Gasolina premium costuma aparecer no posto como promessa de mais desempenho, proteção para o motor e até menor consumo. Mas será que vale pagar mais caro por ela ou o efeito é pequeno demais para pesar no bolso?

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Há, inclusive, um mito de que é bom abastecer com gasolina premium ao menos de vez em quando para “lavar o motor”.

A resposta depende principalmente do tipo de motor. Em carros comuns, projetados para rodar bem com gasolina regular, a premium dificilmente transforma o desempenho. Já em modelos turbo, esportivos, importados ou de alta compressão, o combustível superior pode fazer diferença porque ajuda o motor a trabalhar com menor risco de detonação.

O que é gasolina premium

A principal diferença da gasolina premium está na octanagem. Esse índice mede a resistência do combustível à detonação antes do momento ideal dentro do motor. Quanto maior a octanagem, maior a capacidade de suportar pressão e temperatura sem provocar combustão irregular.

Essa medida é o Índice de Octanagem de Pesquisa, conhecida pela sigla RON (Research Octane Number).

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No Brasil, a gasolina comum passou a ter especificação mínima de 93 RON a partir de 2022, enquanto a gasolina premium deve ter no mínimo 97 RON, segundo regra da ANP. Na prática, algumas gasolinas premium vendidas no país superam esse patamar. A Petrobras informa que a Podium tem 102 RON, além de ultrabaixo teor de enxofre, com até 20 mg/kg, e aditivação especial. Já a Shell anuncia a V-Power Racing como uma gasolina de alta octanagem, voltada a desempenho, limpeza e proteção do motor.

Quando ela faz diferença

A gasolina premium tende a ser mais útil em motores que foram desenvolvidos para explorar combustível de alta octanagem. É o caso de alguns modelos esportivos, importados, motores turbo mais potentes e carros com taxa de compressão elevada.

Nesses veículos, usar gasolina de maior octanagem pode ajudar a central eletrônica a manter parâmetros mais eficientes de funcionamento, como avanço de ignição e pressão de turbo. O resultado pode aparecer em forma de melhor resposta, funcionamento mais suave e menor perda de potência em situações de maior exigência.

Em carros que recomendam ou exigem gasolina premium no manual, a diferença é ainda mais importante. Usar um combustível abaixo do especificado pode fazer o sistema eletrônico reduzir desempenho para proteger o motor, além de aumentar o risco de funcionamento irregular.

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E nos carros comuns?

Em carros populares, compactos aspirados e modelos flex de uso urbano, o ganho costuma ser bem mais limitado. Se o motor foi calibrado para gasolina comum, ele pode simplesmente não aproveitar todo o potencial da octanagem maior.

Isso significa que abastecer com premium não deve fazer o carro “virar outro”. Pode haver algum benefício ligado à qualidade do combustível, à aditivação e à menor formação de resíduos, dependendo do produto e do histórico do veículo. Mas esperar grande aumento de potência ou queda expressiva de consumo em um carro comum é, na maioria dos casos, exagero.

Para esse público, a gasolina aditivada pode fazer mais sentido do que a premium, especialmente para quem busca limpeza e proteção do sistema de alimentação sem pagar tanto quanto em um combustível de alta octanagem.

Premium, comum e aditivada: qual é a diferença?

A gasolina comum atende às especificações mínimas exigidas para uso nos veículos. A aditivada parte dessa mesma base, mas recebe detergentes e dispersantes para ajudar a manter limpos bicos injetores, válvulas e partes do sistema de combustão.

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A premium também recebe aditivos, mas seu diferencial principal é a octanagem mais alta. Por isso, ela não deve ser vista apenas como “uma aditivada melhor”. Ela é um combustível voltado a motores que conseguem se beneficiar da maior resistência à detonação.

Em resumo: aditivada mira mais limpeza e manutenção do sistema; premium mira também desempenho e funcionamento em motores mais exigentes.

Saiba se o consumo pode cair

Em alguns motores mais modernos, principalmente turbo ou de maior compressão, a premium pode permitir funcionamento mais eficiente em determinadas condições. Isso pode gerar alguma melhora de consumo, especialmente em estrada ou uso mais exigente.

O problema é que a diferença no preço geralmente é alta. Mesmo que o carro rode um pouco mais por litro, a economia pode não compensar o valor extra pago no abastecimento.

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Para saber se vale a pena, o motorista precisa fazer conta. Se a premium custa 20% ou 30% a mais, por exemplo, o carro precisaria entregar uma melhora de consumo parecida para compensar financeiramente. Na maior parte dos carros comuns, isso dificilmente acontece.

Faz mal usar gasolina premium em carro comum?

Não. Usar gasolina premium em um carro comum não deve causar problema. O ponto é outro: talvez o motorista esteja pagando por uma característica que o motor não consegue aproveitar plenamente.

Também não é necessário alternar gasolina comum e premium por medo de prejudicar o motor. O mais importante é abastecer em postos confiáveis, seguir a recomendação do manual e manter revisões em dia.

Se o carro apresenta falhas, consumo alto ou perda de desempenho, colocar gasolina premium pode até mascarar sintomas por algum tempo, mas não substitui diagnóstico mecânico. O problema pode estar em velas, bicos, filtro, sonda, bomba, combustível adulterado ou outro componente.

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O que muda no bolso

O impacto financeiro depende da diferença de preço no posto. Como a gasolina premium costuma ser mais cara, algo em torno de 30% em média, o consumidor precisa avaliar se o benefício percebido justifica o gasto.

Em um carro comum, a conta tende a pesar contra a premium. O motorista paga mais, mas pode não sentir melhora proporcional em consumo ou desempenho. Em um carro que exige alta octanagem, a lógica muda: o gasto maior faz parte do custo de manter o veículo funcionando como foi projetado.