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Ação de preservação

Figueira centenária da Praça XV será interditada para remoção de parasitas

Árvore passará por poda e também terá novos pilares de sustentação instalados

09/05/2014 - 17h45 - Atualizada em: 09/05/2014 - 17h48

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Por Redação NSC
Tradicional cartão-postal de Florianópolis terá área interditada por 30 dias para os trabalhos
Tradicional cartão-postal de Florianópolis terá área interditada por 30 dias para os trabalhos
(Foto: )

As plantas parasitas estão sugando aos poucos a vida da centenária figueira da Praça XV de Novembro, no Centro de Florianópolis, ao mesmo tempo em que as escoras de ferro já não suportam o peso dos grandes galhos. Para garantir a vitalidade da árvore e a segurança de quem passa no local, em um período de mais de 30 dias, começando a contar neste sábado, dia 10, a área será interditada parcialmente para que uma limpeza minuciosa seja feita e as estruturas de sustentação possam ser substituídas.

Na avaliação da Fundação Municipal do Meio Ambiente (Floram), além do risco existente para a garantia de saúde da figueira, que tem mais de 140 anos, há perigo para a população que passa embaixo dos ramos da árvore que é considerada um dos principais símbolos de Florianópolis.

- Se um dos galhos cair e atingir uma pessoa, pode ser fatal - diz Luiz Pazini Figueiredo, biólogo da Floram e mestre em engenharia ambiental.

Figueiredo é o encarregado de monitorar a limpeza fitossanitária que será feita e realizou o estudo que demonstra a necessidade do trabalho. Segundo ele, o último relatório de avaliação das condições gerais da árvore foi elaborado em 1997. O trabalho inclui raspagem de plantas epífitas (que moram em cima de outras plantas), poda e tratamento das lesões existentes, principalmente nos locais em que atualmente estão localizadas as escoras. Também será realizada desratização no entorno da árvore.

Uma empresa indicada pela Floram foi contratada pela Koerich, empresa adotante da praça. Seis técnicos, acompanhados do biólogo e de um agrônomo credenciado, devem subir na árvore com rapel e realizar a erradicação das plantas. Além da grande quantidade de bromélias, que não são parasitas, mas sobrecarregam os galhos, existem cactos e samambaias, chamadas de cipó cabelo. Estas sim são parasitas e sugam a seiva bruta da figueira, secando os ramos, que podem cair a qualquer momento.

Floram é a responsável pela manutenção da árvore

- Teremos que isolar algumas áreas, porque será preciso retirar as escoras e o paver da praça para colocar as novas. Vamos colocar mais de uma escora por galho, diferente do que existe hoje - informa o diretor de gestão ambiental da Floram, João da Luz.

A Koerich, por meio de parceria com a prefeitura, adotou a praça, para mantê-la organizada e atraente aos visitantes. No entanto, a figueira é de responsabilidade da Floram. A Koerich concordou em pagar a contratação da empresa especializada para manutenção e poda, mas, segundo João da Luz, consta em contrato fechado há duas semana para renovação da adoção da praça que qualquer questão relacionada à árvore cabe à Floram.

Conforme Luz, uma análise das condições da figueira foi feita no ano passado e foi aberta licitação. Uma empresa foi escolhida, porém não atendeu aos requisitos exigidos pela prefeitura e, por esse motivo, a licitação foi cancelada.

- Nós vamos monitorar cada passo e avaliaremos a questão de circulação, por exemplo. Se alguma coisa sair das normas estabelecidas, nós trocamos de empresa. Teremos todo o cuidado para zelar pelo patrimônio que é a figueira - garante Figueiredo.

Saiba mais

* Figueira mata-pau, figueira do mato, figueira folha miúda e figueira brava são nomes populares para a Ficus organenses (mic.), ou seja, a figueira da Praça XV.

* Estima-se que tenha nascido em 1871, em um pequeno jardim em frente à Igreja Matriz. Em 1891, com 20 anos, a figueira foi retirada do jardim e replantada no local em que está hoje e cresceu vigorosa desde então.

* O biólogo Luiz Pazini Figueiredo, da Floram, garante que a árvore é saudável, mas compara a situação com uma pessoa saudável com gripe. Se a figueira ficasse do jeito que está correria risco no futuro.

* Conforme ele, a figueira centenária pode se tornar milenar facilmente, pela característica de resistência que apresenta. Além disso, é uma espécie que se prolifera rapidamente.

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