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    Google anuncia que vai pagar por notícias aos veículos de jornalismo profissional

    Produto só estará disponível mais para o fim do ano, nas ferramentas Google News e Discover

    25/06/2020 - 10h44 - Atualizada em: 25/06/2020 - 10h48

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    Por Folhapress
    google
    Os países já confirmados neste primeiro anúncio são Alemanha, Austrália e Brasil
    (Foto: )

    Em novembro, após duas décadas em publicidade no Google e no DoubleClick, Brad Bender foi indicado pelo presidente do gigante de buscas, Sundar Pichai, como vice-presidente de produto, mas em jornalismo, News.

    E na madrugada desta quinta (25) ele anunciou seu primeiro resultado, um programa de licenciamento de conteúdo. Ou seja, o Google vai pagar aos veículos de jornalismo profissional pelo uso de notícias.

    O novo produto ou experiência só estará disponível mais para o fim do ano, nas ferramentas Google News e Discover. Os países já confirmados, neste primeiro anúncio, são Alemanha, Austrália e Brasil. Aqui, já estão fechados acordo com o jornal Estado de Minas e A Gazeta (do Espírito Santo).

    Bender não dá detalhes, diz que ainda está em desenvolvimento, mas enfatiza que o programa "sinaliza um grande desenvolvimento na maneira" como o Google trabalha com publishers, as empresas jornalísticas.

    "Sundar falou da importância do jornalismo de qualidade, do quanto ele valoriza o jornalismo."

    PERGUNTA - Na prática, como o conteúdo licenciado será apresentado no Google News e no Discover?

    BRAD BENDER - Vamos licenciar o conteúdo para um produto inteiramente novo, essa experiência de descoberta, que permitirá aos usuários entrar mais fundo em assuntos complexos. E estamos planejando pagar pelo que estamos chamando de "extended metering" (medição estendida), que é dar acesso a conteúdo de paywall, para que os usuários possam ir além dele e ter a oportunidade de se tornarem clientes fiéis, potencialmente assinantes. A licença vai variar de publisher para publisher, mas pode incluir coisas como imagens de alta resolução, vídeo, áudio, além da medição estendida.

    P: Como vocês vão estimar um pagamento justo pelas notícias?

    BB - Estamos fazendo parceria com cada publisher diretamente. Não é a primeira vez que licenciamos conteúdo. Já pagamos antes por conteúdo de áudio, clima, mas esta é realmente uma mudança de passo significativa na nossa atividade. Vamos investir um valor expressivo para criar esse produto. Mas os termos serão privados, para cada publisher.

    P: Vocês vão lançar o novo produto mais à frente, até o fim do ano. Esperam reunir mais veículos?

    BB - Já temos vários. No Brasil, Diários Associados e A Gazeta [Espírito Santo]. Na Alemanha, temos Der Spiegel, Frankfurter Allgemeine Zeitung, Die Zeit. Temos Schwartz Media, The Conversation, Private Media na Austrália. Vários acordos estão fechados e estamos ansiosos para expandir. Neste momento, conversamos em meia dúzia de outros países. E é realmente o caso de ter a mistura certa de publishers, um painel representativo de cada país. Estamos focando uma gama diversa e ampla, com atenção especial para noticiário local, tentando nos concentrar em publishers que se dedicam à cobertura jornalística de qualidade sobre assuntos que importam para a comunidade. E que tenham alcance significativo em seus mercados.

    P: O programa pode ser um modelo para outras plataformas, não só YouTube, mas Facebook e até TikTok?

    BB - Veja, nós nos importamos com o futuro do jornalismo. E eu penso que garantir um futuro para o jornalismo requer que todos deem um passo adiante. Empresas como nós, empresas como essas que você nomeou, governos, sociedade civil, mesmo usuários, todos temos um papel a representar. Para nós, o sucesso do Google vem de existir esse ecossistema aberto de informação. Os nossos interesses são alinhados com os publishers. Estamos construindo em cima disso, dos nossos anos de esforços com a indústria do jornalismo. É um passo adiante significativo no engajamento com o setor.

    P: A Austrália vem cobrando que as plataformas paguem por notícias. A França também, mas ela não está no programa. Vocês negociaram com veículos franceses? As demandas dos dois têm a ver com o desenvolvimento deste novo produto?

    BB - Nós escutamos, em alto e bom som, que temos que fazer mais para apoiar publishers ao redor do mundo. E este anúncio é parte da solução. Só para ficar claro, estamos em discussão com publishers franceses há meses, antes da ordem das autoridades de concorrência, e esse continua sendo um dos elementos que estamos conversando. E estamos engajados com as autoridades australianas de concorrência, em seu processo de criar um código de conduta para notícias.

    P: Você vem do lado publicitário do Google. O programa é baseado nessa sua experiência?

    BB - Minha experiência em publicidade, o tempo que passei com publishers digitais, 20 anos, me permitiu um entendimento e uma apreciação mais profundos do modelo de negócios e dos desafios. Muitos publishers estão tendo uma abordagem multifacetada para a criação de um modelo mais sustentável. Publicidade é uma parte. Assinantes, receita com leitores, é outra. E vemos este programa como sendo mais uma parte.

    P: Por que alguém de publicidade é escolhido para consertar um atrito de dez anos ou mais?

    BB - Uma das razões por que me animei a vir para notícias é por ter esse entendimento. Por ter visto o valor do jornalismo, mas também por entender o que está acontecendo no lado do negócio. A razão por que é importante para o Google é que nós vemos informação de qualidade como essencial para a sociedade e a democracia, mais amplamente. Estou animado a ajudar a fazer a ponte, superar a divisão, e a levar o negócio do jornalismo a um lugar mais sustentável. Da minha perspectiva, este programa de licenciamento sinaliza um grande desenvolvimento na maneira como trabalhamos com publishers, como apoiamos jornalismo de qualidade. Como mencionei, é só o começo.

    P: Os primeiros países serão Alemanha, Brasil e Austrália. Há uma razão para estes três serem priorizados?

    BB - Primeiro, queríamos dar a notícia, porque temos vários acordos assinados e estamos ansiosos para compartilhar isso amplamente. E ressaltar estes três países demonstra um dos princípios do programa, de buscar um conjunto diverso e representativo. Temos um das Américas, um no Pacífico e um na Europa. É emblemático da nossa abordagem.

    P: Como estão as negociações no Brasil? E o que é específico nessa atenção ao mercado brasileiro?

    BB - Estamos engajados com publishers que podem trazer seu jornalismo e voz editorial para a experiência. Queremos ter certeza de conseguir marcas respeitadas e publishers locais, assim como atores digitais. Enfatizar jornalismo é provavelmente mais importante do que nunca, uma forma de ajudar a lidar com alguns dos problemas complexos que estão sendo enfrentados no Brasil, como desinformação. É ajudar a garantir que as pessoas tenham um debate público bem informado. Parte da solução é oferecer às pessoas informação de qualidade e desenvolver ações que apoiem o jornalismo profissional. Isso é algo que eu destacaria como específico para o Brasil. Ajudar a conectar as pessoas às fontes mais confiáveis de informação.

    *Por Nelson de Sá - Folhapress

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