Em um texto autobiográfico de 1936, Albert Einstein refletiu sobre como a solidão pode deixar de ser sofrimento e se transformar em uma escolha valorizada com o passar dos anos.

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Existe uma idade em que ficar sozinho num sábado à noite parece um veredito. Como se a solidão fosse a prova de que algo deu errado, de que faltou popularidade, afeto, sorte. E existe uma outra fase, que chega mais tarde e quase sem aviso, em que a mesma cena muda completamente de cor: ficar sozinho deixa de ser uma falta e vira um descanso.

Albert Einstein resumiu essa travessia numa única frase:

“Vivo naquela solidão que é dolorosa na juventude, mas deliciosa nos anos de maturidade.”

— Albert Einstein

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Quem disse e onde

A frase aparece num texto autobiográfico de Einstein chamado “Self-Portrait”, de 1936. Não é uma daquelas citações soltas que circulam pela internet sem origem e isso importa, porque Einstein é um dos autores mais mal citados do mundo, com dezenas de frases falsas atribuídas a ele todos os dias. Essa, não. Essa ele realmente escreveu.

E ela faz sentido vinda dele. Einstein se descrevia como um solitário no dia a dia, alguém que nunca pertenceu por inteiro a um país, a uma casa ou mesmo à própria família, e que sentia uma necessidade de solidão que só aumentava com os anos. Mas dizia também que isso não o deixava isolado: tinha a sensação de pertencer a uma espécie de comunidade invisível de pessoas que, como ele, buscavam a verdade e a beleza. Estar fisicamente só não era o mesmo que estar desconectado de tudo.

O que muda entre a solidão que dói e a que alivia

A genialidade da frase está em separar duas coisas que costumamos confundir: a solidão imposta e a solidão escolhida.

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Na juventude, a solidão quase sempre é imposta. Vem da insegurança, da comparação, da sensação de estar de fora de algo que todos os outros parecem ter. É a solidão de quem queria companhia e não tem e por isso dói. Ela é vivida como ausência, como espera por uma vida que ainda não chegou.

Com o tempo, para muita gente, a relação se inverte. A solidão passa a ser escolhida. Vira o silêncio que se procura depois de um dia barulhento, o espaço onde finalmente cabem os próprios pensamentos, o alívio de não precisar performar para ninguém. Não é que a pessoa tenha desistido de companhia, é que aprendeu a diferença entre estar só e estar sozinho. Uma é circunstância. A outra é abandono. E elas não são a mesma coisa.

Por que isso conversa com a gente hoje

Vivemos numa época que trata a solidão quase como um defeito a ser corrigido. Estar sempre disponível, sempre conectado, sempre cercado de gente virou sinônimo de uma vida bem-sucedida. Quem gosta da própria companhia muitas vezes sente uma culpa estranha, como se devesse uma justificativa.

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A frase de Einstein oferece um contraponto silencioso a tudo isso. Ela não romantiza o isolamento nem diz que ninguém precisa de ninguém, seria leitura preguiçosa. O que ela sugere é mais sutil: que a solidão não tem um único significado fixo. O que dói aos vinte pode ser exatamente o que cura aos quarenta. E que talvez parte do amadurecimento seja justamente essa: deixar de fugir da própria companhia e começar a achá-la suportável, depois confortável, às vezes até deliciosa.

A pergunta que fica da frase de Albert Einstein

Talvez a questão não seja fugir da solidão nem persegui-la, mas reparar em qual delas estamos vivendo. A que sentimos hoje é a solidão que falta ou a solidão que escolhemos? E o que precisaria mudar, dentro da gente, para que uma virasse a outra?

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