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Tecnologia

Google faturou US$ 4,7 bilhões por meio da indústria de notícias em 2018, aponta estudo   

Associação representante de jornais norte-americanos exige a divisão dos lucros 

10/06/2019 - 15h25

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Por GaúchaZH
Nos EUA, tramita projeto de lei que visa preservar a competição na indústria jornalística entre empresas e distribuidoras online

Quem produziu os conteúdos foram os jornalistas, mas quem faturou US$ 4,7 bilhões com notícias, somente em 2018, foi o Google. Isso é o que revela o estudo divulgado, nesta segunda-feira, pela News Media Alliance — associação comercial que representa aproximadamente 2 mil jornais nos EUA e no Canadá —, segundo informações do The New York Times (NYT).

A título de comparação, esses US$ 4,7 bilhões quase batem os US$ 5,1 bilhões que a indústria norte-americana de notícias arrecadou com publicidade digital no ano passado e é maior do que a venda de ingressos dos dois últimos filmes da série Vingadores. A News Media Alliance alerta, ainda, que a estimativa para a receita angariada pelo Google é conservadora. Isso porque o valor dos dados pessoais que a empresa coleta nos consumidores sempre que clicam nas reportagens não foi contabilizado.

A associação baseou seu relatório em uma pesquisa feita pela empresa de consultoria em economia Keystone Strategy que, por sua vez, firmou-se em uma estatística tornada pública quando um executivo do Google estimou que o Google News arrecadou US$ 100 milhões em 2008. O estudo também observou o quanto as receitas da empresa cresceram desde então, entre outros fatores.

David Chavern, presidente e chefe executivo da News Media Alliance, afirmou que os profissionais envolvidos na apuração e escrita destes conteúdos merecem parte do dinheiro arrecadado pela gigante da internet já que, de acordo com o estudo, as notícias são uma parte significativa dos negócios do Google. Aproximadamente, 40% dos cliques nas consultas de tendências da plataforma são de notícias. Isso é conteúdo que o Google não paga.

A pesquisa aponta que o Google e o Facebook – as duas maiores distribuidoras de notícias da atualidade – assumiram uma grande porção da receita de anúncios online. Como resultado, os meios de comunicação perderam uma fonte crucial de renda ao longo das duas últimas décadas, o que os levou, na maioria dos casos, a encolher ou a desaparecer, revela o levantamento.

Nos EUA, tramita projeto para preservar a competição na indústria jornalística

O estudo da News Media Alliance foi divulgado um dia antes de uma audiência que será realizada na Câmara dos Representantes sobre a relação entre as grandes empresas de tecnologia e a mídia. Chavern disse esperar que o levantamento abra caminho para aprovação do Journalism Competition and Preservation Act, projeto de lei que tramita no Congresso americano e que busca preservar a competição da indústria jornalística no país.

Se aprovado, as empresas jornalísticas poderão barganhar coletivamente junto aos donos de plataformas on-line na direção de uma divisão na receita obtida com as notícias. O projeto tem apoio dos dois principais partidos americanos, o democrata e o republicano, tanto no Senado quanto na Câmara dos Representantes, além do presidente do subcomitê antitruste do Comitê do Judiciário da Câmara.

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