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    Futebol amador: investimento e amor à camisa fazem parte da Primeira Divisão de Florianópolis

    Competição começa nesta sábado com o tricampeão Grêmio Cachoeira contra o River

    06/08/2016 - 05h09

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    Por Redação NSC
    Grêmio Cachoeira é o atual tricampeão e abre a competição neste sábado
    Grêmio Cachoeira é o atual tricampeão e abre a competição neste sábado
    (Foto: )

    A elite do futebol amador de Florianópolis começa neste sábado. São 11 clubes em busca da glória de ser o melhor da Capital. Do atual tricampeão a quem conseguiu o acesso em 2015, todo mundo bota a paixão na frente para seguir insistindo no mundo da bola não-profissional.

    Confira os jogos do final de semana no futebol amador da Grande Florianópolis

    A direção River, do Rio Vermelho, que abre a competição contra o Grêmio Cachoeira, neste sábado, trouxe quatro jogadores e está com orçamento previsto para o campeonato de até R$ 20 mil. Patrocínio, rifa, bingo, tudo é válido. Só que retorno financeiro praticamente não existe, já que não há premiação em dinheiro. Pedro Manoel Duarte, o Pedrinho, ex-presidente e que segue na administração do clube, diz por que mesmo assim vale a pena

    o investimento.

    – É o amor à camisa, o pessoal gosta muito. É uma família. Num bairro como o Rio Vermelho, com 25 mil moradores, é o único lazer do domingo. O campo fica cheio. Se a gente não faz, a comunidade cobra – explica.

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    Os atletas amadores não podem receber salário do clube em que defendem, está previsto no Código Brasileiro Disciplinar do Futebol. O que acontece é receber uma ajuda de custo para os jogos, que fica em torno de R$ 100 a R$ 150. Basicamente para pagar o transporte e alimentação.

    – A maioria dos dirigentes, assim como eu, está pelo comprometimento com a causa do esporte. Temos campeonatos desde o infantil (14 anos), e aí as crianças já vão tendo identificação com a camisa do time do bairro depois quando ficam adultos. Isso acaba sendo um trabalho social de fortalecimento das comunidades – destaca o presidente da Liga Florianopolitana de Futebol (Liff), Manoel de Paula Machado, o Dequinha.

    O River normalmente também patrocina um churrasco e cerveja para os boleiros após cada partida. Só que existem diversos outros gastos que um time precisa arcar (veja no box). Para levantar fundos, o River está organizando um bingo comunitário. Tem até um porco e um novilho entre os prêmios. O time espera arrecadar até R$ 8 mil com o evento.

    Quanto custa jogar o amador

    ::: Inscrição na Primeira Divisão: R$ 500 (mais R$ 300 do sub-20)

    ::: Transferência de atleta: R$ 100

    ::: Mensalidade da liga: R$ 100

    ::: Pintura do campo: R$ 120

    ::: Corte da grama: R$ 400

    Ex-profissional no atual tricampeão

    Jogador do tricampeão o Grêmio Cachoeira, Itauê Rosa trabalha como instrutor em uma academia de Capoeiras. Há dois anos encerrou uma carreira profissional de 10 anos, com passagens até pela Ásia.

    – Todo muito acha que a gente ganha mais porque conquistamos vários títulos. Mas esse ano, até por dificuldades financeiras, baixou um pouco a ajuda – revela o atleta.

    Itauê passou pelo Guarani da Palhoça, Marcílio Dias, Cianorte (PR) e Botafogo de Ribeirão Preto (SP). Em 2008 disputou a Copa da Ásia pelo New Delhi Heroes, da Índia.

    – Parei aos 30, estava cansado de não ter contrato longo, tudo de três, seis meses. E eu tenho mulher e filha. Aí o que o cara ganha em seis meses gasta nos outros. Agora eu só jogo nos finais de semana pelo clube que me identifico.

    Djone Kammers, técnico do Grêmio, também faz as vezes de diretor de futebol. Trabalha como representante comercial e ganha ajuda de custo igual aos atletas.

    – Hoje todo mundo quer jogar com a gente pela organização e comprometimento. Temos elencos bons. Nunca é pela parte financeira. Eles preferem estar um ambiente bom, do que de repente ganhar R$ 30 a mais – lista Djone.

    O sonho de virar jogador

    Tem muito jogador, no entanto, que quer fazer o caminho contrário do Itauê. O volante Eduardo Machado, do Triunfo, fez 18 anos. Vai disputar a final da Segunda Divisão pelo Santa Cruz e depois se inscrever no sub-20 e no adulto da Primeira.

    – Eu achava que não daria mais. Estou sempre buscando uma oportunidade, mas a qualidade está muito forte e quase sempre só consegue quem tem empresário. No Triunfo eu vou jogar porque meu pai sempre defendeu as cores. Ele morreu há dois anos, e era a paixão dele. Não tem como jogar a Primeira Divisão sem ser no Triunfo – conta o jovem atleta.

    O clube do Sambaqui tem uma categoria de base forte. Alguns meninos dos juniores do Triunfo conseguiram ¿chegar lá¿. É o caso do Luiz Felipe, zagueiro do Santos (treinado por Dorival Júnior). Diretor de esportes do clube, Gabriel Meurer lamenta o fim de um convênio com o Ministério do Esporte para a base do time. Diz que para a Primeira Divisão o orçamento não passa de R$ 8 mil.

    – A gente tem um custo muito alto de categoria de base. E ultimamente não estamos recebendo verba nem da prefeitura nem do governo do Estado, e isso prejudica o desemprenho. Se botar na ponta do lápis, não vale a pena disputar o campeonato amador. Mas não tem como não jogar. O torneio dá status pro time, visibilidade, é festa no bairro – pondera o dirigente.

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