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    Prefeitura Municipal de Florianópolis apresenta

    Farra do boi é tortura: Prefeitura de Florianópolis assina campanha para coibir maus-tratos 

    Considerada prática de maus tratos há 20 anos pelo Superior Tribunal Federal, ações continuam ocorrendo no litoral catarinense, especialmente no período da quaresma 

    22/02/2019 - 16h26 - Atualizada em: 01/08/2019 - 13h38

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    Por Estúdio NSC
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    Mesmo estando proibida pela Lei de Crimes Ambientais desde 1998 e sendo alvo de denúncias e ativistas desde os anos 1970, a chamada Farra do Boi ainda existe em cidades do litoral catarinense. A lei define como crime "praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos". No entanto, apesar do amparo legal, todos os anos são registradas novas ocorrências de crueldade com os animais decorrentes da Farra do Boi.

    A prática toma diferentes formas de acordo com a cidade. Algumas envolvem deixar o animal com sede e fome durante vários dias antes de ser solto. Geralmente, são escolhidos os animais mais bravos, que, em meio a um grupo de farristas, é solto e incitado a perseguir os participantes, que o agridem com objetos até que ele fique tão exausto a ponto de não conseguir levantar. A tortura só acaba quando o boi se rende ou morre, o que pode levar dias.

    Os primeiros registros de eventos como a Farra do Boi em Santa Catarina datam de 1820. Mas a prática histórica tem origens na "tourada à corda", que há mais de 500 anos acontece no arquipélago dos Açores, mais especificamente na Ilha Terceira. Os imigrantes açorianos que se instalaram em Santa Catarina no século XVIII e trouxeram consigo a tradição que, aqui, foi adaptada e passou a utilizar bois. Mas uma característica da prática original se manteve: a tortura.

    Os farristas que defendem essa prática tão primitiva alegam origens religiosas: o boi simbolizaria Judas, o traidor de cristo. Pelo mesmo motivo, as ações se intensificam durante o período da quaresma. E mesmo a crítica da Igreja Católica e afirmações de que a prática seria pagã não bastaram para tolher a farra.

    Hoje, poucos praticantes defendem a Farra com base na sua origem simbólica. Para muitos, basta afirmar que faz parte da cultura açoriana e isso bastaria para mantê-la viva. Enquanto isso, grupos defensores dos animais apontam o fato de que outras tradições açorianas, como o artesanato (renda de bilro) e o Boi de Mamão, não são defendidas com tanto vigor.

    Há também quem alegue que a tradição demonstra valentia e força dos homens que participam. Mas o que se vê é apenas a covardia na forma de maus-tratos a um animal.

    Prefeitura de Florianópolis apoia campanha contra a Farra do Boi

    Com o intuito de conscientizar cada vez mais pessoas contra a prática e estimular denúncias, a Prefeitura Municipal de Florianópolis lança neste ano a campanha “Farra do boi é tortura”. Até o mês de abril, além de intervenções artísticas em vários pontos da cidade, como faixas de segurança, outdoor, busdoor, e numa faixa na entrada da Ilha de Santa Catarina, o município também planeja ações de repressão para quem insiste em cometer o crime da farra do boi.

    Ações no centro da cidade incluem intervenções artísticas
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    Em parceria com a Polícia Militar, o município disponibiliza equipamentos para resgate dos animais que possam vir a ser vítimas da farra. A Prefeitura também mantém um convênio com a Associação de Proteção dos Animais de Santa Catarina (Acapra) para custear o atendimento e tratamento destes animais.

    Para o prefeito da cidade, Gean Loureiro, não é aceitável que a capital catarinense ainda produza episódios de maus tratos a animais.

    – Florianópolis é, hoje, referência no cuidado com animais, com diversas ações que estamos desenvolvendo. Mas precisamos erradicar de vez uma prática antiga que infelizmente é confundida com cultura – disse o prefeito.

    Outdoors foram espalhados na cidade para promover conscientização
    Outdoors foram espalhados na cidade para promover conscientização
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