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    Filme francês "Os Anarquistas" narra dilemas éticos de um infiltrado

    Longa de Élie Wajeman é estrelado por Tahar Rahim e Adèle Exarchopoulos, duas estrelas da hora na França

    19/05/2016 - 06h00 - Atualizada em: 21/06/2019 - 22h59

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    Por Redação NSC
    Ator de "O Profeta" e atriz de "Azul É a Cor Mais Quente" estão juntos em "Os Anarquistas
    Ator de "O Profeta" e atriz de "Azul É a Cor Mais Quente" estão juntos em "Os Anarquistas
    (Foto: )

    Os atores Tahar Rahim (O Profeta) e Adèle Exarchopoulos (Azul É a Cor Mais Quente) são duas das maiores revelações do cinema francês dos últimos anos. Eles estão juntos em Os Anarquistas, filme que abriu a Semana da Crítica do Festival de Cannes de 2015 e que estreia nesta quinta-feira no Guion Center 1, em Porto Alegre.

    Quem os uniu foi o diretor Élie Wajeman, que tem 35 anos e chega aqui ao segundo longa (o primeiro foi Aliyah, lançado em 2012). Apaixonado por thrillers com personagens infiltrados (é um entre os muitos cineastas da escola francesa a venerar o gênero suspense), ele criou, junto à roteirista Gaëlle Macé, uma história sobre um grupo de anarquistas na Paris de 1899 – a partir do ponto de vista de um policial que se infiltra entre eles.

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    Rahim é o protagonista, jovem perdido que vislumbra na carreira de agente da lei uma esperança de futuro. Agarrá-la representa aceitar a proposta do inspetor-chefe (Cédric Kahn) para trabalhar em meio aos ativistas. Inicialmente, não parece haver problema: mesmo que tenha cultura, ele sequer conhece os princípios anarquistas. Só que acaba se envolvendo política e emocionalmente com o grupo, em especial com a namorada de seu líder (papel de Adèle).

    É tudo bastante previsível, mas as expressões dúbias de Rahim impõem nuances e camadas extras ao conflito ético-sentimental do personagem. Wajeman se revela um ótimo diretor de atores (Swann Arlaud e Guillaume Gouix são destaques no homogêneo time de rebeldes), e a reconstituição de época que promove, com orçamento claramente limitado (predominam os planos fechados em ambientes internos), é igualmente muito boa. A fotografia de David Chizallet, os figurinos de Anaïs Romand e, principalmente, a direção de arte de Christelle Maisonneuve são impecáveis.

    Há tensão sob as aparências, e o espectador é uma espécie de cúmplice do protagonista: ao contrário de todo o grupo, sabe que ele esconde algo que, vindo à tona, terá o impacto de uma bomba. Alguns episódios, sobre os quais convêm não falar aqui para não estragar a fruição, vão fortalecer essa ideia de que a iminente explosão fará um estrago enorme.

    O que dá consistência ao filme, mais do que tudo isso, é a contraditória sensação de plenitude do policial infiltrado, sujeito até então vítima de um vazio existencial que, no entanto, por dever de ofício, precisa trair aqueles que transformaram a sua vida. Você já viu isso antes, talvez em outro contexto, mas certamente sem Tahar Rahim e Adèle Exarchopoulos – o que já é, por si só, motivo para dar uma chance a Os Anarquistas.

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