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    Operação Lava-Jato

    Ex-senador Gim Argello é denunciado por corrupção e lavagem de dinheiro 

    Ele está preso em Curitiba desde abril por indícios de que extorquiu propina de R$ 5,3 milhões para não indiciar empreiteiras em CPI

    06/05/2016 - 09h37 - Atualizada em: 06/05/2016 - 11h23

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    Por Redação NSC

    O Ministério Público Federal (MPF) denunciou o ex-senador Gim Argello (PTB-DF) por quatro atos de corrupção e também por lavagem de dinheiro. Ele foi preso em 12 de abril pela Operação Lava-Jato e cumpre prisão preventiva no Complexo Médico-Penal em Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba. Além dele, outras 19 pessoas foram denunciadas, em duas investigações distintas. Entre elas, o publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza (já condenado e cumprindo pena pelo Mensalão) e o empresário Ronan Maria Pinto.

    As denúncias contra Argello e Ronan foram formalizadas hoje em Curitiba e antecipadas por Zero Hora. Havia possibilidade de que também fosse denunciada por lavagem de dinheiro a jornalista Cláudia Cruz, mulher do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afastado ontem do cargo pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ela é suspeita de manter na Suíça contas não-declaradas às autoridades brasileiras. A denúncia foi adiada.

    Ex-senador foi preso em 12 de abril na 28ª fase da Operação Lava-Jato e desde então ocupa uma cela em Pinhais (PR)
    Ex-senador foi preso em 12 de abril na 28ª fase da Operação Lava-Jato e desde então ocupa uma cela em Pinhais (PR)
    (Foto: )

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    Argello foi indiciado no início desta semana pela Polícia Federal, também por corrupção, por evidências coletadas no inquérito de que ele pediu R$ 5 milhões em propina para a empreiteira UTC Engenharia e R$ 350 mil para a OAS. As duas empresas são investigadas na Lava-Jato. Os recursos foram enviados a partidos indicados por Gim – DEM, PR, PMN e PRTB – na forma de doações de campanha. Agora ele foi denunciado pelo MPF.

    Argello não nega ter repassado o dinheiro, mas diz que foram doações legais. Argello foi delatado nas colaborações premiadas do senador Delcídio Amaral (sem partido-MS), que está em prisão domiciliar, e do dono da UTC, Ricardo Pessoa. Os partidos beneficiados pelas doações de Argello formaram em 2014, junto com o PTB, a coligação "União e Força", pela qual Gim Argello era candidato a novo mandato de senador pelo DF. Ele não se reelegeu.

    O fato mais curioso da denúncia é um depósito em dinheiro feito pela OAS, R$ 350 mil, nas contas da Paróquia São Pedro, ligada à igreja católica no Distrito Federal. Teria sido uma doação a Argello, que indicou a conta a ser beneficiada, a de um templo do qual é frequentador e apoiador. A notícia foi antecipada por ZH no dia da prisão de Argello.

    Os R$ 350 mil foram depositados numa conta do banco Itaú mantida pela paróquia para manter um Centro de Apoio ao Tratamento de Alcoolismo. Os dados estão na ordem de prisão emitida pela 13ª Vara Federal de Curitiba contra Gim Argello.

    O dinheiro, segundo o Ministério Público Federal (MPF), foi repassado a Argello por José Aldemário Pinheiro Filho, o Leo Pinheiro, diretor da OAS (também denunciado hoje). Seria a contrapartida para o ex-senador não chamar integrantes da empreiteira para depor na CPMI da Petrobras - Argello era vice-presidente da CPMI em 2014. Leo Pinheiro apelidou Gim Argello de "Alcoólico", um trocadilho em relação à bebida gim.

    Outro denunciado neste caso, também por repasses irregulares de dinheiro a Argello, é o ex-presidente da empreiteira Odebrecht, Marcelo Odebrecht (já condenado pela Lava-Jato).

    A outra denúncia do dia tem como foco o empresário Ronan Maria Pinto, de Santo André (SP), preso pela Lava-Jato desde março. Ele é dono do jornal "Diário do Grande ABC" e de empresas do setor de transporte e coleta de lixo. Em 2015, o empresário foi condenado por envolvimento num esquema de cobrança de propinas na prefeitura da cidade, mas permaneceu solto, enquanto impetra recurso contra a decisão.

    Ronan Pinto é suspeito de ter recebido R$ 6 milhões do empréstimo realizado entre o pecuarista José Carlos Bumlai _ também preso pela Lava-Jato – e o Banco Schahin. O empréstimo, segundo o MPF, é fraudulento e foi pago por meio da contratação grupo Schahin como operador do navio-sonda Vitória 10.000, pela Petrobras, em 2009, ao custo de US$ 1,6 bilhão. Em depoimento a Procuradores da República, Marcos Valério, operador do mensalão, afirmou que parte do empréstimo obtido por Bumlai era destinado Ronan Maria Pinto, que estaria extorquindo dirigentes do PT para não publicar supostas informações que ligariam líderes petistas à morte do ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel (PT) . As informações não foram confirmadas até agora pelo MPF. Ronan nega qualquer complô a ele atribuído.

    Foram denunciados junto com Ronan o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, e o publicitário Marcos Valério, ambos já condenados no processo do Mensalão.

    *Zero Hora

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