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    DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA 

    Florianópolis é o município que mais registrou casos de injúria por preconceito em SC 

    Foram 229 ocorrências em 2019. Em todo o Estado, houve um aumento de 85% em relação ao ano passado 

    20/11/2019 - 19h25 - Atualizada em: 21/11/2019 - 10h56

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    Por Ângela Prestes
    Clarissa
    Por Clarissa Battistella
    Primeira edição da Marcha da Negritude Catarinense ocorreu em novembro de 2016, nas ruas da capital
    Primeira edição da Marcha da Negritude Catarinense ocorreu em novembro de 2016, nas ruas da Capital
    (Foto: )

    Os casos de injúria racial registrados até o mês de outubro deste ano já ultrapassaram os números de 2018. Entre o início de janeiro e o final de outubro de 2019 foram 1.448 ocorrências em Santa Catarina. No mesmo período do ano passado foram 782 casos, um aumento de 85%. O município com o maior número de registros foi Florianópolis (229), seguido por Joinville (113), Blumenau (80), Itajaí (60), Chapecó (59), Criciúma (33) e Lages (29). Os dados foram divulgados pelo Sistema Integrado de Segurança Pública (SISP) de Santa Catarina.

    É importante denunciar

    O registro da ocorrência, além de um direito do cidadão, ajuda a dar a dimensão do problema, o que impacta nas políticas públicas do Estado e dá embasamento aos debates. Para a gerente de Políticas para Igualdade Racial e Imigrantes do Estado de Santa Catarina, Regina Célia da Silva Suenes, é fundamental a discussão do tema.

    - É imprescindível a visibilidade desta política com amplas discussões e proposições, em face de um contexto de desigualdades e de racismo, por meio da construção de políticas públicas que conduzirão a um processo de transformação social.

    A denúncia pode ser feita em delegacias, na internet no site da Polícia Civil ou pelos canais de disque-denúncia.

    Para especialista, maioria das denúncias terminam arquivadas

    Professor de Ciências Criminais e advogado, Luciano Goes atribui o aumento de ocorrências a dois fatores: ao conhecimento sobre o que é racismo e a conscientização das próprias vítimas, que procuram meios de denunciar e ao contexto político:

    — Por um lado, a população negra tem reconhecido seus direitos e denunciado, o que gera aumento de ocorrências. Por outro, o contexto político que vivemos legitimou que as pessoas cometam atos de racismo.

    Segundo o especialista, a população negra sofre primeiro com o preconceito e, depois, com o descaso, pois as instituições responsáveis por dar andamento às demandas, não encaram os casos com a seriedade que o tema demanda:

    — Na delegacia, muitas vezes, a ocorrência vira um "fato atípico". No Ministério Público, quase todos os inquéritos são arquivados. E os que chegam até o Judiciário, somente terminam em responsabilização, quando são casos indefensáveis. Há uma proteção para quem comete esse tipo de crime. Luciano Goes

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