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Após dois acidentes

Gol suspende operações com Boeing de modelo que caiu na Etiópia 

A Gol é a única companhia aérea brasileira a usar a aeronave. O 737 Max-8 começou a voar comercialmente em 2017. 

12/03/2019 - 09h09

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Por AFP
(Foto: )

A Gol suspendeu preventivamente nesta segunda-feira (11) a operação de suas sete aeronaves Boeing 737 MAX 8, após a queda de avião de mesmo modelo na Etiópia matar todas os 157 ocupantes no domingo (10).

"Sendo segurança o valor número um da GOL, que direciona absolutamente todas as iniciativas da empresa, a companhia informa que por liberalidade, a partir das 20h de hoje, suspenderá temporariamente as operações comerciais das suas aeronaves 737 Max 8", anunciou a empresa, em nota.

A Gol é a única companhia aérea brasileira a usar a aeronave. O 737 Max-8 começou a voar comercialmente em 2017.

Antes do anúncio, o Procon-SP havia afirmado que pediria a suspensão imediata dos voos 737 MAX 8 da Gol. Segundo a entidade, o pedido visaria prevenir a ocorrência de futuros acidentes, evitando colocar em risco a vida dos usuários do transporte aéreo.

Também antes do anúncio, a Agência Nacional de Aviação (Anac) acionou a americana Boeing e a companhia aérea brasileira para avaliar se deveria suspender a operação do modelo da fabricante americana no país.

Por meio de sua assessoria, a agência reguladora somente afirmou que "mantém contato com a empresa fabricante da aeronave, com a autoridade que originalmente a certificou, bem como o operador brasileiro".

A suspensão do 737 MAX 8 abre opções economicamente difíceis para a Gol, já que seus atuais 737-800 não têm autonomia para fazer os voos de Brasília para Miami e Orlando, nos EUA. No cenário mais drástico, as rotas seriam suspensas. Para mantê-las, a Gol teria de optar por uma escala técnica em Manaus ou pelo arrendamento de aeronaves com o alcance necessário de voo.

Nas conversas com a Anac, a Gol admitia a possibilidade de continuar voando esses aviões até que as investigações fossem concluídas. A informação foi prestada por um alto executivo da Gol à reportagem.

Uma alternativa seria remanejar os passageiros com viagens já marcadas nos jatos 737 MAX 8 para voos de empresas parceiras, como a Delta Airlines, e passar a cobrir os destinos internacionais com aviões Boeing 737 NG.

Infográfico com os aviões da Boeing
Na América do Sul, além da Gol o modelo de avião é utilizado também pela Aerolíneas Argentinas
(Foto: )

Suspensão em outros países

Autoridades de vários países tomaram medidas em relação ao modelo de avião nesta segunda. A Administração da Aviação Civil da China (Caac) informou em comunicado que iria notificar as companhias aéreas a respeito da proibição do uso da aeronave e também sobre quando elas poderiam retomar seu uso.

A ordem só será revista após o órgão regulador entrar em contato com a Boeing e com a agência reguladora americana e ter garantias sobre a segurança dos voos.

"Dado que dois acidentes envolveram aviões Boeing 737 MAX 8 recém-entregues e aconteceram durante a fase de decolagem, eles têm algum grau de similaridade", afirmou a Caac, acrescentando que a proibição está de acordo com seu princípio de tolerância zero em relação a riscos de segurança.

A decisão foi seguida pela Indonésia, onde um acidente com o mesmo modelo, operado pela aérea Lion Air, deixou 189 mortos em outubro do ano passado. A Etiópia também suspendeu a operação das aeronaves.

Nos Estados Unidos, a FAA (Agência Federal de Aviação) divulgou comunicado em que afirma considerar as aeronaves seguras. Porém, a nota também informou que pediria à fabricante que fizesse alterações no modelo. Segundo o órgão americano, a Boeing está trabalhando para implementar "sistemas de controle de voo" que simplificariam a operação dos aviões.

Pilotos que operam esse modelo de aeronave disseram aos investigadores ter enfrentado problemas com um sistema informatizado que impede o avião de parar no ar. A chamada trava "antiparada" forçaria o nariz do avião para baixo mesmo com o esforço dos pilotos em corrigir a manobra.

Operado pela Ethiopian Airlines, o voo ET 302 ia de Adis Abeba, na Etiópia, para Nairóbi, no Quênia, e caiu seis minutos após decolar, no domingo. Ao menos 35 diferentes nacionalidades e 19 pessoas que trabalhavam para diferentes agências ou organizações afiliadas à ONU estão entre os mortos.

A Boeing ofereceu suas "condolências às famílias dos passageiros e tripulantes a bordo" em um comunicado divulgado no domingo.

As causas dos acidentes ocorridos na Indonésia e na Etiópia ainda não foram esclarecidas. Agentes do Conselho de Segurança de Transportes dos EUA e da FAA estão no local do acidente para acompanhar as investigações. Duas caixas-pretas do avião já foram localizadas. Autoridades acreditam que, se os registros estiverem intactos, será possível apontar a causa do acidente em breve.

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