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Opinião

"Homem do Chifre"

Eu imaginava que os comerciantes de Florianópolis, entidades comerciais, políticos e a mídia fariam algo para dar um enterro digno a Carlos Alberto Silva. Pura ingenuidade!

25/09/2017 - 13h04 - Atualizada em: 25/09/2017 - 13h10

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Por Redação NSC

O Carlos Alberto Silva, o “Homem do Chifre”, foi sepultado no cemitério de Barra Velha. Graças ao esforço do proprietário da casa de repouso onde ele estava morando nos últimos meses, Sérgio Luiz Henrique, que, por esforço próprio e isolado, conseguiu, por meio de ordem judicial, promover um enterro social, com um mínimo de dignidade para um ser humano. Carlos Alberto morreu por volta das 10h e até as 23h o Sérgio trabalhou incansavelmente, fazendo o que podia para que seu hóspede não fosse simplesmente jogado numa vala. Sérgio ligou para várias pessoas que pudessem ajudar: possíveis conhecidos, políticos, pessoal da mídia, tanto de Balneário Camboriú quanto de Florianópolis, sem que tivesse êxito. Naquele momento triste, os conhecidos não se posicionaram, nada fizeram.

Eu não conhecia Carlos Alberto de conversar, mas eu o via trabalhando nas ruas de Florianópolis, logo que aqui cheguei de mudança do Rio de Janeiro, em 1977. Quando soube da morte dele e da situação que se configurava para o seu sepultamento, não me contive, fiquei muito emocionado e fui atrás, na sexta-feira, do paradeiro do seu corpo. Eu imaginava que os comerciantes de Florianópolis, as entidades comerciais, políticos e mesmo a mídia – que dele tanto se valia, para algumas manchetes – fariam algo. Pura ingenuidade! Não fosse o esforço do senhor Sérgio, ele teria sido, simplesmente e indignamente, enterrado como indigente.

Agradeço a atenção da Neiva, telefonista da prefeitura de Barra Velha, do “seu” Olívio, coveiro do cemitério, do Edelson, da funerária, pessoas com quem fiz contato e que me ajudaram a localizar o paradeiro do corpo. Foi por meio das informações que levantei com elas que cheguei ao Sérgio, no exato momento em que ele voltava do cemitério, onde acabara de sepultar o corpo do Carlos Alberto, que não teve o velório que merecia.

O Sérgio fez o que pôde, o que estava ao alcance dele. Que Deus abençoe e zele pela alma do Carlos Alberto.

*Carlos Roberto Guzzo da Cruz é gerente financeiro

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