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Evento

Ex-ministro da Fazenda fala sobre perspectivas da economia para 2019 durante a Expogestão, em Joinville

Mailson da Nóbrega abordou a necessidade da aprovação da reforma da Previdência e os desafios do presidente Jair Bolsonaro

14/05/2019 - 21h55 - Atualizada em: 14/05/2019 - 22h03

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Hassan
Por Hassan Farias
(Foto: )

O economista e ex-ministro da Fazenda, Mailson da Nóbrega, encerrou o primeiro dia de programação da Expogestão, que acontece em Joinville. Ele fez uma leitura do cenário econômico brasileiro e mostrou quais são as perspectivas para 2019, levando em consideração o contexto interno, com a possibilidade de ser aprovada a reforma da Previdência, e o externo, com o embate comercial entre China e Estados Unidos.

Na avaliação do especialista, existem dificuldades para a recuperação da economia, o início do ano foi muito ruim e a indústria - com papel muito importante na economia brasileira - tem sofrido bastante. Por outro lado, ele pontuou que a taxa de juros está baixa, a inflação sob controle e o país está em uma caminhada para ter juros cada vez mais baixos.

— Se a gente considerar as conquistas que o país já fez e como isso pode ser usado como uma nova plataforma de crescimento na economia, o Brasil pode ser um país muito viável economicamente —garantiu.

Conjuntura atual

Na apresentação da conjuntura atual, o ex-ministro da Fazenda apontou que a atividade econômica foi muito fraca no início de 2019 e as expectativas não se confirmaram. Segundo ele, algumas mais pessimistas mostram que o PIB terá um crescimento negativo no primeiro semestre. Mailson também mostrou que as estimativas de crescimento foram revistas, com a tendência de ser de 1,6%, enquanto no início do ano era de 2,5%.

Entre as causas, foram citados alguns fatores externos, como a desaceleração da economia mundial e a crise na Argentina - principal destino dos bens de capital produzidos no Brasil. Também foram destacados os fatores internos para esse início de ano ruim, como as incertezas políticas sobre a reforma da previdência, a recuperação lenta do emprego e o desastre de Brumadinho.

Diante desse contexto, Mailson apontou quais serão os desafios do governo de Jair Bolsonaro para conseguir recuperar a economia brasileira. Para ele, é necessário evitar a insolvência fiscal (relação entre dívida externa e o PIB), enfrentar a insolvência dos Estados e restaurar a produtividade do trabalhador.

Defesa da reforma da Previdência

Uma das principais medidas defendidas pelo economista para conquistar efetivamente a recuperação da economia é a aprovação da reforma da Previdência. Ele acredita que isso deve acontecer ainda neste ano.

— A reforma se tornou um consenso na opinião pública, os argumentos contrários se enfraqueceram, os governadores apoiarão a reforma porque ela é crucial para que os Estados resolvam os problemas fiscais, e a esquerda perdeu força política. Acredito que ela será aprovada em julho na Câmara e em outubro no Senado — explicou.

Avaliação do papel de Bolsonaro

No entanto, Mailson também apontou algumas dificuldades que podem surgir para atrasar a retomada da economia brasileira. Entre elas, está o risco de disputas comerciais entre os EUA e a China, o que pode gerar uma desaceleração grave na economia mundial. E também a ausência de articulação política do presidente com o Congresso e as dúvidas que existem sobre a capacidade de liderança de Bolsonaro, assim como de definir prioridades e gerir crises no governo.

— O risco é a perda de capital político de Bolsonaro se ele continuar errando. Sem uma articulação política adequada, isso pode começar a gerar derrotas no congresso e a principal seria o fracasso da reforma da previdência. Hoje eu considero esse risco baixo - completa.

Mesmo assim, a projeção do economista é de que o crescimento do PIB seja de 1,6% neste ano e aumente para 2,6% no próximo ano. No entanto, a taxa de desemprego deve ser de 11,9% e cair para 11,6% em 2020, mas sempre acima dos 12 milhões de brasileiros.

Sobre o palestrante

Mailson da Nóbrega presidiu o Conselho Monetário Nacional e o Confaz. Foi Diretor-Executivo do European Brazilian Bank, em Londres e representou o Brasil no board de Governadores do Banco Mundial, do Fundo Monetário Internacional e do Banco Interamericano de Desenvolvimento. Destilou sua experiência e seus pensamentos em seis livros publicados, inclusive sua autobiografia. Eleito “Economista do Ano” pela Ordem dos Economistas do Brasil, em 2013, foi colunista de O Estado de S. Paulo e da Folha de S. Paulo. Atualmente, é colunista da revista Veja e mantém um blog na Veja online.

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