nsc
an

Bolshoi grandioso

Histórias e números de uma instituição que virou patrimônio de Joinville

Dois espetáculos celebram os 15 anos da Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, neste domingo e segunda-feira

14/03/2015 - 04h04 - Atualizada em: 14/03/2015 - 05h58

Compartilhe

Por Redação NSC
Funcionários, diretores e bailarinos do Bolshoi Brasil posaram para foto de aniversário no teatro Juarez Machado
Funcionários, diretores e bailarinos do Bolshoi Brasil posaram para foto de aniversário no teatro Juarez Machado
(Foto: )

As cores da Escola do Teatro Bolshoi no Brasil passeiam por toda Joinville. Elas estão nos bairros, entram nos ônibus e, principalmente, caminham pelo Centro da cidade em direção à sede no Centreventos Cau Hansen. Estão nos 255 alunos e em seus uniformes branco, preto e azul-petróleo - as duas últimas cores, indicando a tradição da educação e o ideal dos sonhos, bandeiras que a escola instalada em Joinville há 15 anos levanta, da mesma forma que carrega a importância de seu nome ao ser a única filial do Bolshoi de Moscou fora da Rússia.

Confira a página especial dos 15 anos do Bolshoi

O que acontece depois que estes estudantes entram na Escola Bolshoi parece ser mistério para muitos joinvilenses que os veem passar nas ruas. E, para que estes 255 jovens caminhem tranquilos em direção ao sucesso - esteja ele nas artes ou não -, pelo menos 66 pessoas se dedicam diariamente em funções que não recebem aplausos de plateias emocionadas. De forma silenciosa, a Escola Bolshoi trabalha cada detalhe de sua estrutura com minúcia, em um sistema que remete à rigidez russa aliada à personalidade brasileira: aquela que faz com que a relação de alunos e professores seja de disciplina e seriedade em sala de aula, mas não impeça as brincadeiras e risadas nos corredores.

É de lá que saem bailarinos como Amanda Gomes, 19 anos, que no fim de fevereiro foi listada pela revista Forbes como um jovem destaque do Brasil; e Erick Swolkin, 24 anos, que protagonizará o espetáculo Grande Suite de Don Quixote nesta segunda-feira com o crédito de fazer parte do Teatro Bolshoi de Moscou, apesar de ter Pirabeiraba como berço. Não faz muito tempo, eles também trajavam os uniformes branco, preto e azul-petróleo. Agora, quem os viu crescer segue a trajetória de formar novos talentos.

Leia mais:

:: Projeto da Escola do Teatro Bolshoi no Brasil leva dança pelo País

:: Ateliê da sede do Bolshoi em Joinville guarda todos os figurinos das coreografias que a escola tem em seu repertório

:: Escola do Teatro Bolshoi no Brasil exporta talentos para o mundo

- É um orgulho muito grande carregar esta marca, mas a excelência da Escola Bolshoi só é possível - diante de tantas dificuldades culturais e financeiras - graças à dedicação de seus funcionários. Eles amam a escola e, por isso, superam todos os desafios - afirma o presidente do Bolshoi Brasil, Valdir Steglich.

Ele sabe bem sobre a paixão que existe entre aquelas paredes. Sua relação com o Bolshoi começou antes mesmo de a instituição chegar à cidade, com a empolgação de sua filha mais velha, Raquel, aluna da primeira turma da escola. Steglich assumiu a posição de pai - que frequentava a escola e ia às apresentações - e de amigo do Bolshoi, como voluntário de assistência médica na área de ortopedia. Seis anos depois, o Bolshoi correu o risco de deixar o País, e ele foi um dos responsáveis pela luta que o manteve na cidade.

- Éramos um grupo de pessoas que acreditavam no projeto. Nos unimos e decidimos abraçar a escola para que ela permanecesse e crescesse em Joinville. Hoje, ela é uma adolescente, que ainda tem muito a aprender, mas que já amadureceu bastante - avalia ele.

Espetáculos de aniversário

- Posar para a foto é a parte mais fácil. Difícil é o que eles fazem do lado de cá das cortinas - brincou o presidente da Escola Bolshoi, Valdir Steglich, após a produção da foto que aparece nestas páginas.

Ele se referia ao trabalho feito no dia anterior, no qual três funcionários da escola buscavam, em cima do mapa da plateia do Centreventos Cau Hansen, a melhor forma de acomodar as autoridades que virão a Joinville para os espetáculos de aniversário de 15 anos do Bolshoi Brasil neste domingo e segunda-feira.

Entre os que confirmaram presença estão o ministro do Turismo, Vinícius Lages; o embaixador da Rússia no Brasil, Sergey Akopov; o embaixador da Eslováquia no Brasil, Milan Cigan; e o CEO do Teatro Bolshoi de Moscou, Anton Getman. Mais do que vir para prestigiar as apresentações, Anton Getman estará na cidade para renovar o contrato entre Brasil e Rússia para que a escola joinvilense continue funcionando sob o nome Bolshoi por mais cinco anos, além de promover intercâmbios entre a sede e a filial.

Dois grandes espetáculos foram planejados pela escola para comemorar seu début. No dia 15 de março, data do aniversário de instalação do Bolshoi em Joinville, a apresentação de O Quebra-nozes deve encantar a plateia com sua luxuosa produção. Já no dia 16, o público poderá assistir ao tradicional balé Don Quixote, levado ao palco 38 vezes em turnês pelo Brasil.

Colunistas