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Profissão: Jornalismo

Faculdade de Jornalismo exige mais que gosto pela leitura e aptidão para escrita

Além de saber onde encontrar boas matérias, profissionais precisam saber investigá-las

08/07/2014 - 02h11

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Por Redação NSC
Luiza Morfim conheceu redação do DC para tirar dúvidas sobre carreira na área
Luiza Morfim conheceu redação do DC para tirar dúvidas sobre carreira na área
(Foto: )

Jornalista é um contador de história. Essa é a definição que mais se ouve nas salas de aula do curso de Jornalismo. O motivo é porque além de saber onde encontrar uma boa matéria, ele tem que saber investigá-la e contá-la. Por isso, gostar de ler e escrever é fundamental para o aspirante à profissão.

A oferta de cursos no Estado é grande: são 15 em jornalismo e 10 em Comunicação Social (habilitação em jornalismo). Entre eles, está o da UFSC, um dos mais conceituados por guias especializados e por profissionais da área. A repórter Sônia Bridi passou por aquelas salas.

Uma boa faculdade tem uma boa concorrência: ano passado foi o 12º curso mais disputado, com 13,08 candidatos por vaga - e são oferecidas apenas 60 oportunidades por ano.

A estudante do terceirão do Alpha Objetivo, Luiza Morfim, 17 anos, quer seguir a carreira e pretende prestar prova para a federal catarinense, mas tem dúvidas quanto o que a espera na rotina da profissão. Para ajudá-la, o colunista do DC, Marcos Espíndola, esclareceu os principais pontos e desafios da carreira.

- O processo de construção da notícia hoje em dia é mais dinâmico e interativo. A gente acaba se moldando nesse processo e tem que avaliar nosso papel como jornalista. A parte que vai receber essa informação não espera mais para receber e opinar, ela faz parte desse processo - comenta.

Confira como foi a conversa entre a vestibulanda e o colunista:

As dúvidas tiradas

Luiza Morfim - Eu vou começar pelo básico. Como é o salário?

Marcos Espíndola - O salário é uma das grandes questões. Não é das melhores diante da carga horária e de todo empenho que a atividade pede hoje. Mas assim como em outras profissões as pessoas não se sentem devidamente contempladas. Mas de certa maneira tem evoluído bastante.

À medida que você cresce na empresa, pode optar por se especializar em reportagem ou seguir para o cargo de editor e você tem um ganho - mas em compensação aumenta a carga de demandas de trabalho. A remuneração evoluiu bastante, mas é um fator considerado inibidor do ingresso de muita gente na profissão.

Luiza - Tem Variedades, Política, Economia. Como faz para escolher?

Espíndola - É uma questão de aptidão. Estou há 12 anos trabalhando na editoria de Variedades, no Diário Catarinense. Atuei na implantação das revistas de Verão e Donna, fui editor assistente e virei colunista da Contracapa faz oito anos. Comecei como repórter de sucursal, que é como a clínica geral, você faz tudo. Cobre Economia, Polícia, Esportes. Dali você vai definindo algumas áreas de atuação.

Sempre recomendo começar pela área de Geral, que é onde se está mais em contato com a comunidade, com o jornalismo, com a apuração local. Isso vai dando bagagem para escolher uma área que se tenha melhor aptidão. Vai muito das oportunidades que surgem, e não só do feeling do repórter.

Luiza - O jornal impresso vai ter que sofrer uma modificação?

Espíndola - Ele já está sofrendo. Não tem outro caminho para o jornal impresso a não ser migrar para a internet. Como vai ser o papel dele na internet? Tem que ser formas de interagir e atrair [os leitores]. O processo de construção da notícia hoje em dia é mais dinâmico e interativo. A gente acaba se moldando nesse processo e a gente tem que avaliar nosso papel como jornalista. A parte que vai receber essa informação não espera mais para receber e opinar, ela faz parte desse processo.

Luiza - Eu queria mais jornalismo porque me sinto entediada fácil. Como é rotina do repórter?

