envolve mais a responsabilidade. É um simbolismo que envolve a missão que você assume, que caracteriza a missão. Ele dá a noção do que você vai fazer e as circunstâncias que vai viver.

    É um processo simbólico. No dia da posse é basicamente a tensão dos eventos que você participa. Mas você faz meio que com o piloto automático ligado, porque tem uma carga de emoção nesse processo”.

    Mas é a cada evento oficial na semana da posse que a liturgia do cargo e as missões ficam mais evidentes, segundo o ex-governador:

    “No dia depois da posse você vai participar de algumas solenidades. Eu lembro que a primeira que fui foi a posse do comando militar, tinha a cavalaria aguardando. Quando você participa das solenidades começa a cair a ficha. E você vai sentindo realmente que está atuando na missão que você recebeu. Você já está mais solto, está mais comunicativo, está sentindo a força da responsabilidade, é um momento completamente diferente do que da posse”.

    Desde o fim do primeiro turno das eleições, em 7 de outubro, Colombo tem estado recluso e discreto. Os planos de se eleger ao Senado não se concretizaram: ficou em quarto lugar na votação geral para as vagas ocupadas por Esperidião Amin (PP) e Jorginho Mello (PR). Mas nesta, que foi a primeira entrevista após a derrota nas urnas, afirmou preparar o retorno à vida pública em breve.

    Governadores da redemocratização

    Galeria dos chefes do Executivo estadual eleitos de forma direta em Santa Catarina, a partir de 1982:

    Edio Mello
    (Foto: )

    1983-1987

    Esperidião Amin

    Partido Democrático Social - PDS

    Posse: 15 de março de 1983

    Na imagem acima, o governador Amin visita o Morro do Mocotó, na Capital, com o ministro Mário Andreazza

    Tarcísio Mattos
    (Foto: )

    1987-1990

    Pedro Ivo Campos

    Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB)

    15 de março de 1987

    Pedro Ivo (à direita na foto, no dia de sua posse) morreu em fevereiro em 1990 e o vice, Casildo Maldaner, governou até março de 1991

    Reprodução
    (Foto: )

    1991-1994

    Vilson Kleinübing

    Partido da Frente Liberal (PFL)

    15 de março de 1991

    Em 31 de março de 1994, Kleinübing se afastou para concorrer ao Senado. O vice, Antônio Carlos Konder Reis, governou até o fim do mandato. Na foto acima, Kleinübing discursa nos Jasc em 1992, em Joinville

    Acervo Pessoal Paulo Afonso Vieira
    (Foto: )

    1995-1998

    Paulo Afonso Vieira

    Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB)

    1º de janeiro de 1995

    Roberto Scola
    (Foto: )

    1999-2003

    Esperidião Amin

    Partido Progressista Brasileiro (PPB)

    1º de janeiro de 1999

    Na imagem, Amin acena para a população em janeiro de 1999

    Flávio Neves
    (Foto: )

    2003-2006

    Luiz Henrique da Silveira

    PMDB

    1º de janeiro de 2003

    LHS se afastou para disputar a reeleição e deixou o cargo para Eduardo Pinho Moreira. Na foto, LHS com o diretor da Fiesc, Alcântaro Corrêia, e Moreira

    Hermínio Nunes
    (Foto: )

    2007-2010

    Luiz Henrique da Silveira

    PMDB

    1º de janeiro de 2007

    Na foto, o dia da diplomação de LHS e Leonel Pavan (PSDB). Em 2010, para se candidatar ao Senado, Luiz Henrique cedeu a cadeira de governador a Pavan.

    Guto Kuerten
    (Foto: )

    2011-2014

    Raimundo Colombo

    Democratas (DEM)

    1º de janeiro de 2011

    Colombo repete a façanha de Amin em 1998 e se elege em primeiro turno ao governo. Na imagem, recebe o cargo de Leonel Pavan.

    Alvarélio Kurossu
    (Foto: )

    2015-2018

    Raimundo Colombo

    Partido Social Democrático (PSD)

    1º de janeiro de 2015

    Elegeu-se de novo em primeiro turno em 2014. Em 16 de fevereiro deste ano, licenciou-se para concorrer ao Senado. O vice, Eduardo Pinho Moreira (MDB), assumiu o governo.

    Diorgenes Pandini
    (Foto: )

    2019-2022

    Carlos Moisés

    Partido Social Liberal (PSL)

    1º de janeiro de 2019

    Eleito no segundo turno com 71,09% dos votos, toma posse nesta terça-feira para mandato de quatro anos. Na imagem, a diplomação para o cargo em 18 de dezembro.

    Leia também:

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