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Mudança na lei

Fim de obrigatoriedade do extintor "corrige distorção histórica", diz especialista

Medida do Contran, que deve começar a valer na sexta-feira, torna facultativo o uso do equipamento em veículos de passeio

17/09/2015 - 13h27 - Atualizada em: 17/09/2015 - 15h25

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Por Redação NSC
(Foto: )

A medida que torna opcional o uso de extintores em veículos de passeio, anunciada nesta quinta-feira - e que deve entrar em vigor a partir de sexta-feira, com a publicação no Diário Oficial da União -, ainda causa divergência entre especialistas. Para o coordenador do núcleo gaúcho do Comitê Brasileiro de Segurança contra Incêndio, engenheiro civil Carlos Wengrover, os equipamentos não têm efetividade contra danos causados por sinistros.

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- A não obrigatoriedade corrige uma distorção histórica. Há mais de 10 anos os veículos tem tecnologia suficiente para não gerarem incêndios, e nos EUA já faz tempo que não se exige extintores por diversos motivos - justifica o especialista.

Dados da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva demonstram que os extintores não têm eficácia: dos 2 milhões de sinistros em veículos cobertos por seguros em um ano, apenas 800 tiveram incêndio como causa. Desse total, apenas 24 informaram que usaram o extintor, equivalente a 3%.

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Ainda segundo Wengrover, o treinamento ou o uso adequado do equipamento não ajudam a evitar prejuízos materiais e humano.

- No meio profissional, engenheiros e arquitetos já sabiam disso há tempo (ineficácia dos extintores). No meio governamental, atuam forças ocultas que sempre prejudicam o povo - apontou.

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Engenheiro civil e especialista em prevenção de incêndio, Telmo Brentano concorda com a baixa efetividade no combate a chamas em veículos.

- Hoje em dia, é muito difícil um carro pegar fogo, a não ser em acidente ou choque. Acredito que existe muito mais uma questão comercial, dos fabricantes e do governo, por trás dessa obrigação - avalia Brentano.

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Segundo ele, cientificamente, está comprovado que um carro "não pega fogo por si só", já que estão tecnologicamente mais avançados, principalmente no que diz respeito aos motores.

- Antigamente, a Kombi e o Fusca tinham motores com refrigeração a ar, por isso eram mais suscetíveis a pegar fogo no motor. Hoje não existe mais. Os motores são refrigerados a água, o que evita superaquecimento - conclui o engenheiro.

ENTENDA

- O Contran divulgou nesta quinta-feira que decidiu tornar facultativo o uso de extintor em automóveis de passeio. Fica obrigatório apenas aos veículos utilizados comercialmente para transporte de passageiros, como caminhão, caminhão-trator, micro-ônibus e ônibus, e aos destinados ao transporte de produtos inflamáveis, líquidos e gasosos.

- A medida passa a valer a partir da sua publicação no Diário Oficial da União, o que, segundo o próprio Contran, deve acontecer nesta sexta-feira.

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