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Gasolina terá o quinto aumento de 2021; nova alta será de 4,8%

Petrobras anunciou também o quarto reajuste do diesel no ano; elevações ocorrem após crise da estatal no mercado e podem anular reflexos de corte de impostos

01/03/2021 - 10h41 - Atualizada em: 01/03/2021 - 11h43

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Por Jean Laurindo
Preço da gasolina terá quinto reajuste em 2021, anunciou Petrobras
Preço da gasolina terá quinto reajuste em 2021, anunciou Petrobras
(Foto: )

A Petrobras anunciou nesta segunda-feira (1º) que vai aumentar mais uma vez o preço da gasolina e do diesel. O reajuste será válido a partir desta terça.

A gasolina terá reajuste de R$ 0,12 no preço médio do combustível na venda das refinarias para as distribuidoras, que passará a ser de R$ 2,60 - alta de 4,8%. Já o diesel terá aumento de R$ 0,13 no valor do litro, chegando à média de R$ 2,71, um acréscimo de 5%.

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Esse é o quinto reajuste no preço da gasolina e o quarto no valor do diesel feitos pela Petrobras em 2021. Em dezembro, antes dessas elevações, a gasolina custava em média R$ 1,84 nas refinarias e o diesel, R$ 2,02.

A alta acumulada da gasolina desde o início deste ano chega agora a 41,3%. Já o diesel teve aumento total de 34,16% na soma das quatro variações de preço anunciadas pela estatal.

Nesta segunda-feira entra em vigor a suspensão de impostos federais por dois meses sobre o preço do óleo diesel. A medida já era uma estratégia do governo federal para tentar amenizar o impacto dos constantes reajustes. A nova alta, no entanto, pode anular o reflexo do corte de tributos no preço final do principal combustível usado no setor de transportes.

Em cidades de SC como Florianópolis e Blumenau, os constantes aumentos dos combustíveis já resultam em preços acima de R$ 5 pelo litro da gasolina nos postos.

A nota da Petrobras também cita um reajuste no gás de cozinha: será uma alta de R$ 0,13 por quilo, chegando ao novo valor final de R$ 3,05 por quilo (ou de R$ 39,69 pelo botijão de 13 quilos).

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Novo reajuste ocorre após críticas de Bolsonaro e crise

O novo reajuste de preços vem uma semana após a crise que fez a Petrobras perder 20% de valor de mercado na bolsa de valores em apenas um dia – uma queda de aproximadamente R$ 75 bilhões.

O motivo da crise na Petrobras foi o anúncio de troca na presidência da estatal a partir do fim de março, feito pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido). A medida foi encarada como uma interferência de Bolsonaro após críticas à política de preços da empresa e aos constantes aumentos na gasolina e no diesel desde o início do ano. O general Joaquim Silva e Luna deve substituir o atual presidente, Roberto Castello Branco, a partir de 20 de março.

Bolsonaro chegou a dizer que o último reajuste era “fora da curva” e que “a população não pode ser surpreendida com certos reajustes”. Após reação negativa do mercado, com desvalorização também de outras estatais na bolsa por temor de intervenção e alta do dólar, Bolsonaro tentou tranquilizar o setor financeiro prometendo não alterar a política de preços atual da Petrobras. O mecanismo, chamado de preço de paridade internacional, vincula o preço da gasolina e do diesel à variação do dólar e do preço do petróleo no mercado mundial.

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Petrobras teve lucro líquido de R$ 59 bilhões no quarto trimestre

A estratégia contribuiu para que a Petrobras registrasse um lucro líquido recorde de R$ 59,9 bilhões no quarto trimestre de 2020, ainda que o balanço anual tenha representado queda de 82,3% no lucro líquido em razão da redução de consumo e dos impactos provocados pela pandemia do novo coronavírus. Mesmo assim, o lucro líquido da estatal no ano marcado pela crise foi de R$ 7,1 bilhões.

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