Espíndola - Como qualquer atividade, se você é suscetível a isso, tem que ter em mente sair da zona de conforto e buscar suas próprias pautas. Sobre a rotina: esquece feriado e fim de semana na sua vida. Você vai ter uns dois fins de semana por mês. No dia a dia são oito horas de trabalho, tem equipes que entram de manhã e outras à tarde. Em coberturas tem que trabalhar a noite ou vir de manhã, ou em função de uma reportagem vai passar dias e dias apurando, ou pegar o carro e passar uma semana fora.

Eu, por ser colunista, não precisaria vir para redação, mas eu gosto porque aqui tenho uma estrutura e também um convívio com os editores e repórteres. Mas eu tenho uma atividade muito forte fora daqui, porque eu saio daqui vou tomar um café com artista, visitar uma editora ou ir a um ateliê. Se não quiser rotina, você pode fugir totalmente dela.

Luiza - Tem muito essa coisa de entregar matéria pra amanhã?

Espíndola - No dia a dia geralmente é para hoje, porque estamos falando de um contexto com a internet. Às vezes a matéria não vai nem pro impresso, mas o material vai para o site. O factual acontece na hora, então, as informações que estão sendo produzidas precisam ser abastecidas em tempo real. Em algumas situações você pode usar um pouco mais de tempo se for uma matéria mais interpretativa ou contar bastidores de algum evento mais importante.

Luiza - O que o aluno pode fazer enquanto está na faculdade?

Espíndola - Na minha época não tinha muito pra onde correr, porque tinha a obrigatoriedade do diploma e o estágio era proibido. Mas eu lembro que pintavam brechas e todo mundo trabalhava. Hoje não tem mais a obrigatoriedade do diploma, apesar de muitas empresas, como a RBS, só contratarem repórteres graduados, e tem uma lacuna grande entre o que você aprende na universidade em relação ao que acontece no mercado, que tem prioridades mais urgentes.

A universidade está ali para produzir conhecimento, está mais no campo de discussão de ideia. A prática hoje está muito acessível, porque vai fazer algo por conta própria. As ferramentas estão mais acessíveis. Busque os melhores cursos e tente expandir outras formas de aprimoramento e formação.

Por dentro da profissão

:: DISCIPLINAS

O curso tem disciplinas teóricas e práticas. Nas teóricas, aulas de teorias de jornalismo e de comunicação, filosofia, sociologia e ética. Nas práticas, aulas de jornalismo especializado (esportivo, internacional, literário), redação e introdução aos diferentes meios (rádio, televisão, revista, jornal e online).

:: MERCADO DE TRABALHO

O mercado é bom e interessante. Está em expansão em alguns setores, principalmente para empreendedores que criam seu próprio negócio e para os assessores de imprensa. O aumento de qualidade das assessorias de imprensa tem promovido a maior absorção dos profissionais recém-formados, sendo uma das opções mais bem remuneradas.

:: OPÇÕES DE ATUAÇÃO

As mais tradicionais são trabalhar para uma empresa de comunicação em rádio, televisão, revista, jornal e sites. Pode atuar tanto como repórter, produzindo conteúdo para essas plataformas, como na produção, atrás das câmeras. Além disso, estão aptos para trabalhar como assessores de imprensa, consultores, empreendedores, freelancers.

:: DO QUE PRECISA GOSTAR

Gostar de ler e escrever é fundamental. Leitura crítica e consumo de boa informação ajudam na formação profissional. Ter curiosidade, gostar de aprender, ser ético, saber ouvir e questionar também são qualidades desejáveis. Conhecimentos de outros idiomas (principalmente inglês e espanhol) abrem portas e em algumas empresas é exigência para contratação.

:: RENDIMENTO INICIAL

O salário varia quanto à categoria e à localização (Capital ou cidades do interior), além de ser diferente para cada Estado brasileiro. Em Santa Catarina, o piso salarial definido pelo sindicato é de R$1.750 para cinco horas diárias, com possibilidade de contratação de duas horas-extras por dia.

Fontes: Professor Carlos Roberto Praxedes dos Santos, coordenador do curso de Jornalismo na Univali em Itajaí e; Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina.

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