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Foi um erro do governo começar reforma fiscal com teto de gastos, diz ex-presidente do Banco Central

Gustavo Franco afirma que o governo de Michel Temer usou mal o orçamento

25/08/2017 - 09h30 - Atualizada em: 25/08/2017 - 11h03

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Por Estadão Conteúdo
Estrategista-chefe da gestora Rio Bravo durante o 27º fórum da liberdade, ocorrido em Porto Alegre, em 2014.
Estrategista-chefe da gestora Rio Bravo durante o 27º fórum da liberdade, ocorrido em Porto Alegre, em 2014.
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Segundo o ex-presidente do Banco Central e estrategista-chefe da gestora Rio Bravo, Gustavo Franco, a governo de Michel Temer errou ao iniciar a reforma fiscal no Brasil pela aprovação da PEC dos gastos públicos. Em vez disso, deveria ter utilizado sua energia para aprovar a reforma da previdência.

— A aposta era de que esse governo tinha mais capacidade de passar emendas, o que realmente não tem — afirmou durante o Congresso Internacional de Mercados Financeiros e de Capitais, organizado pela B3, em Campos do Jordão.

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Franco disse que o governo, assim, usou mal seu orçamento e agora está "acabando sua energia e capacidade de aprovar".

— No caso da reforma da Previdência, estaremos fadados a revisitar a cada dois, três anos, assim como teremos que revisitar a reforma trabalhista — destacou.

Previdência

Sem alterações nas atuais regras da Previdência, o cumprimento do teto dos gastos será algo inviável em um curto espaço de tempo, disse o ex-diretor do Banco Central Afonso Bevilaqua:

— Não acho que o governo fará pedaladas para cumprir o teto, estão sendo promovidos esforços — afirmou.

Bevilaqua explicou que o gasto da Previdência corresponde hoje a 45% das despesas primárias do governo e sem nenhuma reforma, ao fim de dez anos, esses mesmo gastos corresponderão a dois terços das mesmas despesas, o que seria "inviável".

Segundo ele, o Brasil não tem mais tempo para postergar os ajustes e deixar a reforma da Previdência para ser tocada no próximo governo é algo "inaceitável". Para o ex-diretor do Banco Central, é exatamente por esse assunto ter sido deixado para os próximos governos que o País enfrenta hoje uma situação fiscal extremamente delicada.

— Se houver relutância na reforma, serão anos muito mais difíceis — disse ele.

Por outro lado, Bevilaqua reconhece que a probabilidade de aprovação da reforma hoje é menor do que no início de maio.

— Mas, mesmo que aprove (a reforma), teremos que passar os próximos dez anos tentando adequar os gastos primários ao teto (de gastos) — salientou.

Uma situação mais grave, disse, pode ajudar a formar consenso político para a necessidade de que é preciso fazer algo.

— O cenário é muito perigoso. Qualquer atraso na reforma é algo a se lamentar — conclui.

Tamanho do Estado

Para Gustavo Franco, com a dificuldade de implementar reformas estruturais no País, para que a meta fiscal possa ser cumprida, será preciso reduzir o tamanho do Estado para conseguir cumprir o teto dos gastos públicos.

— É preciso diminuir o quadro e a remuneração. Tão simples como isso e tão complicado como isso — relativizou.

— O setor público se tornou disfuncional ao crescimento — afirmou.

Segundo ele, para cada caso de sucesso há 30 casos de fracasso.

— É preciso discutir o que é prioritário e é uma escolha difícil — avaliou.

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