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Fronteiras diluídas

Fito Páez e Paulinho Moska gravam álbum aproximando seus ritmos e seus países

A mistura de temáticas, que poderia tornar "Locura Total" um disco confuso, acaba a só lhe agregar

28/09/2015 - 12h07 - Atualizada em: 28/09/2015 - 12h10

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Por Redação NSC
(Foto: )

- Vamos tentar falar em portunhol - irrompe, na conversa via telefone desde São Paulo, um convicto Fito Páez quando perguntado se a entrevista deve ser feita totalmente em português.

- É que estamos com saudade - explica, mais à frente, Paulinho Moska, referindo-se ao ano e meio que passaram os dois artistas, um na companhia do outro, entre Rio de Janeiro, Buenos Aires e Trancoso, no processo de composição e gravação de Locura Total, sua primeira colaboração.

O disco acaba de ser lançado em duas versões, em português e espanhol. O álbum fala tanto sobre reuniões - o encontro de Brasil e Argentina, o encontro com o amor, o encontro dos dois músicos consigo mesmos como compositores e como latino-americanos - que fica difícil acreditar que o rosarino e o carioca "se acharam" a partir de uma mediação da gravadora. Foi o que aconteceu. Mas, ao que tudo indica, tudo fluiu como se o acaso houvesse juntado um par de velhos amigos.

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- Você não se conhece até que se conhece - simplifica Fito. - Quando Paulinho foi me visitar pela primeira vez em Buenos Aires, já surgiram quatro, cinco músicas. Elas estão no álbum.

Entre as composições imediatas está Hermanos, o primeiro single da dupla, lançado em agosto. A canção, com um cativante refrão pontuado por "la-la-lás" - o idioma universal do pop -, é encarada quase como um hino por Moska:

- Ela é uma síntese do assunto do disco, da "loucura total". Na primeira vez em que nos encontramos, quando escutei Fito tocar a melodia no piano, sem a letra, percebi que estava diante de uma oportunidade. A ideia de colocar a letra de Hermanos (que tem versões em português e espanhol nas duas edições do disco) nessa música foi imediata. E fui cabeça dura em dizer, desde o início, que esse deveria ser o single. Até que, no final, todo mundo concordou.

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Se a mistura explosiva de Fito, conhecido pela versatilidade em suas colaborações, com Moska, que se define como um músico que "não é roqueiro, não é funkeiro, não é MPB", tinha tudo para acabar em uma obra confusa, Locura Total é, no máximo, um disco caótico no bom sentido.

Na bossa que dá nome ao disco, a deusa romana Diana se olha no espelho de Iemanjá em uma praia da Bahia. Em Milagros y Heridas, narra-se uma road trip que faz a série Breaking Bad virar "um conto de fadas" e, em Garota Muchacha, uma sambista se apaixona pelo tocador de bandoneón.

Tudo isso para encerrar em mais uma homenagem à comunhão - na qual os dois cantores mimetizam o jeito de cantar um do outro -, em Flores de Abraços: "De uma América viva, nunca mais repartida, inventar portunhóis e por fim sermos nós".

Disco

Locura Total

De Fito Páez e Paulinho Moska

Sony Music - 12 faixas

US$ 9,99 na Apple Music

R$ 27,90 em lojas físicas

Disponível em streaming

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